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‘Vivemos a 8 mil km de distância, mas casamos após encontro virtual’

today16 de junho de 2023 12

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“Entrei em um mundo aleatório — qualquer um poderia estar lá, e ela estava”, conta Ryan, de Wolverhampton, na Inglaterra, sobre como conheceu sua então futura esposa, Sam, da Califórnia, nos EUA.

Os dois se deram bem de cara e não deixaram o oceano entre eles atrapalhar.

“Um de nós ficava acordado a noite toda só para conversar com o outro.”



O casal aparece no novo programa da BBC, “Unreal!”, apresentado pela estrela do TikTok Olivia Neill, no qual ela se joga em diferentes mundos de realidade virtual — do speed dating ao pole dancing — para ver se realmente podemos encontrar o amor no mundo digital.

Depois de um ano, Sam e Ryan — na foto com Olivia Neill, à direita — decidiram migrar seu relacionamento para o mundo real — Foto: The Connected Set/Via BBC

‘Eu conseguia ser mais eu’

Para conhecer pessoas em um mundo de realidade virtual, você só precisa de uma conexão de internet e um fone de ouvido.

A partir daí, você pode entrar em plataformas online, incluindo aquelas criadas para conhecer gente nova.

Você pode alterar seu avatar e localização da forma que achar melhor. No primeiro encontro do casal, Ryan tinha a aparência de uma raposa semi-humana, enquanto Sam optou por um avatar de cabelo preto “mais emo”.

Embora você não consiga ver a aparência real de alguém na realidade virtual, você pode ouvir sua voz e, com o equipamento adequado, até sentir seu toque.

Isso permitiu que o casal se conhecesse, sem se sentir inibido, eles dizem.

“Eu conseguia ser mais eu, sem me preocupar com minha aparência”, observa Sam.

“É muito baseado na personalidade. É mais sobre como você se sente e age um com o outro”, acrescenta Ryan.

Embora a realidade virtual tenha ajudado o casal a se conectar, a realidade da distância física entre os dois logo se estabeleceu.

“Eu ficava acordado até as 4h ou 5h só para falar com ela — depois dormia durante o dia, e levantava para trabalhar à tarde”, conta Ryan, de 25 anos.

Depois de um ano, o casal decidiu migrar o relacionamento para o mundo real, e Ryan voou 8.000 quilômetros para encontrar Sam, de 23 anos, nos Estados Unidos.

“Foi a primeira vez que voei sozinho. Foi assustador, foi divertido, foi emocionante encontrá-la pela primeira vez”, diz Ryan.

Apesar de ambos estarem nervosos, os dois se deram bem e começaram a compartilhar seu relacionamento de realidade virtual no TikTok.

Ryan pediu Sam em casamento em dezembro de 2022, e eles se casaram em fevereiro de 2023 em um cartório na Califórnia.

“Tem sido desafiador passar da realidade virtual para o casamento. É uma experiência muito surreal”, acrescenta Ryan.

Embora a realidade virtual possa ajudar a criar uma conexão, traduzir isso para o mundo real pode ser complicado.

Apesar de terem se casado em fevereiro, Sam ainda está aguardando o visto para ir morar com o marido no Reino Unido.

Viver separados depois de terem se casado tem sido difícil, segundo ela.

“Não queria que isso acontecesse. Estou só esperando — e só quero estar lá com ele.”

‘Presas no espaço virtual’

Embora as pessoas possam se sentir confortáveis ​​na realidade virtual, a coach de relacionamento Grace Lee observa: “A questão é: como a confiança que construímos nesse ambiente se traduz na vida real?”

Ela afirma que a realidade virtual, assim como os aplicativos de relacionamento, pode impedir as pessoas de se esforçarem no mundo real.

“Muitas pessoas ficam presas neste espaço virtual sem nunca se encontrarem pessoalmente.”

Ainda assim, Grace diz que a realidade virtual é um “divisor de águas” no universo dos coaches de relacionamento. A especialista promove encontros em ambientes de realidade virtual especialmente projetados, como um bar num terraço ou uma fogueira num acampamento, e assim como em um encontro real, você pode controlar a música e a iluminação para criar um clima.

Depois que o cenário está montado, a coach de relacionamento faz perguntas a seus clientes — “qual é o seu filme favorito?”, por exemplo — e grava a interação. Depois, Grace reproduz o encontro para os clientes para identificar áreas de melhoria, o que ela diz ter melhorado muito a experiência deles nos encontros.

“Gosto de comparar isso a ser um treinador de tênis. Se eu tivesse um atleta, a gente revisaria fitas de partidas passadas, eu praticaria com aquele atleta, e a gente trabalharia em coisas específicas. Depois, ele iria para o próximo torneio, e eu poderia ver o que está acontecendo”, explica Grace.

Embora Ryan e Sam digam que ter encontros na realidade virtual é uma ótima maneira de criar uma conexão autêntica, eles acrescentam que é importante saber com quem você está falando.

Sam explica que ela e Ryan fizeram muitas ligações pelo FaceTime antes de se encontrarem pessoalmente. O conselho dela para quem está interessado em se aventurar no mundo de encontros na realidade virtual é “tentar se divertir enquanto faz isso, mas também se manter seguro na realidade virtual. Há pessoas mal intencionadas em quase todos os lugares, mas não custa tentar.”

Isso é algo que o especialista em relacionamento James Preece reitera, dizendo que ser autoconsciente online é importante.

“Lembre-se da sua privacidade. Não comece a fornecer detalhes pessoais. Use seu bom senso.”

“Se você tiver uma experiência ruim com alguém, denuncie, porque sempre há um botão de denúncia nesses aplicativos por questões de segurança.”

Mas isso não deve te impedir de tentar, segundo Ryan:

“É surreal, mas você pode encontrar novos amigos ou o amor da sua vida, nunca se sabe.”

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Three.




Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Mundo.

Por: G1

Esta notícia é de propriedade do autor (citado na fonte), publicada em caráter informativo. O artigo 46, inciso I, visando a propagação da informação, faculta a reprodução na imprensa diária ou periódica, de notícia ou de artigo informativo, publicado em diários ou periódicos, com a menção do nome do autor, se assinados, e da publicação de onde foram transcritos.

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