G1 Santos

Bailarino brasileiro de 16 anos supera preconceito e ganha bolsa de estudos nos EUA: ‘experiência única’

today4 de junho de 2024 5

Fundo
share close

Desde que começou a dançar balé, aos sete anos, Anthony Caio Almeida Silva foi transferido de escola três vezes para fugir do preconceito de colegas em Praia Grande (SP). Hoje, aos 16, ele passa por uma nova mudança, mas agora por superar a discriminação e conquistar uma bolsa de estudos, com tudo pago, em uma renomada companhia de dança em Miami, nos Estados Unidos.

“É uma experiência única”, comemorou Anthony. “Vai ser um grande passo para a minha carreira profissional, um salto”.

O adolescente embarca para os Estados Unidos no fim deste mês, após ganhar a bolsa para estudar por um ano na Miami City Ballet. A oportunidade surgiu após se destacar em um festival que serviu como ‘seletiva’ em 2023. Na nova escola, Anthony vai aprimorar os conhecimentos em aulas de balé clássico, dança contemporânea, jazz e dança flamenca.



Anthony Caio Almeida Silva, de 16 anos, conquistou bolsa de estudos nos EUA — Foto: Arquivo Pessoal

Ele conquistou bolsas de estudo em outras escolas internacionais, mas escolheu a norte-americana por ser a instituição onde todas as despesas estão incluídas. A Miami City Ballet vai custear as passagens aéreas, hospedagem, alimentação, uniforme completo, visto de estudante e, ainda, oferecer ajuda financeira para que ele se mantenha no país.

“Muito honrado por ter conseguido essa bolsa, porque poucos brasileiros conseguiram […]. Estou indo com altas expectativas, pois não estou para brincadeira, mas para fazer coisa séria”, disse ele.

Anthony Caio Almeida Silva mora em Praia Grande (SP) e começou a fazer dança na cidade — Foto: Arquivo Pessoal

O interesse de Anthony pela dança surgiu quando ele tinha sete anos e descobriu as aulas extracurriculares de balé clássico na escola em que estudava. No entanto, a modalidade era ofertada para meninas, pois a opção para meninos era o futsal.

Desta forma, a família do garoto procurou por espaços que oferecessem aulas de balé para todos, encontrando o Centro de Apoio à Família do Educando (Cafe), da Prefeitura de Praia Grande. No local, o menino se apaixonou pela modalidade.

Em seguida, ele entrou em uma companhia de dança para se especializar, fazendo aulas de sapateado, jazz, hip-hop e dança contemporânea. A partir disso, Anthony participou de exames e se destacou em apresentações em festivais nacionais e internacionais.

“Mudei o Anthony de escola três vezes porque os meninos não o viam como artista, como bailarino, viam como homossexual. Foram muitas barreiras para a gente tentar quebrar”, relembrou a mãe dele, Andréia Silva Guedes, de 49 anos.

O menino ganhou repercussão na mídia e foi convidado para participar de um documentário para uma marca de cosméticos. Em 2019, a história dele se tornou um livro infantil chamado “Meninos não dançam balé”, que aborda a importância do apoio familiar na trajetória de um bailarino.

História de Anthony Caio Almeida Silva inspirou livro infantil — Foto: Arquivo Pessoal

Segundo a mãe, o rapaz só foi respeitado pelos colegas ao aparecer na mídia. “Até isso acontecer, foi muito choro, foi vontade dele de não querer mais estudar”, explicou. No meio artístico, o adolescente ainda entrou no teatro e participou de diversos musicais com atores conhecidos nacionalmente.

Anthony ainda não sabe falar inglês, mas conta com apoio da companhia de dança para aprender o idioma. “[A escola] coloca um professor diário com ele para poder entender a língua e se adaptar no país”, disse a mãe.

Segundo Andréia, o bailarino pode ficar por mais tempo em Miami. “Se der tudo certo e for além das expectativas do que a companhia buscava, ele renova. Dando tudo certo, quando ele fizer 18 anos, já entra para a companhia profissional mesmo, com contrato”, explicou ela.

Para Andréia, é um orgulho ver o filho conquistar destaque internacional, mesmo com o receio pela distância. “É uma mistura de sentimento. Felicidade já com muita saudade”, complementou.

A mãe acrescentou que a relação com o filho é de companheirismo. “Desde o lanche, desde preparar uniforme, costurar a sapatilha, olhar o melhor figurino, as melhores cores, ter um olhar da disciplina dele com o que come e horário que acorda. E sem deixar as aulas, porque o estudo também é importante”, ressaltou.

Andreia relembrou das vezes que precisou trocar as férias ou feriados para se dedicar à carreira do filho. “Incentivando, apoiando e acreditando de fato no que ele queria e almeja ser”, disse ela. “[Um] orgulho ver que meu filho tem muita determinação, muito foco. É como querer muito uma coisa e falar: Missão cumprida”, finalizou.

VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos




Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Santos.

Por: G1

Esta notícia é de propriedade do autor (citado na fonte), publicada em caráter informativo. O artigo 46, inciso I, visando a propagação da informação, faculta a reprodução na imprensa diária ou periódica, de notícia ou de artigo informativo, publicado em diários ou periódicos, com a menção do nome do autor, se assinados, e da publicação de onde foram transcritos.

Avalie

Post anterior

santos,-sp,-veta-projeto-de-lei-que-preve-entrega-de-correspondencias-municipais-em-braille-para-deficientes-visuais

G1 Santos

Santos, SP, veta projeto de lei que prevê entrega de correspondências municipais em braille para deficientes visuais

O prefeito de Santos (SP), Rogério Santos (Republicanos), vetou o projeto de lei, de autoria do vereador João Neri (União), que previa às pessoas com deficiência visual o direito de receberem correspondências de tributos municipais confeccionados em braile na cidade. O projeto de lei 134/2022 foi aprovado, em segunda discussão, pela Câmara Municipal, em 30 de abril. A proposta, segundo a justificativa do vereador, buscava garantir a acessibilidade da informação […]

today3 de junho de 2024 2

Publicar comentários (0)

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.


0%