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Operação internacional desmantela rede que explorava mulheres latino-americanas na França

today2 de dezembro de 2022 9

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As vítimas, com idades entre 20 e 40 anos, eram “principalmente colombianas e venezuelanas, mas também peruanas e paraguaias”, disse nesta sexta à AFP a comissária Elvire Arrighi, diretora do Escritório Central de Repressão ao Tráfico de Pessoas (OCRTEH).

“[As mulheres] eram exploradas de forma absolutamente industrial na França, com até dez serviços por dia, o que permitiu à rede faturar até 30 milhões de euros (cerca de R$ 163 milhões) por ano”, destacou Arrighi.

A rede, cuja organização era piramidal, era comandada desde a Colômbia por um casal que recrutava as vítimas com falsas promessas de um futuro melhor na Europa.



A operação resultou na prisão do casal na Colômbia; de mais seis pessoas – quatro homens e duas mulheres – na Espanha; e dois homens e duas mulheres na França, segundo a fonte policial, que confirmou informações da rádio France Inter e do jornal “Le Parisien”.

Os detidos na França, na cidade de Saint-Louis (nordeste), são de nacionalidade espanhola e colombiana, indicou o jornal, especificando que a operação ocorreu na terça-feira simultaneamente às seis da manhã na França e na Espanha, e à meia-noite na Colômbia.

O caso começou há dois anos, após uma denúncia apresentada por duas mulheres em Bordeaux (sudoeste), segundo a France Inter. Em setembro de 2021, a Justiça francesa abriu uma investigação por lenocínio, tráfico de pessoas agravado, lavagem de dinheiro em uma gangue organizada e associação de criminosos, disse uma fonte judicial à AFP.

A rede forçou mulheres à prostituição em toda a França: da costa atlântica oeste (Roche-sur-Yon, La Rochelle, Mérignac) ao leste de Saint-Louis ou Annemasse, passando por Roubaix no norte ou Plaisir e Bussy-Saint-Georges no região de Paris, segundo o Le Parisien.

As mulheres estavam “completamente isoladas porque não falavam francês” e eram constantemente deslocadas, razão pela qual “não ficavam mais de uma semana na mesma cidade”, segundo Arrighi, especificando que elas “não tinham nenhum controle sobre seus horários”.

A rede tinha um ‘call center’ na Espanha que funcionava como intermediário entre clientes que ligavam da França” para números de anúncios online criados no país vizinho e as vítimas, informou a Polícia Nacional espanhola em nota.

Esses call centers estavam localizados em Madri e na região de Málaga, acrescentou a polícia, especificando que foram realizadas 25 buscas domiciliares no total. Nas três realizadas na Espanha, foram apreendidos 17.000 euros (17.700 dólares) e 33 celulares.

Segundo o jornal Le Parisien, a rede instalou detectores de presença e câmeras para gravar os clientes quando pagavam pelo serviço. Além disso, a comissária francesa explicou que as mulheres “tinham que prestar contas por mensagem após cada serviço”.

Para que as vítimas se dedicassem “totalmente” aos clientes, outros integrantes da rede cuidavam de sua alimentação, transporte e segurança, explicou Elvire Arrighi.

Os investigadores consideram que a rede arrecadou pelo menos cinco milhões de euros (5,3 milhões de dólares) por ano com a exploração sexual das vítimas, embora as estimativas possam subir até “20 a 30 milhões de euros” (20,8 a 31,3 milhões de dólares).

Os membros da rede e as mulheres dividiam igualmente o dinheiro dos serviços, que estas últimas usavam principalmente para reembolsar as despesas da viagem à Europa e depois enviavam remessas para suas famílias.

Para Elvire Arrighi, que coordenou a operação, as mulheres estavam “sob a influência” desta rede, “porque nunca conseguiriam aquele dinheiro, até 250 euros por dia (R$ 1.360)”, permanecendo em seus países de origem.

Os cobradores da rede na França se encarregavam de enviar o dinheiro em espécie para a Espanha, onde era lavado, antes de ser transferido para a Colômbia, onde os dois chefes da rede usufruíam dele.

“Este caso é histórico, um caso de manual, tanto pelo funcionamento e dimensão da rede como pela qualidade da cooperação internacional”, disse a comandante do OCRTEH.




Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Mundo.

Por: G1

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