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Quais são as novas armas testadas pela Coreia do Norte?

today27 de março de 2023 11

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Pyongyang afirma que suas forças nucleares são capazes de destruir seus rivais e, com frequência, realiza testes de armas provocativos, cujos resultados são divulgados com detalhes.

Especialistas estrangeiros questionam o real poderio bélico nuclear do país. Apesar da superioridade militar da aliança formada por seus rivais Estados Unidos e Coreia do Sul, os novos sistemas testados por Pyongyang podem causar danos reais em caso de uma guerra.

Não há dúvidas de que a Coreia do Norte possui bombas nucleares e mísseis com capacidade para alcançar o continente nos Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão. O que não está claro é se o país já dominou a complicada engenharia necessária para juntar as bombas e os mísseis.



Confira os novos sistemas bélicos testados por Pyongyang nos últimos anos:

Mísseis balísticos de curto alcance

Desde 2019, após o fracasso do diálogo com Washington, a Coreia do Norte começou a testar esses novos sistemas para renovar seu arsenal tático e dotá-lo com capacidade nuclear. Em termos operativos, essa é a ameaça mais real atualmente devido à proximidade do território sul-coreano e de bases americanas presentes na região.

Pyongyang intensificou testes de armas nos últimos cinco anos — Foto: KCNA via Reuters

O KN-25 é um lançador de mísseis múltiplos de grande calibre. O KN-23 e KN-24 são mísseis de curto alcance que operam com combustível sólido e podem traçar trajetórias não completamente balísticas, o que torna difícil sua interceptação. Esses sistemas são chamados de armas nucleares “táticas”.

Aparentemente inspirado no russo Iskander, o KN-23 parece ser o sistema preferido do regime devido à quantidade de testes realizadas e as variações de desenho do projétil ou de suas plataformas de lançamento. Esse tipo de míssil é projetado para ser manobrável e voar baixo, teoricamente oferecendo uma melhor chance de burlar os sistemas de defesa antimísseis sul-coreanos e americanos.

Segundo a agência estatal de notícias norte-coreana KCNA, esses sistemas de artilharia novos podem transportar ogivas nucleares, e apenas quatro mísseis seriam suficientes para acabar com uma base aérea. A capacidade nuclear desses sistemas não foi confirmada de forma independente.

Embora o país consiga colocar ogivas nucleares simples em alguns de seus mísseis antigos, como o Scuds e Rodong, provavelmente mais avanços tecnológicos e mais testes nucleares para a construção de ogivas menores e mais desenvolvidas seriam necessários para seu uso nos novos sistemas táticos, avaliam especialistas.

Mencionado pela primeira vez no oitavo congresso do único partido da Coreia do Norte, em janeiro de 2021, o míssil hipersônico começou a ser testado em diferentes variações naquele mesmo ano.

Em parada militar em fevereiro, país destacou ICBMs — Foto: KCNA via Reuters

Posteriormente, o regime apresentou um sistema com suposta capacidade operacional ou quase operacional, o Hwasong-8 – míssil de alcance intermediário, que pode chegar a até 3.000 quilômetros, ou seja, que pode atingir bases americanas no Japão e Guam.

O Hwasong-8 pode ainda, teoricamente, escapar de escudos antimísseis.

Mísseis de cruzeiro de longo alcance

Desde setembro de 2021, Pyongyang testou em várias ocasiões diferentes variações de projéteis de longo alcance de alta precisão por controle remoto. Neste ano, o país revelou o nome de dois modelos testados: Hwasal-1 e Hwasal-2, que teriam capacidade para voar 1.500 e 2.000 quilômetros.

Seul e Washington têm, aparentemente, dificuldades em detectar esses lançamentos, pois, apesar de esses modelos atingirem apenas velocidades subsônicas, eles podem voar por mais de duas horas em padrões irregulares e muito perto do solo.

Em meados de março, Pyongyang anunciou que conseguiu lançar pela primeira vez a partir de um submarino dois mísseis estratégicos de longo alcance, cujas características de voo parecem corresponder ao Hwasal-1.

Míssil balístico de alcance intercontinental (ICBM)

Depois de uma primeira e aparentemente fracassada tentativa em março de 2022, o regime norte-coreano conseguiu lançar com sucesso em duas ocasiões um míssil balístico de alcance intercontinental (ICBM).

