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Amiga de repórter e pré-candidato a prefeito assassinado relembra últimos momentos antes do crime: ‘estava muito incomodado’

today5 de janeiro de 2024 5

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Sabina contou que saindo da festa iria com a vítima e outro amigo a uma lanchonete, mas Thiago resolveu sair antes. Ela prestará depoimento à Polícia Civil nesta sexta-feira (5).

  • “Deu 0h09 e ele falou: ‘aí, gente, eu vou embora’.
  • Eu falei: ‘Thiago, 0h30 nós vamos. Eu, você e o Alex [amigo].
  • Aí ele falou: ‘não, eu vou na frente’. Foi e desceu.

De acordo com Sabina, a confraternização era um pagode, onde estavam diversos amigos e conhecidos. A vítima havia chegado no começo da tarde, enquanto ela, só à noite.



“Eu fiquei lá com ele, só que o Thiago estava muito incomodado de estar lá. Ele queria beber Heineken [cerveja] e não tinha Heineken. Ele estava com fome, estava querendo ir embora desde a hora que eu cheguei, umas 19 horas”, contou.

O g1 conversou com o delegado Fabiano Barbeiro, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de Santos, um dia após o assassinato. De acordo com ele, as informações preliminares apontavam que o pneu do carro da vítima teria sido furado para atrai-lo para fora da festa ou, ainda, torná-lo vulnerável (veja mais abaixo).

Sabina disse ter insistido para que Thiago ficasse mais um pouco na festa. Ela disse ter sugerido que ele pedisse a cerveja por aplicativo, o que não foi feito.

A vítima teria, segundo a amiga, ficado por mais uma hora no evento, até a chegada de um DJ. Sabina disse ter insistido para que ele ficasse, mas estaria desconfortável e resolveu ir embora.

A mulher afirmou à equipe de reportagem que ninguém o chamou ou ligou para ele. Disse apenas que a Thiago teria descido porque queria ir embora. “Se furaram o pneu, a gente só foi saber quando desceu. Eu não vi pneu furado. Foi muito estranho”.

“Eu acho que, possivelmente, tinha ali pessoas que avisaram a pessoa que assassinou ele. [Algo como] ‘Ó, ele acabou de descer’. Porque não é possível, cinco minutos depois que ele descer aparecer morto”, lamentou.

Vídeo mostra repórter e pré-candidato a prefeito sendo executado a tiros no litoral de SP

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Sabina disse acreditar na hipótese de que alguém avisou ao autor do crime de que Thiago estava de saída. “Ele desceu porque queria comer e estava cansado. Se, lá embaixo, o pneu estava furado, eu creio que ele não sabia disso. Senão, ele teria voltado e chamado a gente, ou ligado para a gente […] Se descêssemos eu, o Alex e ele, nós três estaríamos mortos”.

Sabina conheceu Thiago durante a campanha para a primeira candidatura do ex-candidato a prefeito de Guarujá Farid Madi – que, inclusive, foi visto no velório ao lado da esposa, Haifa. Na ocasião, ele atuou como cabo eleitoral do ex-chefe do Executivo.

‘Me senti muito impotente’

Questionada sobre como descobriu que o amigo estava morto, ela respondeu: “foi pela quantidade de tiro que teve”.

“A gente escutou mais de dez tiros. Aí, quando a gente desceu, todo mundo desceu, acabou a festa, era ele caído no chão. Então, eu realmente me senti muito impotente diante da situação, porque eu não pude fazer nada para salvar ele naquele momento”, lamentou.

De acordo com Sabina, Thiago relatava ser ameaçado “o tempo inteiro”, uma vez que se envolvia em diversas denúncias. Em outras ocasiões, ele chegou a informá-la sobre algumas dessas situações, mas não fez comentários do gênero na confraternização que precedeu o assassinato.

“Eu estava indignada ali, porque chegaram os policiais antes do Samu. E eram mais de 30 policiais, todos curiosos pela situação e não preocupados em resolver, realmente, a situação. Isso me deixou muito, muito indignada. Tanto que eu comecei a gritar, mandei eles todos embora dali. Falei: ‘vai buscar o assassino, vai buscar o que aconteceu'”.

Corpo de Thiago Rodrigues foi sepultado em Guarujá (SP) — Foto: Marcela Pierotti/TV Tribuna

De acordo com o delegado Fabiano Barbeiro, existem vários indícios que apontam para a premeditação do crime. Um exemplo envolve os danos aos pneus do veículo.

“Segundo essas informações preliminares, teria sido feito de maneira intencional justamente para atrair a vítima para próximo de seu veículo”, contou ao g1 dias após o assassinato.

Barbeiro disse, ainda, que testemunhas informaram à polícia sobre um suposto amigo de Thiago que o teria chamado, após um terceiro ter avisado que o pneu havia sido furado. Apesar do que consta no boletim de ocorrência, a polícia ainda não localizou ou identificou o amigo citado.

“Cada fato, em si, tem um grau de complexidade. Até em razão da função que ele exercia, jornalista […] Usando de sua liberdade de expressão e das redes sociais disponíveis, ele era uma pessoa que tinha suas opiniões e fazia seus comentários mais críticos, ou de uma forma ligada ao Guarujá, até mesmo questões empresariais”, afirmou.

A família de Thiago informou ao g1 que a missa de sétimo dia será nesta sexta-feira (5), às 19h, na Igreja Católica São João Batista, no bairro Morrinhos II. O endereço é Rua Maria Eugênia de Oliveira, 109. A missa será aberta ao público.

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Por: G1

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