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Conheça o mito e os mistérios de Loreley, a sereia assassina do rio Reno

today4 de maio de 2023 5

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Conta-se que uma bela jovem passava o dia sentada no alto dele, penteando o cabelo e encantando com seu sedutor canto de sereia os barqueiros que passavam no Reno, levando-os à morte.

Muitos alemães têm − mesmo como parte das aulas de literatura na escola − uma ideia geral de quem era essa personagem, imortalizada no famoso poema de 1824 Die Lore-Ley, do escritor Heinrich Heine. Muitos se lembram pelo menos dos primeiros versos do poema:

Ich weiss nicht, was soll es bedeuten, dass ich so traurig bin, ein Märchen aus uralten Zeiten, das kommt mir nicht aus dem Sinn. (“Não sei por que motivo estou tão triste assim, um conto de tempos antigos não me sai da mente.”)



Loreley, uma femme fatale

A estudante de história e arqueologia Katrin Kober, de 24 anos, traz essa figura de tempos antigos para o aqui e agora ao fazer uma interpretação moderna do fascínio de Loreley.

“É uma espécie de femme fatale. Acho que personagens femininas em especial são usadas para dar um fundo sexual a uma história.” Ela analisou e editou a supostamente “antiguíssima” lenda da Loreley para o site do Instituto de Estudos Históricos Regionais da Universidade de Mainz, onde trabalha.

Histórias como essa fascinam adultos e também são compreensíveis para as crianças, explica Kober. E, ao se vinculada a um lugar real, cercado de velhos mitos, a história da Loreley ganhou ainda mais penetração.

Na quarta-feira, 24 de outubro de 2018, um navio de carga passa pela rocha Loreley no rio Reno em St. Goar, Alemanha, durante níveis de água historicamente baixos. — Foto: AP Photo/Michael Probst

Anões e rochas que murmuram

É compreensível que o Médio Reno seja bom para mitos: devido às curvas fechadas e ao fundo rochoso, é considerado um dos trechos mais perigosos do rio.

Cerca de 500 anos atrás também se especulava que os gritos de anões que habitavam as cavernas dessa paisagem única criavam um eco incomum, que então ressoava na parte estreita do rio. Além disso, há um “murmúrio” claramente audível gerado pela forte correnteza e uma cachoeira. O eco criado entre as falésias é realmente audível.

Existem várias explicações para a origem do nome Loreley. De origem céltica, ley se refere à ardósia do Vale do Médio Reno. A palavra é usada ainda hoje e pode ser encontrada em muitos nomes de lugares e vinhedos antigos. Lore tem vários significados, de “tocaiar” a “uivar” e “gritar”, mas também “murmúrio” ou “zumbido”. No contexto dos mitos sobre o rochedo, tudo faz sentido.

As condições geológicas e os mitos resultantes podem ser realmente antigos, mas a história da encantadora sereia na “rocha murmurante” é relativamente recente: o escritor alemão Clemens Brentano a criou em 1800, em sua balada Zu Bacharach am Rheine (Em Bacharach no Reno).

A bela Lore Lay, como a chama Brentano, é traída por seu amante e acusada de enfeitiçar homens e mandá-los para a morte. Banida para um convento, no caminho ela pede a sua acompanhante que pare na rocha Loreley, pois quer galgá-la mais uma vez para admirar o Reno. Chegada ao topo, ela se precipita para a morte. Desde então, prossegue a história, a rocha teria o eco de seu nome.

Inspiração na Antiguidade

O próprio Brentano pode ter sido inspirado pela mitologia clássica. O canto da sereia, por exemplo, é citado na Odisseia do poeta grego Homero. “Não seria improvável que nesse poema de criação própria Brentano se referisse ao antigo mito de Eco, uma ninfa perdidamente apaixonada por Narciso e que em sua dor se tornou uma rocha, da qual só se ouvia a voz. Assim Brentano criou uma explicação para o fenômeno do eco no rochedo junto ao Reno, que se pode contar como uma história emocionante”, explica Kober.

Heinrich Heine publicou seu poema Loreley em 1824. Sobre a melodia do compositor Friedrich Silcher, ele se tornou uma canção folclórica alemã muito popular. Com sua representação da figura de Loreley, Katrin Kober quer remover o pó das interpretações um tanto ultrapassadas dessa figura feminina.

“Tenho a impressão de que são histórias de velhos homens brancos que se divertiam com o sofrimento de uma figura feminina imaginária e depois a publicaram para ganhar dinheiro em cima. Parece que Loreley não tem nenhuma qualidade especial, exceto a falta de sorte no amor ou matar homens por diversão.”

Influência na cultura contemporânea

A Loreley vive até hoje em inúmeras representações artísticas, da ópera de Alfredo Catalani a canções Clara Schumann, Franz Liszt ou George Gershwin. Em um dos movimentos de sua Sinfonia nº 14, o compositor russo Dmitri Shostakovich transforma numa dramática ária para baixo o poema Loreley de Guillaume Apollinaire, baseado em Brentano.

O escritor americano Mark Twain descreveu Loreley como “uma antiga lenda do Reno” em seu diário de viagem satírico de 1880 A tramp abroad. Loreley também serviu de inspiração para um poema da americana Sylvia Plath, publicado em 1960, sobre um rio noturno em noite de lua cheia e vozes misteriosas.

Uma das interpretações mais notáveis ​​na cultura pop é personificada pela estrela do cinema Marilyn Monroe. Em seu vestido rosa e sua interpretação sedutora de Diamonds are a girl’s best friend, Marilyn interpretou a personagem Lorelei Lee no filme Os homens preferem as loiras, de 1953, baseado no romance homônimo de 1925 de Anita Loos, que se tornou best-seller nos Estados Unidos.

Loreley emprestou seu nome a uma série de filmes ao longo das décadas, desde a versão do cinema mudo alemão de 1927, a um drama de guerra japonês de 2005, uma personagem da Marvel Comics, um cachorro no romance Os cães de Babel, de 2003, e a protagonista Lorelai da famosa série de televisão Gilmore Girls.

Ela também emprestou seu nome a uma banda de rock dark de Pittsburgh, canções da banda Styx, Cocteau Twins, Nina Hagen, The Pogues, The Scorpions e Mark Seymour & The Undertow.

Nos anos 1930, construiu-se um anfiteatro no topo do rochedo Loreley. Com o passar dos anos, ele se tornou um impressionante local de concertos para todos os tipos de música, do erudito ao rock.




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Por: G1

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