Com capacidade de percorrer mais de 15 mil quilômetros – teoricamente podendo atingir qualquer região do planeta, exceto a América do Sul –, o míssil só foi lançado em ângulos altos, para evitar que ele sobrevoasse outros países. Apenas um lançamento com trajetórias operacionais permitiria saber se o projétil é capaz de suportar as duras condições de reentrada na atmosfera da Terra.

De qualquer forma, o Hwasong-17 é o sistema ideal para o regime desenvolver uma ogiva nuclear múltipla – um recurso que em condições operacionais poderia colocar em prova os escudos antimísseis dos EUA.

Além do Hwasong-17, a Coreia do Norte possui outros dois ICBMs: Hwasong-14 e Hwasong-15. Todos os três são movidos com combustível líquido e teriam capacidade nuclear.

Há dúvidas se o país já possui tecnologia para proteger as ogivas de altas temperaturas e do ambiente de alto estresse durante a reentrada do míssil na atmosfera terrestre.

Em uma parada militar no início do ano, a Coreia do Norte exibiu cerca de uma dezena de mísseis balísticos de alcance intercontinental, um número inédito que indicaria um progresso em seus esforços na produção em massa de armas poderosas.

Filha de Kim passou a aparecer ao lado do pai em testes militares — Foto: KCNA/REUTERS

O mais recente anúncio de um suposto avanço bélico seria o drone submarino não tripulado capaz de desencadear um “tsunami radioativo” que destruiria frotas de ataque naval e portos. “Este aparelho submarino de ataque nuclear pode ser colocado em qualquer costa e porto ou rebocado por um navio de superfície”, noticiou a KCNA.

O drone submarino testado é semelhante ao sistema russo conhecido como Poseidon, que ao explodir provoca ondas gigantes de poluição. Além de destruir frotas e infraestrutura, esse tipo de armamento tem capacidade de causar danos ambientais terríveis às regiões costeiras, que permaneceriam contaminadas por décadas, tanto na parte terrestre quanto nas águas circundantes.

País testou diversos tipos de sistemas de mísseis nos últimos cinco anos — Foto: KCNA/REUTERS

De acordo com a KCNA, o drone submarino começou a ser desenvolvido em 2012 e já foi submetido a 50 tipos de testes nos últimos dois anos, sendo 29 na presença do líder norte-coreano, Kim Jong-un.

Analistas também duvidam das alegações, devido à alta complexidade que tal sistema exige. A Rússia afirma ter drones submarinos em condições operacionais há meses, embora haja enorme sigilo em torno do projeto. Sabe-se, porém, que o sistema russo requer propulsão nuclear – uma capacidade que Pyongyang não possui.

Estima-se que a Coreia do Norte possua dezenas de ogivas nucleares. Estimativas sobre o número delas variam de entre 20 e 60 a até 115.

A principal questão é se elas são compactas o suficiente para caber num míssil. Especialistas divergem sobre essa capacidade. Alguns argumentam que, devido ao número de anos que o país investiu no programa nuclear, provavelmente já alcançou essa tecnologia. Outros dizem que Pyongyang está longe de construir tais ogivas.

Até agora, o país já realizou seis testes nucleares subterrâneos para fabricar ogivas que possam ser usadas em seus projéteis. No último realizado em 2017, Pyongyang disse se tratar da detonação de uma bomba termonuclear construída para ICBMs. A explosão criou um tremor de magnitude 6,3, e estudos estimam o teor explosivo em cerca de 50 a 140 quilotons de TNT.

Em comparação: as duas bombas atômicas jogadas em Hiroshima e Nagasaki, durante a Segunda Guerra Mundial, que mataram 210 mil pessoas, tinham teores explosivos de 15 e 20 quilotons de TNT, respectivamente.

Seul estima que a Coreia do Norte tenha 70 quilos de plutônio para armas nucleares, além de uma quantidade considerável de urânio enriquecido.

O complexo norte-coreano de Yongbyon tem instalações tanto para produzir plutônio quanto urânio altamente enriquecido, os dois principais ingredientes de armas nucleares. Acredita-se ainda que Pyongyang possua ao menos mais um local secreto para o enriquecimento de urânio.




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Por: G1

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