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Conheça a história do primeiro-ministro que não consegue voltar para o próprio país por causa da violência de gangues

today8 de março de 2024 6

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Henry tentou entrar em seu país pelo vizinho, a República Dominicana, mas as autoridades dominicanas barraram todos os voos de conexões com o Haiti.

Por que ele saiu do Haiti?

Em fevereiro, ele viajou para a Guiana para participar de um evento de países da América do Sul e Caribe, o Caricom (o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, também esteve nesse encontro) .



Ele ficou quatro dias na Guiana. Durante o evento, líderes de outros países do Caribe afirmaram que ele prometeu que haverá eleições no Haiti em 2025.

Henry ainda estava na Guiana quando a violência das gangues piorou nas cidades do país dele.

O primeiro-ministro não voltou para o Haiti, mas viajou para o Quênia, para um encontro com o presidente queniano, William Ruto. O líder haitiano está tentando levar policiais do Quênia para o Haiti.

Há uma força policial queniana que não pode atuar no próprio país porque a Suprema Corte afirmou que se trata de uma corporação inconstitucional.

Ruto (o presidente do Quênia), Henry (do Haiti) e a ONU querem que parte desses agentes seja empregada nas cidades haitianas.

Oficialmente, Henry não tinha data para voltar para o próprio país. Na terça-feira (5) ele pousou em Porto Rico.

Líderes de países do Caribe conversaram com Henry na noite de terça-feira. Eles sugeriram a Henry que ele deveria renunciar, mas ele rejeitou essa ideia, de acordo com uma autoridade regional que falou sob condição de anonimato porque não está autorizada a revelar detalhes da ligação.

O primeiro-ministro de Granada disse que Henry informou aos funcionários que seu plano é retornar ao Haiti.

O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Matthew Miller, disse que os EUA e seus parceiros estão pedindo a Henry que faça concessões.

“Não estamos pedindo ou pressionando para que ele renuncie, mas estamos pedindo para ele acelerar a transição para uma estrutura de governança”, disse Miller.

Ariel Henry em Nairóbi, no Quénia, em março de 2024 — Foto: Andrew Kasuku/AP

Quem é o primeiro-ministro?

Henry, de 74 anos, é um neurocirurgião. Ele estudou na França e, no começo dos anos 2000, virou um politico em seu país.

Nos anos 2000, ele foi diretor geral do Ministério da Saúde e depois o chefe de pessoal –nesse cargo, ele teve um papel importante nos momentos após o terremoto de 2010, que marcou o país.

Em 2015, ele virou ministro do Interior e responsável pela política de segurança do país e também ministro de Assistência Social.

Nesse mesmo ano, ele se envolveu em disputas partidárias e depois de ocupar esses cargos, ele sumiu do cenário público.

A história mudou em julho de 2021. Naquele mês, mercenários entraram na residência oficial do presidente, Jovenel Moise, e o mataram.

Na ocasião, o primeiro-ministro que estava no cargo, Claude Joseph, caiu por causa de suspeitas de envolvimento dele com o crime. O Haiti estava sem nenhuma liderança. Foi quando um grupo de representantes da comunidade internacional agiu.

O Haiti é aconselhado por diplomatas dos seguintes países e órgãos multilaterais:

  • Alemanha,
  • Brasil,
  • Canadá,
  • Espanha,
  • Estados Unidos,
  • França,
  • União Europeia,
  • ONU,
  • OEA.

Esse grupo emitiu uma declaração logo após o assassinato de Moïse, essencialmente declarando Henry como o novo líder do Haiti. O atual líder do país nunca foi eleito.

Manifestante com a baideira do Haiti em 1º de março de 2024 — Foto: Odelyn Joseph/AP

A campanha para derrubá-lo

A campanha para derrubar Henry começou logo após ele se tornar primeiro-ministro.

Há líderes de gangues que querem que ele deixe o cargo, mas há também haitianos comuns, irritados porque não há eleições gerais há quase uma década.

Ele afirma que ainda não é seguro organizar eleições.

No começo de 2023, ele criou um conselho de transição que deveria organizar as votações, mas as eleições foram adiadas várias vezes por causa dos assassinatos e os sequestros relacionados a gangues em todo o país.

Mais de 8.400 pessoas foram mortas, feridas ou sequestradas em 2023, mais que o dobro do número relatado em 2022.




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Por: G1

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