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Pai diz que filho sequestrado pela mãe e devolvido após 45 dias foi ‘alienado’ contra ele e a avó

today8 de junho de 2024 7

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O garoto foi tomado à força das mãos da avó paterna, no momento em que era levado à escola, em Santos (SP), no dia 23 de abril. A mulher agarrou o filho e o colocou dentro de um carro — o motorista e outro homem que a ajudaram na fuga foram indiciados pelo crime. A criança foi apresentada pela avó materna no Fórum de Santos, na sexta-feira (7). A mãe segue foragida.

Segundo o assistente de transporte rodoviário Eduardo Cassiano, de 50 anos, o menino apresentou um comportamento diferente ao rever os familiares.

“A mãe trabalhou com a cabeça dele totalmente contra nós. A única coisa que ele falava era ‘quero ir com a mamãe’. Você percebe nitidamente que foi uma alienação da parte dela com a criança”, disse o pai.



Eduardo acrescentou ter corrido para rever o menino após a Vara da Família de Santos (SP) entrar em contato informando que a criança havia sido entregue. “Deu um certo alívio“, desabafou ele.

Menino sequestrado pela mãe em Santos (SP) foi devolvido ao pai e à avó paterna após 45 dias — Foto: Arquivo Pessoal

Segundo Eduardo, o menino precisará de atendimento psicológico. “Esse tempo que ele ficou lá com a mãe deu uma ‘balançada’ na cabeça. Totalmente alienado, inclusive com a minha mãe que cuidou dele por mais de 3 anos”. ressaltou.

Durante os procedimentos no Fórum, a Justiça manteve a guarda temporária do menino para o pai e para a avó paterna. “Se não fosse a repercussão, talvez eu nunca mais fosse vê-lo”, complementou Eduardo.

Por fim, o homem disse esperar que no futuro o filho possa ter um convívio saudável com a mãe dele. “Foi um alívio, um grande alívio. Nesse tempo todo estava sem saber o que estava acontecendo com ele”, relatou.

A delegada Deborah Lázaro, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Santos, ressaltou a importância das prisões das tias paternas para que a criança fosse localizada e devolvida ao pai.

“O marido de uma das [tias] presas manteve contato com a indiciada [mãe] e ela resolveu mandar a criança para cá. Ele foi importante para convencê-la da devolução”, disse.

A delegada Natalia Santos Batista Marcelino, também da DDM de Santos, afirmou também que o caso ainda não está resolvido. “A localização da criança é um avanço às investigações, mas ainda está pendente o cumprimento do mandado de prisão temporária expedido”, considerou.

“Acreditamos que ela não vá se entregar. A gente acredita que ela esteja se ocultando. […] Pretendemos relatar o inquérito policial e pedir a [conversão da] prisão temporária em preventiva caso ela não se apresente”, disse Natalia.

Mãe sumiu com o filho após ser filmada tirando-o das mãos da avó em Santos (SP) — Foto: Arquivo pessoal

A Delegada Deborah Lázaro, da DDM de Santos, afirmou à equipe de reportagem que as duas mulheres, de 44 e 49 anos, foram presas pelos crimes de sequestro e cárcere privado após as investigações apontarem que elas ajudaram a mãe.

“Incentivaram essa mãe a arrebatar esse filho. […] arrumaram até uma pessoa [motorista indiciado] que a conduziu até São Paulo. Uma série de coisas que levaram a crer que elas tiveram uma participação ativa”, afirmou a delegada.

Imagens mostram ação de mãe que sumiu com o filho após tirá-lo das mãos da avó

Imagens mostram ação de mãe que sumiu com o filho após tirá-lo das mãos da avó

De acordo com Deborah, o pai do menino, Eduardo Cassiano, de 50 anos, tem outras filhas e as irmãs acreditam que ele não seria um bom pai para essas meninas. “Isso causou uma certa revolta nas irmãs”, disse a delegada.

