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A banalização do genocídio

today22 de fevereiro de 2024 12

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Rafael Satiê – 22/02/2024 16h25

Holocausto

O Holocausto foi um genocídio sistemático, que resultou na morte de 6 milhões de judeus Foto: Pixabay

A banalização dos termos “genocídio” e “genocida” no Brasil, especialmente durante o governo de Jair Bolsonaro em meio à pandemia da Covid-19, é um fenômeno que merece uma análise cuidadosa. Esse processo não é exclusivo de nosso país, mas parte de uma tendência global em que a retórica política de radicalização da esquerda pode levar ao uso excessivo para distorcer termos historicamente carregados.

Durante a pandemia, críticas ao manejo da crise sanitária por parte do governo Bolsonaro foram frequentemente expressas pelo uso desses termos. Embora nos Estados Unidos o número de mortos tenha sido muito maior, nenhum órgão de imprensa ousou chamar Donald Trump ou Biden de “genocidas”. Mesmo com o histórico de duras críticas aos dois mandatários, especialmente contra Trump, a mídia americana não teve a coragem de utilizar esse termo contra eles. Mas por que a mídia e a esquerda brasileira tiveram?

O termo “genocídio” possui uma definição jurídica e histórica específica, referindo-se a atos intencionais para destruir, total ou parcialmente, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso. Quando usado de maneira hiperbólica ou imprecisa, pode não apenas desviar a atenção das questões reais em jogo, mas também diminuir a gravidade de eventos históricos e atuais que se enquadram adequadamente nessa definição.

Uma das táticas da esquerda, no mundo inteiro, sempre foi o processo de desumanização dos seus opositores políticos. No processo revolucionário da China de Mao Tsé-Tung os opositores do partido eram levados a praça pública para serem torturados e humilhados enquanto a população assistia aquilo com “normalidade”. A ideia do partido era simples: tornar normal consenso que os que estão contra os interesses revolucionários não merecem respeito, solidariedade e seus direitos mais básicos.



Uma vez banalizado, tanto a pessoa e o termo se tornam mero instrumento de manipulação para utilização política. A fala recente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, comparando a ofensiva de Israel contra o Hamas na Faixa de Gaza a um ato semelhante ao Holocausto, é outro exemplo de como esse termo perdeu o completo sentido histórico e semântico que ele tem. Mas isso é proposital; afinal, o uso distorcido de termos carregados historicamente pode distorcer o entendimento público sobre eventos graves.

O Holocausto foi um genocídio sistemático, que resultou na morte de 6 milhões de judeus, além de milhões de outras vítimas. Ele tem uma magnitude e características que não devem ser comparadas de forma leviana a conflitos contemporâneos, por mais trágicos que sejam.

Em seu livro Corrupção da Linguagem e a Propaganda Comunista, o doutor Plínio C. De Oliveira demonstra como a mentalidade e a cultura é transformada por meio da subversão da linguagem que a primeiro momento parece inofensiva; mas com o passar do tempo e do uso repetitivo se torna um dogma para um grupo político e posteriormente se torna “verdade” perante o senso comum.

Podemos notar isso com a mudança cultural que ocorreu no Brasil. Por exemplo, em 1980, certos termos e certas ações eram completamente ostracizadas pela sociedade; atualmente, quem não os apoia se torna um alvo de cancelamento e perseguição pelos patrulheiros do senso comum.

A comparação feita por Lula não foi espontânea, mas sim um ato muito bem pensando e planejado para ser feito como um dog whistle, para chamar a atenção do seu eleitorado mais ideológico. Tais declarações minaram a importância histórica do Holocausto tornando essa grande tragédia humana em algo parecido com um fato corriqueiro, para, no final das contas, tornar as pessoas que pensam de forma contraria em “apoiadores do genocídio” e descredibilizar a opinião delas no debate público.

Em conclusão, a banalização dos termos “genocídio” e “genocida” no discurso público brasileiro não foram feitas de forma espontânea, mas sim organizada e com um propósito. Essa banalização reflete uma tendência preocupante de desvalorização da linguagem e do entendimento histórico. Essa falta de esclarecimento pode levar a repetição de erros que foram cometidos no passado; afinal, um povo que não sabe sobre sua história está fadado a repeti-la.

Rafael Satiê é analista político, especialista em Comunicação e diretor de Marketing.

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Por: Rafael Satie

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