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Política na arquibancada: como as torcidas do Marrocos usam os jogos de futebol para expressar suas insatisfações

today10 de dezembro de 2022 152

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Entre os cantos politizados das organizadas, se destacam os seguintes:

  • Uma canção da organizada do Raja Casablanca virou um hit nos estádios. O título é “No meu país eu sou injustiçado”. A letra ataca os corruptos por acabarem com as oportunidades econômicas dos jovens no Marrocos.
  • Uma organizada do Wydad, um outro time de Casablanca, tem uma música chamada “Livre e rebelde”; a letra fala do desemprego entre os jovens e de corrupção.
  • Os torcedores do Kenitra tem um grito contra a polícia e contra o governo: “De suas injustiças estamos fartos, nós odiamos todos vocês”, eles cantam.

Torcedores marroquinos em Casablanca, em 6 de dezembro de 2022 — Foto: Abdelhak Balhaki/Reuters



Os adversários do time do rei

As maiores organizadas são a dos times Raja Casablanca e Wydad. Os dois são de Casablanca, e os dois têm como rival um outro time, o ASFAR, o “time do rei”. Foi um clube criado pelo rei Hassan II. O nome completo é Clube Associação Esportiva das Forças Armadas Reais. Para os rivais, é um time que recebeu favores e contratos do Estado, especialmente nos anos 1960, 1970 e 1980.

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Nos estádios também há muita iconografia da família real.

Por isso, faz sentido que as torcidas adversárias do time do rei se voltem contra a monarquia, por exemplo.

A história das organizadas no país

No Marrocos, as primeiras organizadas surgiram por volta de 2005, e rapidamente surgiram grupos desse tipo para todos os grandes times marroquinos.

Em 2011 houve ondas de protestos em diversos países de língua árabe, inclusive no Marrocos. Foi a chamada Primavera Árabe.

Inicialmente, a elite política marroquina sinalizou que iria conceder algum tipo de abertura, mas depois foram baixadas medidas repressivas para controlar o ativismo na internet e as manifestações de rua.

Os estádios, no entanto, ainda são um espaço de liberdade de expressão. Além das músicas, as torcidas têm um histórico de campanhas no país:

  • Em 2018, houve um incidente no país: Hayat Belkacem, uma estudante de 19 anos morreu ao tentar atravessar a fronteira para um enclave espanhol no território marroquino. A torcida do Moghreb Tetouan começou a cantar que iria se vingar da morte de Hayat, vaiou o hino do país e criticou os policiais nos estádios;
  • Organizadas de vários times passaram a cantar a música composta pelos torcedores do Tetouan depois desse incidente com Hayat;
  • Depois de crimes de violência sexual em estádios em 2018, a torcida do Raja Casablanca fez campanhas para tornar os estádios mais seguros para as mulheres.

Na mídia estatal, as organizadas são estigmatizadas como violentas. Nos estádios, a polícia já reagiu de forma agressiva. No entanto, o governo marroquino tem dificuldade de interferir na politização das torcidas.

Em 2016, houve uma tentativa de proibir as organizadas depois de uma briga em que três pessoas foram mortas.

A tentativa de proibição desatou uma união entre as torcidas, que fizeram campanhas e manifestações em conjunto.

Em 2018, o governo desistiu da proibição.




Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Mundo.

Por: G1

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