De acordo com o boletim de ocorrência, as mulheres não quiseram prestar depoimento na delegacia. A Polícia Civil, então, cumpriu os mandados de prisão temporária [30 dias] e, em seguida, levou as irmãs à Cadeia Feminina de São Vicente (SP).

Tias de menino levado à força pela mãe são presas no litoral de SP — Foto: Yasmin Braga/TV Tribuna

Os homens que auxiliaram a fuga da mulher foram identificados como Erivan Francisco da Silva, de 41 anos, e Maxwell Vegner Martins Nunes, de 38.

A delegada Natalia Santos Batista Marcelino, que presidiu o inquérito policial, avaliou que ambos tinham conhecimento de que ela subtrairia o filho “de maneira escusa [evasiva] e violenta”.

De acordo com as investigações, Maxwell foi o motorista contratado para levar a mulher até o filho e, logo depois, à cidade de destino escolhida por ela. Erivan, por sua vez, aparece no vídeo de camiseta azul. Segundo o pai da criança, Eduardo Cassiano, esse seria um ex-cunhado da mãe do menino.

Entenda o passo a passo de como a mulher sequestrou o filho:

➡️Às 7h47, Erivan passou em uma moto pela rua do prédio onde o menino morava com a avó paterna.

➡️Erivan encostou a moto ao lado do carro para conversar com a mulher e Maxwell. Eles gesticularam e apontaram para a direção do prédio onde o menino sairia.

➡️Em seguida, o ex-cunhado estacionou a moto e voltou a pé. Ele abriu a porta de trás do carro e continuou a conversa com a mulher e o motorista. Depois, Erivan se afastou e ficou andando nas proximidades do veículo.

➡️Às 8h, a avó saiu com o menino para levá-lo a escola, sendo surpreendida pela mãe dele. A mulher, vestida de vermelho, saiu do carro, pegou o filho pelo braço e ele chegou a cair. Ela o arrastou e, depois, levantou-o no colo, seguindo até o veículo. “A criança se jogava e gritava: ‘Vovó, vovó'”, disse o pai.

➡️Assim que a mulher saiu do carro, Maxwell fechou a porta do passageiro e abriu a de trás para que a mãe conseguisse entrar com o filho.

➡️Quando a mulher retornava ao carro, Erivan se aproximou. Ele ficou entre ela e a avó do menino, impedindo que a idosa se aproximasse do neto.

➡️Depois, o motorista levou a mãe e o filho para cidade de destino escolhida por ela. Enquanto isso, Erivan ficou no local conversando com as testemunhas e com a própria idosa.

➡️A mulher não foi mais vista com a criança e é investigada pela Polícia Civil. Maxwell e Erivan foram indiciados por ajudá-la a subtrair o menor.

Pai teme pelo bem-estar do filho após mãe tirá-lo à força das mãos da avó em Santos (SP) — Foto: Arquivo pessoal e Reprodução

O pai e a avó paterna estão com o menino há três anos. Eles obtiveram a guarda compartilhada provisória em 25 de janeiro após Eduardo entrar com a ação de regulamentação, com pedido de tutela antecipada, porque a mãe da criança havia ameaçado levar o filho para Aracaju (SE).

A mãe só tem autorização da Justiça para vê-lo com supervisão. Ela, inclusive, alega que resolveu tomar o filho à força após ser proibida de visitá-lo pelo pai e avó paterna do menino. Entretanto, Eduardo informou ao g1 que a mulher podia ver o filho quando quisesse.

Mãe disse que não iria devolver

“Eu ia passar só o dia com ele e ia devolver de noite […]. Eu não vou mais devolver [o menino], ele é meu filho. Só [vou devolver] se a Justiça vier e tomar”, afirmou a mãe da criança.

Ela se recusou a dizer à equipe de reportagem onde estava com o filho, mas afirmou que o menino estava bem. “Ele ficou um pouco assustado porque não tinha visto que era eu. Depois, ele ficou muito calmo e nem fala dele [pai]. Ele fala de mim e da avó [paterna]”, disse ela.

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Por: G1

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