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O homem que viajou para todos os países do mundo sem pegar avião

today11 de junho de 2023 9

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Menos de 300 pessoas realizaram essa conquista: três delas estiveram em todos os países duas vezes e duas completaram a aventura sem voltar para casa.

Mas apenas uma fez a volta ao mundo sem pegar sequer um avião, afirma o autor de tal façanha.

“Meu nome é Torbjørn C. Pedersen, que é um nome terrível para um viajante. Mas isso nunca me impediu, apenas me chame de Thor”, diz o dinamarquês em sua apresentação em site Once upon a Saga (Era uma vez uma saga, em tradução literal).



Ele conta que se inspirou em uma frase do cientista dinamarquês Piet Hein: “É preciso viajar para entender que o mundo é redondo”.

Há cerca de 9 anos ele saiu de casa para viajar o mundo, com o objetivo de não voltar antes de completar a jornada.

Claro, ele tinha algumas regras simples: passaria pelo menos 24 horas em cada país e não pegaria nenhum avião. Viajaria apenas por terra ou água.

“Não vou comprar, pedir emprestado ou alugar um carro para ir de A a B e definitivamente não tenho motorista. Dessa forma, terei certeza de que passarei muito tempo com moradores e viajantes, uma maneira incrível ver o mundo!”, descreveu.

Ele levou 3.512 dias para percorrer todos os países do mundo, viajando a pé, de carro, de ônibus, de trem e de barco.

E “todos”, para Thor, são mais do que a lista oficial de países da ONU, cujos membros são 193 mais dois Estados observadores. Ele diz que já visitou 203 países e também incluiu territórios disputados em sua lista.

Thor planeja retornar à Dinamarca em julho, uma década depois de sua partida — Foto: CORTESÍA DE THOR PEDERSEN

A aventura começou às 10h10 do dia 10/10/2013 e estava originalmente prevista para terminar em 2018, mas acabou se arrastando por mais 5 anos.

Em maio de 2023 ele chegou às Maldivas, a nação insular no Oceano Índico, determinado a curtir um novo país pela última vez… pois não havia mais nenhum em sua lista.

Ele ainda estava lá em junho, em Thilafushi, quando falou com o programa BBC OS, do Serviço Mundial da BBC.

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Qual foi a coisa mais memorável da sua viagem?

Tantas coisas! Casar pela primeira vez, casar pela segunda vez.

Ver um foguete disparar no espaço e perceber que era a primeira vez que eu via algo sair do planeta… foi um grande momento!

Estar em uma tempestade a bordo de um navio porta-contêineres, ver as baleias pularem, ser convidado para um casamento no Sudão… tanto, tanto!

Como você conseguiu ver a sua esposa durante a viagem? Foi complicado?

Ela me visitou 27 vezes ao redor do mundo e o momento mais difícil foi quando fiquei preso em Hong Kong por dois anos durante a pandemia.

Hong Kong era bastante rigoroso com as regras sobre a covid-19. Eu não conseguia embarcar em nenhum navio e a maioria dos países para onde eu tinha que ir estavam com suas fronteiras fechadas.

E minha esposa não pôde ir me ver em Hong Kong porque não éramos casados ​​e porque eu não era residente. Então eu tive que dar um jeito.

Consegui um emprego e me tornei residente temporário. E conseguimos nos casar online por meio de uma agência em Utah.

Não foi um casamento aceito na Dinamarca, mas foi em Hong Kong, o que bastou para eu tratar da papelada e enviar o visto para ela.

Então ela pôde ir e passamos cerca de 100 dias juntos.

Qual foi o país mais difícil de entrar?

Guiné Equatorial. Eu praticamente desisti. Eu estava com problemas.

Visitei 4, 5, 6 embaixadas e consulados diferentes tentando obter um visto e eles não me trataram bem ou educadamente.

Atravessei fronteiras terrestres e em muitos, muitos postos de controle, qualquer pessoa uniformizada tornou minha vida um pesadelo.

Foi um período realmente difícil.

País #100, em janeiro de 2016: Guiné Equatorial, o mais difícil, mas valeu a pena — Foto: ONCE UPON A SAGA

Bem, esse foi o 100º país, então valeu a pena em termos de progresso.

É um país adorável. É muito bonito e as pessoas que conheci lá foram muito, muito simpáticas.

Muitas pessoas que têm a sorte de viajar compram souvenirs. É algo que você fez?

Não posso comprar nada que não caiba na minha bagagem.

Em geral, não compro souvenirs porque teria que carregá-los pelo menos até ver minha esposa na próxima vez e ela levá-los para casa.

