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Sem ‘sargenta’, ‘soldade’ e ‘caba’: Governo Milei proíbe linguagem inclusiva nas Forças Armadas argentinas

today27 de fevereiro de 2024 6

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“Proíbe-se a utilização da chamada ‘linguagem inclusiva’ no âmbito do Ministério da Defesa, das Forças Armadas e dos órgãos descentralizados do ministério”, diz o texto firmado na sexta-feira pelo ministro Luis Petri e publicado hoje no site da Presidência.

Assim, não serão permitidas fórmulas como “sargenta” e “caba”. Também estão proibidas desde a sexta-feira estruturas para se referir a identidades não binárias, como “soldadxs” ou “soldades”.

“Deverá ser utilizado o idioma castelhano [espanhol], conforme a normativa e regulamentação que rege cada área respectiva, sob os termos e regras estabelecidas pela Real Academia Espanhola (RAE) e os regulamentos e manuais vigentes nas Forças Armadas”, diz a resolução.



“Qualquer desvio ou desnaturalização do castelhano que não esteja padronizado ou respaldado por um marco legal correspondente, pode induzir a interpretar equivocadamente o que se deseja dispor ou ordenar, afetando sua execução”, detalha o texto.

A linguagem inclusiva não era objeto de uma norma explícita, mas, em um documento de 2020 do governo anterior, o então ministro Agustín Rossi assegurava que sua pasta continuaria “acompanhando as mudanças culturais nas relações de gênero que foram forjadas através de anos de compromisso das mulheres”.

Na publicação do Ministério da Defesa, intitulada “Mulheres Argentinas”, Rossi escreveu que esperava que “a perspectiva de gênero [fosse] transversal a toda a instituição”, embora o texto apelasse para que isso não fosse o resultado de uma “imposição”, uma vez que as mulheres, “em termos gerais, não concordam com a feminização das denominações”.

Sendo a prática discricionária, um major-general ganhou as manchetes em 2022 quando se dirigiu a “soldados e soldadas”.

Milei, que se autointitula um “libertário anarcocapitalista”, nunca escondeu sua oposição à linguagem inclusiva e ao que ele chama de “ideologia de gênero”.

De acordo com o presidente, isso faz parte da “doutrinação” do “marxismo cultural”, um suposto movimento para reverter a ordem social no Ocidente.

O que é linguagem neutra e como ela é usada?

Linguagem neutra é o nome dado à comunicação oral ou escrita que aplica um gênero neutro em vez do feminino ou masculino. Oralmente, isso é feito, geralmente, substituindo os artigos masculino e feminino por um artigo neutro, que pode ser “e” ou “u”, a depender da palavra.

Dessa forma, ele ou ela pode virar “elu”, amigo ou amiga pode virar “amigue”, todos ou todas pode ser “todes”, e assim por diante.

Na forma escrita, também é comum o uso de outras letras ou de elementos gráficos para neutralizar palavras femininas ou masculinas, como “todxs”, “amig@”, por exemplo.

Esse tipo de comunicação é adotado a fim de incluir membros da comunidade LGBTQIA+, como pessoas trans, não-binárias ou intersexo, que não se identificam como homem ou mulher, para que se sintam representados na sociedade.

Muito popular na internet e entre a população LGBTQIA+, o gênero neutro ainda não tem um modelo definido.

Migues, vamos entender o que é gênero neutro

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A linguagem neutra é correta ou oficial?

De acordo com a norma padrão da língua portuguesa, o papel de pronome neutro no plural é feito pelo artigo masculino. Por exemplo, se um grupo de pessoas é composto por homens e mulheres, mesmo que majoritariamente feminino, pode-se referir às pessoas do grupo como “eles” ou “todos”.

Por isso, vestibulares ou concursos públicos que exigem a usa da norma culta da língua não permitem o uso do gênero neutro.

Mas, apesar de não ser padrão ou oficial, não significa que a aplicação da linguagem neutra seja errada (a menos que expressamente especificada). Ou até que ela não vai ser oficializada em algum momento.

Em entrevista ao g1 em 2022, Jonathan Moura, que é professor de língua portuguesa na Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), declarou que não é impossível que a linguagem passe a integrar o idioma futuramente, mas alertou que isso depende da adesão pública.

“Uma linguagem precisa ser praticada para se manter viva, ou, neste caso, viver. Só assim ela passa a fazer parte do cotidiano das pessoas”, afirma Jonathan Moura, professor de língua portuguesa.




Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Mundo.

Por: G1

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