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O que é a ‘estagflação’ mencionada por Milei em primeiro discurso como presidente da Argentina

today11 de dezembro de 2023 1

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Não há alternativa ao ajuste e não há alternativa ao choque. Naturalmente, isto terá um impacto negativo no nível de atividade, no emprego, nos salários reais e no número de pessoas pobres e indigentes”, disse ele durante a sua primeira mensagem como chefe de Estado.

“Haverá estagflação, é verdade, mas não é algo muito diferente do que aconteceu nos últimos 12 anos”, acrescentou.

O que é a estagflação e por que a Argentina sofre com isso há tanto tempo, segundo Milei?



É uma palavra que combina inflação elevada com estagnação econômica. Uma de suas consequências diretas é o aumento do desemprego.

O termo é uma tradução do conceito inglês “stagflation”, que foi cunhado na década de 1960, quando o fenômeno impactou a economia do Reino Unido.

É considerado pelos especialistas como um desafio de difícil solução visto que o custo de vida encarece e, ao mesmo tempo, não há crescimento — com efeitos devastadores para as famílias.

Por outro lado, as políticas para romper a estagnação tendem a exacerbar a inflação.

Foi o que alertou Milei, que disse aos seus apoiadores na Plaza de Mayo que “no curto prazo a situação vai piorar”.

Milei tomou posse no domingo, 10 de dezembro — Foto: REUTERS via BBC

No entanto, o novo presidente garantiu que a sua fórmula para resolver o problema — um ajuste fiscal profundo — será “a última bebida amarga para iniciar a reconstrução da Argentina“.

“Então, veremos os frutos dos nossos esforços, tendo criado as bases para um crescimento sólido e sustentável ao longo do tempo”, acrescentou.

O novo presidente destacou ainda que na realidade o país sofre de estagflação desde 2011, desde então o Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos por um país) per capita “caiu 15% num contexto em que acumulamos 5.000% de inflação”.

“Portanto, vivemos em estagflação há mais de uma década”, explicou.

Durante seu discurso, Milei enumerou as dificuldades econômicas que recebe do governo liderado por Alberto Fernández e Cristina Fernández de Kirchner, e que — em sua opinião — representam “a pior herança” da história argentina.

O maior obstáculo, disse, é o déficit fiscal e externo, que equivale a 17% do PIB.

“Portanto, não há solução viável que evite atacar o déficit fiscal”, esclareceu, antes de explicar que o seu plano é cortar os gastos públicos em 5 pontos percentuais e parar a emissão de dinheiro, “única causa da inflação empiricamente certa e válida em termos teóricos.”

Milei prometeu que será “um ajuste organizado que recairá com toda a sua força sobre o Estado e não sobre o setor privado”.

“Sabemos que será difícil”, acrescentou, citando uma frase do ex-presidente Julio Argentino Roca.

“Nada de grande, nada de estável e duradouro é alcançado no mundo quando se trata da liberdade dos homens e da gratidão das pessoas, se não for à custa de esforços supremos e sacrifícios dolorosos.”

Milhares de apoiadores de Milei se reuniram em frente à Casa Rosada, sede da presidência argentina — Foto: REUTERS via BBC

Os críticos de Milei alertam que suas políticas afetarão um dos poucos índices “positivos” que a Argentina tem: a taxa de desemprego, que, segundo os dados mais recentes (do segundo trimestre de 2023), é de 6,2%, um dos mais baixos em sua história.

Muitos temem que a estagflação prevista por Milei aumente dramaticamente o desemprego.

Ainda está fresca na memória dos argentinos aquela que foi a pior crise da história do país, há duas décadas, quando o desemprego atingiu o recorde de 24,1%.

No entanto, os apoiadores do novo governo destacam que a atual taxa de emprego esconde outra realidade: embora haja postos de trabalho, os salários são tão baixos que um terço dos trabalhadores hoje são pobres, salientam, algo que nunca aconteceu antes no país.




Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Mundo.

Por: G1

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