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Papa critica inércia da Europa diante de migrações recorde em missa para 50 mil na França; vídeo

today23 de setembro de 2023 14

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As palavras do papa Francisco, ditas a jornalistas antes mesmo de seu avião decolar para uma viagem de um dia a Marselha, na França, já eram um prenúncio do duro discurso que o pontífice havia ensaiado contra líderes europeus.

Na visita, dedicada exclusivamente para tratar da nova crise migratória que a Europa enfrenta, Francisco denunciou a existência de “nacionalismos beligerantes” em governos do continente e criticou a inércia da União Europeia em acolher pessoas que fogem de guerras e da fome.

Tudo isso durante uma missa para 50 mil pessoas no estádio da cidade, da qual participaram o presidente francês, Emmanuel Macron, e a presidente do Banco Central europeu, Christine Lagarde.



No mês passado, a França anunciou, por meio de seu ministro do Interior, Gérald Darmanin, que “não acolherá” ninguém vindo de Lampedusa.

O papa não se referiu a nenhum país em específico, mas seu discurso criticou posturas adotas pela primeira-ministra da Itália, a ultraconservadora Giorgia Meloni, diante da atual crise migratória que seu país vive, uma das piores de sua história recente.

Só neste ano, 126 mil pessoas chegaram ao país europeu de forma ilegal por mar, quase o dobro de todo ano passado.

Parte desses vem lotando Lampedusa, uma pequena ilha italiana perto da costa da Tunísia. Ao longo desta semana, chegaram mais migrantes por lá (8 mil pessoas) que a própria população local (6 mil pessoas), que tem feito protestos contra acampamentos e bloqueado a entrada de ajuda humanitária em retaliação.

Moradoras de Lampedusa, ilha italiana que tem recebido milhares de migrantes, bloqueiam a passagem de um caminhão com ajuda humanitári — Foto: Reuters

Em seu discurso, o papa Francisco disse que pessoas que se dispõem a correr o risco de se afogarem no mar “devem ser resgatados” por “um dever de humanidade”. Falou ainda de “gestos de ódio” de governos que se negam a fazer esses resgates – caso da Itália.

A premiê italiana vem se negando a enviar patrulhas para resgatar pessoas que naufragam na costa de Lampedusa – esse trabalho vem sendo feito exclusivamente por ONGs.

Uma delas, a SOS Méditerranée, presenteou o papa na visita a Marselha, com um dos botes salva-vidas usados para salvar “centenas de bebês e crianças”, disse a organização em um comunicado.

Na missa, Francisco fez orações em vários idiomas, como espanhol, armênio e árabe.

“Quem arrisca sua vida no mar não invade, busca acolhida”, declarou o pontífice argentino. “O fenômeno migratório é um processo que envolve três continentes em torno do Mediterrâneo”.

De acordo com a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), cerca de 178.500 migrantes chegaram à Europa através do mar Mediterrâneo este ano. Outros 2.500 morreram ou desapareceram.

Desde 2014, mais de 28.000 pessoas morreram tentando chegar à Europa pelo Mediterrâneo, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Após o discurso, Emmanuel Macron conversou por cerca de meia hora com o papa, segundo o governo francês.

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“Lampedusa diz pare! Não queremos acampamentos. Esta mensagem é para a Europa e para o governo italiano. Os moradores de Lampedusa estão cansados”, disse um manifestante.

A visita do papa também foi acompanhada de polêmica na França. A oposição de esquerda criticou a presença de Macron e de sua mulher, Brigitte, na missa, ao considerar que o líder “atropelou” a neutralidade religiosa. Macron é o primeiro presidente, desde Valéry Giscard d’Estaing, em 1980, a assistir a uma missa papal.

“Considero que meu lugar é assistir. Não irei como católico, mas como presidente”, defendeu-se, na semana passada.




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Por: G1

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