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Ucrânia e Rússia se acusam de preparar ataque à maior usina nuclear da Europa

today7 de julho de 2023 8

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A usina nuclear de Zaporizhzhia tem sido foco de preocupação desde que as forças de Moscou assumiram o controle do local, em março do ano passado, no início da guerra.

Citando os últimos relatórios de inteligência de seu governo, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, alegou que as tropas russas colocaram “objetos semelhantes a explosivos” no topo de várias unidades de energia para “simular” um ataque como parte de uma operação de bandeira falsa.

Zelensky acusou ainda Moscou de tentar causar um vazamento deliberado em uma tentativa de inviabilizar a contra-ofensiva da Ucrânia que está em andamento na região.



Os “objetos estranhos” foram colocados no telhado da terceira e quarta unidades de energia da usina, de acordo com um comunicado do Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia. “Sua detonação não deve danificar as unidades de energia, mas pode criar uma imagem de bombardeio da Ucrânia”, disse o comunicado.

Vigilantes da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que vistoriam constantemente o local, afirmaram nesta quarta-feira não terem visto sinais dos explosivos, mas disseram que ainda precisam de uma análise mais profunda em todas as unidades da central.

No ano passado, o órgão de vigilância atômica da Organização das Nações Unidas (ONU) já expressou preocupação sobre a possibilidade de uma catástrofe de radiação como a de Chernobyl.

O diretor-geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi, disse que a inspeção mais recente de sua agência na usina não encontrou atividades de mineração, “mas continuamos extremamente alertas”.

“Como vocês sabem, há muito combate, estive lá há algumas semanas e há conflitos muito próximos à fábrica, então não podemos relaxar”, disse Grossi.

Na Rússia, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, levantou a possibilidade de que Kiev está planejando um ataque na usina.

“A situação está bastante tensa. Há uma grande ameaça de sabotagem por parte do regime de Kiev, que pode ser catastrófico em suas consequências”, disse Peskov em resposta à pergunta de um repórter sobre a usina. Ele também afirmou que o Kremlin estava adotando “todas as medidas” para combater a suposta ameaça ucraniana.

Grossi disse estar ciente das reivindicações de Kiev e Moscou e reiterou que “as usinas nucleares nunca devem, sob nenhuma circunstância, ser atacadas”.

“Uma usina nuclear não deve ser usada como base militar”, disse ele.

A central ainda precisa de energia e pessoal qualificado para operar sistemas de resfriamento cruciais e outros recursos de segurança.

Os comentários de Peskov vieram depois que Renat Karchaa, consultor da empresa nuclear estatal russa Rosenergoatom, disse que “não havia base” para as alegações de Zelensky de um complô para simular uma explosão.

“Por que precisaríamos de explosivos lá? Isso é um absurdo, (destinado a) manter a tensão em torno da Usina Nuclear de Zaporizhzhia”, disse Karchaa.

A mídia russa citou na terça-feira Karchaa dizendo que os militares da Ucrânia planejavam atacar a usina na quarta-feira com munição misturada com lixo nuclear. Até a tarde desta quarta-feira, não havia indícios de tal ataque.

Relatório da ONU sobre Zaporizhzhia aponta ameaça à segurança nuclear

Relatório da ONU sobre Zaporizhzhia aponta ameaça à segurança nuclear

Na semana passada, equipes de emergência ucranianas realizaram um exercício para se preparar para uma possível liberação de radiação da usina. Segundo os serviços de emergência do país, em caso de desastre nuclear na usina, cerca de 300 mil pessoas seriam evacuadas das áreas mais próximas à instalação.

Autoridades ucranianas disseram que os reatores desligados são protegidos por grossas cúpulas de contenção de concreto.

O Instituto Internacional de Estudos Estratégicos disse na semana passada que “um ataque russo a Zaporizhzhia provavelmente não levaria à dispersão generalizada de quantidades significativas de radiação” devido a medidas de precaução tomadas pela Agência Internacional de Energia Atômica.

No entanto, o think tank observou em uma avaliação que o vento pode soprar alguma quantidade de radiação em direção à Rússia.




Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Mundo.

Por: G1

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