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O que investigadores dos EUA podem descobrir com destroços de balão chinês

today7 de fevereiro de 2023 20

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O balão — que, de acordo com o Pentágono, estava espionando instalações militares importantes do país — foi derrubado sobre as águas territoriais dos EUA no sábado (04/02).

A China diz que era um dispositivo usado para fins meteorológicos que se perdeu e manifestou “forte insatisfação” com a derrubada dele.

Ele tinha 60 metros de altura e carregava uma carga do tamanho de um avião, de acordo com as autoridades americanas.



Os detritos se espalharam por uma ampla área na costa da Carolina do Sul.

Barcos e mergulhadores da Marinha e da Guarda Costeira dos EUA estão tentando recuperar o máximo possível de detritos do balão, incluindo qualquer equipamento que estivesse a bordo.

Não há planos, no entanto, de devolver o material recuperado à China, informaram as autoridades americanas, acrescentando que os destroços seriam analisados ​​por especialistas em inteligência.

Na segunda-feira (06/02), autoridades de defesa dos EUA informaram que foram encontrados destroços em uma área que mede aproximadamente 1.500 por 1.500 metros, embora o material esteja espalhado por uma área muito maior.

Os esforços para recuperar os equipamentos do balão foram dificultados pelas condições do mar e pela possibilidade de que os destroços possam incluir materiais perigosos, como explosivos ou componentes de bateria.

Mas o que os investigadores esperam descobrir quando os destroços do balão forem recuperados?

“Não sabemos exatamente todos os benefícios que vão resultar. Mas aprendemos coisas técnicas sobre este balão e sua capacidade de vigilância”, informou um alto funcionário da defesa a jornalistas.

“Suspeito que, se formos bem-sucedidos na recuperação de elementos dos destroços, aprenderemos ainda mais.”

Especialistas ouvidos pela BBC disseram que o conteúdo do balão é a chave para descobrir sua finalidade e seus recursos.

Iain Boyd, professor de ciências da engenharia aeroespacial na Universidade do Colorado em Boulder, nos EUA, disse que nem as explicações oficiais de Pequim nem de Washington fazem sentido ainda.

“Há dúvidas de ambos os lados, e é isso, em parte, que faz tudo isso tão interessante”, afirma. “Acho que a verdade está em algum lugar no meio de tudo isso.”

Boyd acredita que, se as equipes de resgate conseguirem recuperar instrumentos suficientes do balão, provavelmente vão poder saber quanta informação continha, que tipo de informação estava sendo processada e se algum dado processado foi ou estava sendo enviado de volta à China.

Segundo ele, ver o balão de perto — e descobrir se ele tinha recursos como hélices ou equipamentos de comunicação — também vai ajudar a determinar se ele estava sendo controlado remotamente.

Mesmo que o software esteja danificado ou tenha sido apagado de alguma forma, Boyd argumenta que os investigadores vão poder avaliar fatores como a resolução e a qualidade das imagens de vigilância que ele pode ter obtido.

“Seria muito surpreendente se houvesse alguma tecnologia nessa plataforma que não exista de alguma forma equivalente nos EUA, mas tem o potencial de oferecer aos serviços de inteligência daqui uma compreensão da maturidade tecnológica dos chineses para esse tipo de uso”, avalia.

Os EUA vão tentar encontrar todos os sensores que puderem nos destroços do balão no intuito de usá-los para descobrir o propósito da aeronave, diz Gregory Falco, professor assistente do departamento de engenharia civil e de sistemas da Universidade Johns Hopkins.

Mas, segundo ele, isso não será fácil, já que os sensores — que detectam diferentes tipos de comprimentos de onda — são normalmente pequenos e podem ter sido danificados depois que os militares dos EUA derrubaram o suposto balão espião.

Ele afirma que não está claro a partir das imagens de vídeo do incidente o quão danificada ficou a aeronave.

A China, como os EUA, é um “adversário bastante inteligente” — e provavelmente também planejou que a aeronave se autodestruísse ou embaralhasse os dados como parte da missão de espionagem, acrescenta Falco.

“Derrubar essa coisa foi apenas uma demonstração de orgulho nacional, mais do que qualquer outra coisa, porque não tenho certeza do que vamos tirar disso.”

Mas as informações do balão abatido podem ajudar as autoridades americanas a “entender seu adversário um pouco melhor”, diz ele.

De acordo com Falco, os EUA podem descobrir como os dados capturados pela aeronave foram enviados de volta à China. O país pode ter usado uma “rede híbrida de satélites”, que utiliza plataformas de alta altitude para transmitir dados para o satélite orbital mais próximo. Uma vez que o satélite esteja em território seguro, ele se conecta a uma estação terrestre, ou uma antena que funciona como um sistema de controle, explica Falco.

Segundo ele, o país asiático tem “uma enorme faixa de estações terrestres fora da China“. Contanto que o balão fosse capaz de se conectar a um satélite, que então se conectaria a uma estação terrestre, a China estaria “com os dados na mão” e poderia apagar tudo que estava no balão, ele acrescenta.

Imagem feita do solo mostra a parte de baixo do balão chinês durante atividade de caça americano para destruir o objeto — Foto: Chad Fish via AP




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Por: G1

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