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Milei descarta dolarização da Argentina neste ano, sem antes fechar o Banco Central

today1 de abril de 2024 5

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Em entrevista à “CNN en Español”, que foi ao ar neste domingo (31), Milei explicou que o eventual fechamento reafirma uma de suas principais promessas de campanha, e que “não adianta fazer várias reformas se o BC não for fechado”.

A promessa de fechar o BC vem desde a época das campanhas eleitorais. O presidente disse, repetidas vezes, acreditar que essa é a única medida eficaz para acabar com a inflação porque impediria o governo de emitir moeda para corrigir problemas de financiamento público e, assim, distorcer os preços.

À CNN, Milei também comentou que não necessariamente o país será dolarizado neste processo, mas que é a própria população quem vai escolher qual moeda melhor atende as necessidades comerciais e sociais do país.



“A realidade é que não falamos estritamente sobre a dolarização. Sempre falamos sobre competição cambial. E, nesta competição cambial, se for imposta uma moeda, a moeda que vai ser imposta, devido às preferências dos argentinos, é muito provável que seja o dólar”, disse.

Neste contexto, Milei afirmou não acreditar que a dolarização aconteça antes das eleições legislativas do meio de 2025.

Senado da Argentina rejeita pacote de medidas de Milei

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Primeiros meses de governo e parcerias comerciais

Quando perguntado sobre qual a maior conquista do seu governo nos 100 primeiros dias de gestão, Milei destacou ter “evitado a hiperinflação” da Argentina.

O Banco Central da Argentina, um dia antes da divulgação da inflação do país, optou por reduzir a taxa básica de juros de 100% para 80% ao ano, citando que “desde 10 de dezembro de 2023, a situação econômica apresenta sinais visíveis de redução da incerteza macroeconômica”, além de registrar uma “trajetória de queda da inflação no varejo”.

Sobre o futuro, além dos planos com a reforma do sistema financeiro, fechamento do BC e uma eventual dolarização, Milei também ressaltou o objetivo de manter alinhamento comercial com os Estados Unidos.

O presidente já declarou publicamente inúmeras vezes seu apoio e apreço pessoal ao ex-presidente americano Donald Trump, que é candidato à reeleição no país em 2024. No entanto, mesmo que o atual presidente Joe Biden ganhe a disputa pela Casa Branca, Milei disse que isso não será um problema e que manterá uma boa relação com o país.

“Independentemente de quem esteja no comando, e além das minhas preferências, que são públicas, minha prioridade é ser aliado dos Estados Unidos”, comentou.

Perspectivas para a dolarização da Argentina

Em entrevista recente ao g1, o professor Paulo Feldmann, da FIA Business School, explica que a Argentina não tem recurso suficiente para conseguir promover a dolarização da economia — uma vez que é necessário substituir todo o dinheiro nacional em circulação pela moeda americana.

Então, como só os Estados Unidos podem emitir dólar, a Argentina depende que o Tesouro americano coloque mais moeda para circular. As reservas internacionais do país estão vazias e o próprio Milei disse, em seu discurso de posse, que não há dinheiro.

Assim, o primeiro desafio para a dolarização argentina hoje é, justamente, conseguir a quantidade de dólares suficiente para dar conta de toda a dinâmica econômica, além da necessidade que o presidente tem de provar que o país pode ser estável e confiável para atrair investimentos.

São tarefas difíceis, pensando que tornar um país realmente mais atrativo para receber investimentos é um trabalho de longo prazo, enquanto um mandado presidencial dura apenas quatro anos — e Milei já está na metade do primeiro ano.

Essa não seria a primeira vez, porém, que o país passaria por uma tentativa de dolarização. Na década de 1990, durante o governo de Carlos Menem, o então ministro da economia, Domingo Cavallo, desenhou um pacote de medidas para equilibrar a difícil situação da economia, e que determinou a paridade entre a moeda argentina e o dólar.

O Plano Cavallo, como ficou conhecido, visava a estabilização da economia, mas acabou em uma crise ainda maior do que o país já se encontrava, com uma taxa de desemprego de 18,3% e o indicador de pobreza em 34,32% no começo dos anos 2000.

O principal problema, segundo Feldmann, é que, na época, ao mesmo tempo em que a Argentina aumentava sua dependência por dólar, o governo promoveu uma série de privatizações e a abertura econômica, o que tirou dinheiro do país e acabou com a paridade entre os preços do dólar e da moeda do país.

A tarefa de Milei, agora, é provar suas medidas econômicas a tempo, enquanto a Argentina continua passando por um período desafiador.




Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Mundo.

Por: G1

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