Mas colecionei algumas lembranças em todo o mundo e as pessoas também me deram muitos presentes. As pessoas são realmente gentis e generosas.

Como sou um Embaixador da Boa Vontade da Cruz Vermelha dinamarquesa, encontrei-me com a Cruz Vermelha em cerca de 190 países.

Eles têm o hábito de me dar xícaras de café, então depois de 10 visitas da Cruz Vermelha eu viajo com 10 xícaras de café na mala.

Em junho de 2014 chegou ao país #43, México, e se apaixonou por muitas coisas, principalmente pela comida — Foto: ONCE UPON A SAGA

Quando você vê os aviões voando no céu pensa “nossa, isso tornaria tudo muito mais fácil!”?

Perdi a conta de quantas vezes estava em uma longa e desconfortável viagem de ônibus e ao olhar para o céu azul via um avião e me perguntava ‘o que estou fazendo da minha vida?’.

Minha viagem de ônibus mais longa durou 54 horas. Não sei se dá para imaginar o quão dolorido fiquei depois de uma viagem dessas.

Nesse longo período em que você está viajando, alguma vez você se cansou?

Não conheci muitas pessoas que viajaram por muito mais tempo do que seis meses ou talvez um ano inteiro.

Conheço algumas pessoas que fazem isso há alguns anos, mas é quase como conhecer um unicórnio.

Esse também era o meu limite.

Dois anos foram suficientes: conheci tantas pessoas, experimentei tantas comidas diferentes, e tudo, desde o transporte, os vistos, a papelada e todas essas coisas… Eu estava pronto para ir para casa.

País #51 em julho de 2014: Colômbia. “Aqui as pessoas sorriem com o coração.” — Foto: ONCE UPON A SAGA

Mas eu estabeleci uma meta e estava tentando alcançar algo que nunca havia sido feito antes.

Achei que havia muito valor nisso e esperava que as pessoas pudessem se inspirar e se motivar com o que eu estava fazendo.

Então continuei lutando para alcançar o objetivo.

Em 2019 estava muito cansada e não me faltaram muitos países para visitar.

As companhias de navegação me disseram que poderiam me levar de volta para casa em 10 meses pelos demais países.

E aí estourou a pandemia, que me atrasou mais três anos.

Então agora estou pronto e ansioso para ir para casa.

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O tempo médio que Thor passou em cada país foi de 17 dias para toda a viagem; sua visita mais curta foi de 24 horas na Cidade do Vaticano — Foto: CORTESÍA DE THOR PEDERSEN

Quando Thor deixou sua casa há quase uma década, ele não sabia bem qual era o propósito de sua aventura.

Mas ao longo do caminho, ele encontrou não apenas um, mas vários. Eis a lista que consta em seu site:

1. “Ninguém havia feito isso antes.

“Fazer algo novo é emocionante e serve como fonte de inspiração e motivação para muitos.”

2. Tive a honra de viajar como Embaixador da Boa Vontade da Cruz Vermelha Dinamarquesa.

“Como a maioria das pessoas, eu sabia muito pouco sobre a organização, mas ouvir voluntários de todo o mundo me surpreendeu. Eu admiro os milhões de voluntários que fazem a diferença na vida de milhões de pessoas todos os dias.”

3. O mundo não é o que a maioria de nós acredita.

“A grande mídia nos mostra a parte sensacional (…). Muitas vezes ouvimos muito sobre terror, corrupção, conflitos, desastres naturais, mortes, extremistas…

“Felizmente descobri que, embora o mundo não seja perfeito, a maioria das pessoas com quem compartilhamos este planeta são pessoas bem-intencionadas.

“Política e religião são importantes para alguns. Mas muitas vezes acho que essas cinco coisas são muito mais importantes: família, comida, música, esportes e falar sobre o clima.

“Todo país do mundo tem o direito de ser visto como o melhor país em potencial do mundo.”

4. Você pode viajar com um orçamento baixo.

“Às vezes parece uma tortura estar limitado a um orçamento baixo. Às vezes eu quero uma boa cama, mais luxo e um bife suculento.

“No entanto, mantenho o orçamento porque, de acordo com muitos, seus sonhos são retidos por falta de tempo ou dinheiro ou ambos.

“Você tem que fazer o seu próprio tempo, mas este projeto mostra que não é preciso ser milionário para viajar, conhecer culturas e fazer novos amigos.”

No final, Thor foi movido pela curiosidade, encorajado a descobrir como o mundo era incrível e quanto havia para aprender.

Além disso, emocionava-se com uma frase que sempre o acompanhava: Um estranho é um amigo que você ainda não conheceu… “Quem posso encontrar amanhã?”




Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Mundo.

Por: G1

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