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Câmera corporal de PM filma tiro de fuzil que matou morador em Operação Escudo; VÍDEO

today22 de dezembro de 2023

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Imagens da câmera corporal de um policial militar mostram a suposta execução de Rogério de Andrade Jesus, em Guarujá, no litoral de São Paulo, durante a Operação Escudo. Nas imagens, obtidas pelo g1 nesta sexta-feira (22), é possível ver o momento que, segundo o Ministério Público estadual (MP-SP), o homem é assassinado dentro de casa com um tiro de fuzil (assista acima).

Nas imagens, obtidas pelo g1, é possível ver a cena que, segundo o MP-SP, mostra a execução de Rogério de Andrade Jesus. O caso aconteceu na manhã de 30 de julho, na Avenida Brasil, no Morro do Macaco, também em Guarujá (SP).

PMs viram réus por homicídio durante a Operação Escudo em Guarujá (SP) — Foto: Reprodução/MP-SP



A execução, segundo o MP-SP

  • A equipe de policiais militares avançou pela comunidade e, por volta das 7h42, identificou uma movimentação de pessoas;
  • No local, o policial Eduardo de Freitas Araújo conversou com um homem, que informou ao agente desconhecer o morador da casa vizinha, ocupada naquele momento por Rogério de Andrade Araújo;
  • O MP-SP relatou que o policial Eduardo foi até a casa onde estava Rogério Andrade Araújo, onde ficou por aproximadamente um minuto tentando, sem sucesso, ver o que havia dentro. Para isso, ele puxou a janela com a mão;

Casa onde Rogério de Andrade Jesus teria sido morto em Guarujá (SP) — Foto: Reprodução/MP-SP

  • Em seguida, o policial se colocou ao lado da porta da casa do homem, enquanto o policial Augusto se posicionou atrás dele;
  • Os outros integrantes, Vitor Nigro Vendetti Pereira e José Pedro Ferraz Rodrigues Junior, segundo o MP-SP, ficaram na retaguarda, com suas câmeras operacionais desobstruídas, “não havendo, uma vez mais, visualização de qualquer ato suspeito”;
  • Por volta das 07h45, o policial Eduardo abriu a porta da casa de Rogério Andrade Araújo e, em seguida, posicionou o fuzil para o interior do imóvel;
  • Passados aproximadamente 28 segundos, o policial Eduardo efetuou um disparo de fuzil que, segundo o MP-SP, atingiu a região torácica anterior da vítima, causando a morte dela.

PMs se tornaram réus por homicídio durante a Operação Escudo — Foto: Reprodução/MP-SP

Provas ‘plantadas’, segundo o MP-SP

  • Feito o disparo, o policial Eduardo entrou na casa, colocando-se na posição lateral, de modo que a câmera corporal não captasse as imagens de Rogério e, ainda segundo o MP-SP, filmasse a inexistência da pistola atribuída ao ofendido;
  • Segundo depois, o policial Augusto, com a câmera já obstruída, também entrou na casa. De acordo com o órgão, ele tinha o “objetivo de alterar a cena dos fatos”;
  • Segundo o MP-SP, Augusto simulou ter apreendido a pistola supostamente usada por Rogério;

MP-SP alega que pistola foi ‘plantada’ por equipe policial onde o homem foi morto — Foto: Reprodução/MP-SP

  • O órgão apontou também que o policial Eduardo, ainda evitando posicionar a câmera na direção da vítima, colocou um objeto sobre o armário, ação que teria sido captada pela sombra projetada na parede;
  • Eduardo teria, já com a câmera desobstruída, caminhado em direção ao armário onde momentos antes deixou o objeto, recolhendo um colete balístico que, segundo o MP-SP, foi atribuído também como propriedade da vítima;
  • O MP-SP apurou que, antes do caso, tal colete foi levado ao Morro do Macaco, de forma oculta, com o objetivo de ser “plantado” na cena de um eventual confronto policial, como teria sido registrado também na câmera corporal de um agente;
  • Eduardo teria escondido o colete balístico debaixo da capa da Rota dele, o que “causou um aumento de volume nas costas, fato que evidenciou não se tratar do seu equipamento padrão”, ainda segundo o MP-SP.

Ministério Público aponta que colete apreendido no local foi levado por policiais — Foto: Reprodução/MP-SP

Os quatro PMs envolvidos na ação que culminou com a morte de Rogério usavam câmeras em seus uniformes, informação que consta nos depoimentos concedidos ao delegado Otaviano Toshiaki Uwada.

De acordo com a versão apresentada pelos PMs na delegacia de Guarujá, quatro agentes faziam patrulhamento na região quando a população passou a apontar para um morro. Eles decidiram descer da viatura para verificar o que acontecia.

Os policiais relataram que as pessoas apontavam para uma casa, mas sem dizer quem morava nela. O local estava entreaberto, segundo os depoimentos dos policiais, e “pela porta já viu um indivíduo armado com uma pistola”.

A versão oficial indica que os PMs deram voz para a pessoa largar a arma, mas a pessoa não teria obedecido. O homem, identificado como Rogério de Andrade de Jesus, de 50 anos, teria apontado uma pistola 380 na direção da equipe.

MP concluiu análise das imagens das câmeras

O MP-SP concluiu a análise das imagens das câmeras corporais usadas pelos policiais militares durante a operação no litoral paulista. As autoridades do estado afirma que todas as mortes foram de suspeitos que entraram em confronto com os policiais.

Os promotores tiveram acesso a mais de 50 horas de gravação. Com base no material, concluíram que:

  • Em três ocorrências, houve confrontos com criminosos;
  • Em duas ocorrências, as gravações não captaram os momentos das supostas trocas de tiros, mas, segundo o MP, são importantes porque revelam falhas operacionais, como câmeras descarregadas e o não acionamento do modo de gravação em alta qualidade e com som durante as incursões.

Os promotores consideram que, em uma das ocorrências, as imagens não trazem nenhuma informação relevante para a investigação.

Só foi possível analisar 6 das 16 mortes por intervenção policial registradas entre os dias 28 de julho e 1º de agosto nas cidades de Santos e Guarujá. A Polícia Militar informou ao MP que não existem imagens das ações que resultaram nas outras 10 mortes, seja porque o batalhão ainda não dispõe do equipamento ou porque estavam inoperantes.

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Por: G1

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