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Quem é o candidato que desafia Putin e se opõe à guerra na Ucrânia

today31 de janeiro de 2024 10

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Ele promete pôr fim à Guerra da Ucrânia, libertar presos políticos e reverter a legislação anti-LGBTQIA+ em vigor no país.

Indicado pelo partido de centro-direita Iniciativa Cívica, nas últimas semanas, Nadezhdin viu o apoio popular expresso em longas filas formadas para fornecer assinaturas em prol de sua candidatura. Nesta quarta-feira,(31) ele apresentou o registro de 105 mil assinaturas exigidas pelo Conselho Eleitoral Central, embora assegure que tenha obtido o dobro.

Questionado pelo “Moscow Times” sobre a sua mensagem ao Ocidente, Nadezhdin respondeu com expressões que o país dirigido por Putin desconhece: “A Rússia deve ser livre e pacífica.”



O que vem a seguir segue um roteiro já definido. A exemplo de outras tentativas, é pouco provável que a candidatura seja aprovada pelo Conselho Eleitoral. A jornalista Yekatarina Duntsova foi excluída recentemente da disputa sob a alegação de “erros numerosos” na documentação apresentada.

O órgão eleitoral tem dez dias para examinar a candidatura de Nadezhdin e formalizá-la. Além de Putin, outros três candidatos já estão aprovados:

  • Vladislav Davankok, do Partido Novo;
  • o nacionalista Leonid Slutsky, do Partido Liberal Democrata;
  • o comunista Nikolai Kharitonov.

Apenas Nadezhdin faz campanha contra a guerra que Putin empreende há quase dois anos na Ucrânia. Ele promete o retorno imediato dos soldados do país vizinho e, com isso, mobiliza jovens eleitores.

Seu desafio ao presidente russo unificou a oposição e atraiu também nomes proeminentes da oposição, entre os quais ex-campeão de pôquer Maxim Katz e o oligarca Mikhail Khodorkovsky, além da Fundação Anticorrupção, do opositor Alexei Navalny, confinado numa prisão na Sibéria.

Como político veterano, Nadezhdin circulou durante muito tempo na esfera do Kremlin: na década de 1990, atuou como conselheiro do então vice-primeiro-ministro Boris Nemtsov, que se tornou crítico do regime e foi assassinado em 2015 com quatro tiros nas costas.

Serviu também como assistente do ex-premiê Sergey Kiriyenko, atualmente vice-chefe de gabinete de Putin.

Essas credenciais levaram desconfiança à candidatura. Há quem o veja como um emissário do Kremlin, que serviria apenas para dar um verniz democrático às eleições, sem prejudicar a vitória de Putin.

O jornalista Andrey Pertsev, do site investigativo Meduza, diz que o histórico de Nadezhdin mostra que ele teria sido uma boa escolha para esse papel, mas o candidato tem trilhado um caminho diferente.

Seu manifesto eleitoral afirma que Putin arrasta a Rússia de volta ao passado, que cometeu um erro fatal quando foi à Guerra da Ucrânia e que o país corre em direção ao feudalismo medieval e ao obscurantismo. O Kremlin nunca concordaria que alguém dissesse essas coisas”, ponderou o jornalista num artigo para o Carnegie Endowment International Peace.

No seu entender, o mais importante nesse processo é que Nadezhdin tornou-se um ímã para os russos que se opõem à guerra e querem uma mudança de regime. É muito provável que sua candidatura não vingue, que ele seja impedido de concorrer e que Putin triunfe em março. Mas Nadezhdin será a prova de que existe oposição ao presidente.

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Por: G1

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