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Romualdo Arppi Filho apitou a partida que aterrorizou Pelé e o fez pensar em desistir da carreira

today5 de março de 2023 12

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O ex-árbitro de futebol Romualdo Arppi Filho, que morreu aos 84 anos no sábado (4), em Santos, no litoral de São Paulo, foi o responsável pela arbitragem da partida que aterrorizou Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé, no começo da carreira, em 1956, quando perdeu um pênalti na final do Campeonato Juvenil.

Na época, o Rei do Futebol, estava a seis dias de completar 16 anos. Ele ficou desolado, aos prantos e disposto a deixar a cidade e retornar para Bauru, no interior de São Paulo, para ficar com a família.

No livro ‘Histórias da Vila Belmiro – 100 anos de magia do estádio santista’, lançado em 2017, pelos jornalistas Ted Sartori e Almir Rizzatto, há uma entrevista com Arppi Filho. Ele contou que ainda não era árbitro na época, mas que foi escalado para a partida por causa de uma greve.



“Era sócio da Portuguesa Santista e apitava alguns jogos da várzea. Só que houve uma greve de árbitros da Liga de Futebol Amador de Santos, que promovia o torneio, e foram me buscar em casa, sabendo que eu apitava. Expliquei que não tinha roupa nem apito”, disse ele.

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O ex-árbitro afirmou que arranjaram tudo e ele foi arbitrar o jogo. Na decisão entre o Santos e Jabaquara, na Vila Belmiro, com arbitragem de Arppi Filho, o Peixe perdeu o título ao ser derrotado por 1 a 0. Pelé teve a chance de empatar, de pênalti, no entanto, chutou por cima do travessão.

Três décadas depois viveu o auge na profissão como árbitro da final da Copa do Mundo de 1986 entre Argentina e Alemanha, quando o time de Diego Maradona levantou a taça.

Morreu aos 84 anos o ex-árbitro de futebol Romualdo Arppi Filho, em Santos. — Foto: Reprodução Tv Tribuna

Em uma entrevista ao Jornal A Tribuna, em fevereiro de 2014, Arppi Filho disse que sentiu-se tomado pelo sentimento de surpresa ao saber que apitaria a vitória da Argentina por 3 a 2 sobre a Alemanha, no Estádio Azteca, na Cidade do México, em 29 de junho de 1986.

“Mesmo tendo ido bem pelas notas nos jogos que comandei (França 1 x 1 União Soviética e México 2 x 0 Bulgária), constatado nos encontros após as partidas, para mim foi uma surpresa. E saiu tudo bem, graças a Deus. Foi uma partida tranquila”, disse o ex-árbitro.

Para ele, apesar da Alemanha ter empatado em 2 a 2, depois de estar perdendo por 2 a 0, não houve tensão, pois logo a Argentina marcou o terceiro gol. Arppi Filho relembrou que a presença de Maradona não o intimidou, já que o craque argentino ganhou um cartão amarelo dele antes da metade do primeiro tempo.

“Não houve problema algum. Já o conheci e dei o cartão a ele. Quando o alemão foi bater uma falta, o Maradona saiu da barreira e correu para frente da bola”, recordou durante a entrevista.

No auge de sua carreira, o ex-árbitro apitou a final da Copa do Mundo de 1986, no México, onde a Argentina conquistou o bicampeonato mundial ao vencer a Alemanha por 3 a 2. Na ocasião, os gols dos hermanos foram marcados por Brown, Burruchaga e Valdano.

Arppi Filho nasceu em Santos no dia 7 de Janeiro de 1939. Na Copa de 1986, ele se tornou o segundo árbitro brasileiro a apitar uma partida final de Copa, antecedido por Arnaldo Cézar Coelho. No torneio, também apitou França 1 x 1 URSS e México 2 x 0 Bulgária.

Árbitro de futebol santista que apitou a final da Copa do Mundo do México de 1986 entre Argentina x Alemanha, com a bola da final nas mãos — Foto: Arquivo A Tribuna

O ex-árbitro iniciou a carreira aos 14 anos e, profissionalmente, aos 20. Chegou a apitar as decisões do Campeonato Brasileiro de 1984 e 1985, uma final do Mundial Interclubes em 1984 e participou de três olimpíadas: Cidade do México (1968), Moscou (1980) e Los Angeles (1984).

Nos últimos anos, Arppi Filho passou a viver em São Vicente, também no litoral de São Paulo, onde atuava como corretor de imóveis. Foi pai de três filhos e avô de três netos e, até hoje, é considerado por colegas e ex-jogadores um dos melhores árbitros da história do futebol brasileiro.

Romualdo Arppi Filho, ex-árbitro de futebol santista — Foto: Arquivo A Tribuna

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Por: G1

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