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Suspeito de matar irmãs brasileiras no Japão é julgado quase 10 anos após crime; MP japonês pede prisão perpétua

today23 de fevereiro de 2024 2

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As irmãs nasceram em Campo Grande (MS) e atravessaram um continente em busca de trabalho e melhores condições para os filhos e a família. Michelle e Akemy estavam morando há nove anos em Handa, na província de Aichi, região central do Japão, quando foram assassinadas.

Nesta reportagem, você vai ver:

1. Incêndio em apartamento



Michelle Maruyama, 29 anos, e Akemy Maruyama, 27, foram encontradas mortas no dia 30 de dezembro de 2015, no apartamento onde moravam na província de Aichi, região central do Japão.

Os corpos foram carbonizados em um incêndio que destruiu o apartamento delas. No entanto, exames feitos pelos médicos legistas revelaram que as irmãs não morreram vítimas do fogo, nem da fumaça, mas sim, teriam sido estranguladas um dia antes do incêndio acontecer.

Dentro do apartamento foi encontrado um galão de gasolina, que levantou a hipótese de o fogo ter sido criminoso.

No mesmo dia, o peruano Edgard Anthony la Rosa, ex-marido de Akemy, foi preso a 40 km de Handa, em Nagoya. Ele estava com as duas filhas que teve com a brasileira, que foram levadas para um abrigo.

Apartamento onde irmãs moravam em Japão pegou fogo. — Foto: Reprodução/Globo

2. Às vésperas de sentença, mãe volta ao Japão

Nove anos depois, Maria Aparecida precisou voltar ao Japão para prestar depoimento no julgamento do homem acusado de matar suas duas filhas. Ela explica que o julgamento no país asiático funciona de uma maneira diferente, apesar de as audiências já terem acabado, o resultado só vai ser divulgado no dia 27 de fevereiro.

“Fiquei lá apenas 6 dias e foi muito desgastante para o meu emocional. Ter que dar o depoimento e ficar no mesmo espaço que o assassino das minhas filhas, e responder às perguntas incongruentes dos advogados, me encheu de asco”, lamentou Maria.

Julgamento ocorreu no Tribunal Distrital de Nagoya, onde o peruano foi preso. — Foto: Reprodução/CBC News

A imprensa japonesa noticiou o julgamento de Edgard, que foi realizado no Tribunal Distrital de Nagoya. Conforme os veículos de imprensa do Japão, o Ministério Público do país pediu a prisão perpétua do suspeito, justificando a pena pela gravidade do caso.

Já o suspeito declarou inocência, disse que não se lembra do que aconteceu e atribuiu o duplo homicídio à outra pessoa. Maria Aparecida, que estava durante o júri popular, confirmou que a promotoria pediu a prisão perpétua do peruano.

“Só que, mesmo em relação a toda essa questão contra ele, todos os fatos levando até ele, até o dia 27, eu estou assim, em cólicas, para não se dizer outra palavra. Eu sou uma pessoa muito temente a Deus, então, se não fosse Deus me sustentando todos esses momentos, não sei o que estaria acontecendo comigo. Tanto é que desde que minhas filhas morreram eu faço tratamento psiquiátrico”, completou a mãe das vítimas.

Em 2016, o Fantástico acompanhou Maria Aparecida até o Japão. Veja a reportagem abaixo:

Brasileira luta por netas após morte de filhas no Japão

Brasileira luta por netas após morte de filhas no Japão

O peruano Edgard Anthony la Rosa, que manteve um relacionamento com Akemy por seis anos, foi acusado pelos crimes. Eles tinham se separado três meses antes.

De acordo com a mãe das vítimas, o homem nunca aceitou o fim do casamento e chegou a agredir Akemy semanas antes dela ser encontrada morta junto com a irmã.

Maria Aparecida também lembrou que o peruano tinha comportamento agressivo. Em 2014, Akemy perdeu a guarda da filha mais velha, então com 9 anos, depois de apanhar do padrasto, Edgard. A criança foi levada para um abrigo até ser trazida de volta para o Brasil pela avó, onde mora com o pai biológico.

No mesmo dia que o apartamento pegou fogo, Edgard foi preso na cidade de Nagoya, que fica cerca de 40 km da cidade onde as duas moravam. Ele estava dirigindo o carro de Akemy sem carteira de motorista e levava as duas filhas, que tinham 5 e 3 anos.

Edgar Anthony e Akemy Maruyama — Foto: Arquivo

4. Onde estão as crianças?

Após o crime, em dezembro de 2015, as crianças ficaram protegidas pelo governo japonês, em um abrigo da cidade de Handa.

Tanto a mãe das vítimas, quanto a família do suspeito pediram a guarda das meninas. Apenas em 2018, após anos de espera, a avó materna conseguiu o direito de criar as netas, por meio da justiça brasileira.

No tempo que ficaram no abrigo as irmãs tiveram aulas de português e quando tinham 6 e 8 anos, chegaram ao Brasil, com a ajuda do Consulado Brasileiro no Japão. Atualmente, as duas têm 12 e 14 anos.




Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Mundo.

Por: G1

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