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Na COP 28, EUA se comprometem a parar de usar carvão em usinas

today2 de dezembro de 2023 12

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O anúncio foi feito pelo assessor especial para o clima dos Estados Unidos, John Kerry, durante o principal encontro anual da ONU sobre mudanças climáticas, a COP 28, que acontece até o dia 12 de dezembro em Dubai, nos Emirados Árabes.

O carvão é responsável por cerca de 40% das emissões de combustíveis fósseis, e os Estados Unidos e a China respondem por quase 60% das emissões de gás carbônico (um dos gases do efeito estufa) por queima de carvão, de acordo com o Center for Climate and Energy Solutions.

Kerry afirmou que os EUA vão se juntar a uma aliança composta por mais de 50 países comprometidos a fazer a transição energética do carvão, deixando de construir novas usinas e progressivamente fechando as já existentes.



Segundo a agência de notícias Associated Press (AP), não foi informada uma data para o fechamento das usinas atuais, mas outros regulamentos do governo Biden e compromissos internacionais colocam 2035 como prazo para o fim do uso de carvão.

O anúncio veio um dia depois de o presidente francês, Emmanuel Macron, cobrar que os países do G7, grupo das nações com as maiores economias do mundo, se comprometam a acabar com o carvão antes de 2030 para “dar o exemplo”.

“Nós vamos trabalhar junto com parceiros ao redor do mundo para fazer a transição do carvão que não pode ser abatido, um passo absolutamente essencial para manter ao alcance a meta de 1,5ºC”, afirmou Kerry.

Limitar o aquecimento do planeta a 1,5ºC é considerado essencial para evitar consequências ainda mais dramáticas das mudanças climáticas. Cada poucos décimos de aumento na temperatura média da Terra implicam em maior frequência e intensidade de eventos extremos (como secas, incêndios, furacões e tempestades), além do degelo das calotas polares, aumento do nível do mar e desequilíbrio de ecossistemas.

Imagem mostra usina termelétrica movida a carvão na região de Montana, nos Estados Unidos. — Foto: AP

Em seu anúncio, Kerry usou uma expressão que tem causado polêmica nas discussões sobre o clima. Ele afirmou que os EUA vão parar de construir novas usinas de carvão “unabated” – o que pode ser traduzido como usinas de carvão cujas emissões de gases do efeito “não podem ser abatidas”. Ou seja, aquelas que não podem ser compensadas por outras medidas para capturar os gases do efeito estufa já presentes na atmosfera, como reflorestamento, preservação de florestas, entre outras.

As usinas movidas à carvão já vem sendo fechadas nos Estados Unidos por questões econômicas e não há planos para a construção de novas, de acordo com informações da AP.

“Nós já estamos caminhando para aposentar o carvão até o fim da década de qualquer jeito”, disse à agência o analista de clima Alden Meyer do centro de pesquisas europeu E3G. Isso porque o gás natural e fontes renováveis de energia, como solar e eólica, são mais baratas.

Até outubro, menos de 20% da eletricidade nos EUA foi gerada por carvão, segundo o departamento de energia do país. De acordo com a AP, o total de carvão queimado pelos americanos no ano passado equivale a menos da metade do consumido em 2008.

Mesmo assim, o carvão é um combustível fóssil altamente prejudicial para o clima, produzindo mais gás carbônico por unidade de energia gerada do que o gás natural e do que a gasolina.

Aumento da pressão para outros países

EUA se comprometem a fechar todas as usinas movidas a carvão até 2035

EUA se comprometem a fechar todas as usinas movidas a carvão até 2035

O governo americano vem fazendo pressão para que outros países abandonem o carvão, principalmente a China e a Índia, que estão construindo novas usinas movidas pelo combustível.

Em setembro, um estudo da instituição de pesquisa Ember, que promove o uso de energias renováveis, mostrou que as emissões de queima de carvão das maiores economias do mundo continuam aumentando, apesar dos compromissos estabelecidos por esses países.

Segundo o levantamento, entre 2015 e 2022, as emissões per capita vinculadas ao carvão do G20 (grupo das 20 maiores economias) aumentaram 9% – puxadas, principalmente, por China, Japão, Turquia, Rússia, Índia e Indonésia.

Nesse sentido, o anúncio americano pressiona outros países a fazerem valer seus compromissos. “Isso coloca pressão direta na China, que tem mais da metade do carvão do mundo e quase 75% dos novos projetos de usinas de carvão ao redor do mundo”, afirmou Leo Roberts, do E3G, ao jornal britânico The Guardian.

“Eu acho que é uma tática intencional dos países que se comprometeram”, disse ele sobre a decisão americana.




Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Mundo.

Por: G1

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