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Copa do Mundo: plataforma interativa feita por estatísticos prevê resultados de todos os jogos

today23 de novembro de 2022 27

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Criado em 2006, o projeto analisa as probabilidades dos times nos mundiais. Porém, na edição deste ano, as previsões chegam com uma novidade: uma plataforma interativa que permite o leitor a simular as chances de cada equipe por partida.

Para fazer as análises, o grupo utiliza um programa de computador que usa uma formulação matemática e embasamento estatístico para calcular as probabilidades de uma seleção ganhar a partida.

“A gente entregava uma informação mais estática. Esse ano a gente resolveu dar uma inovada e colocar algumas opções dinâmicas para as pessoas que querem brincar com alguns números da Copa. Você pode ver qualquer jogo dentre qualquer uma das seleções que estão participando. Não necessariamente apenas aqueles jogos que vão acontecer”, explicou o docente da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Ricardo Rocha, que integra o projeto desde 2014 quando estudava na UFSCar.



Vista do Estádio Nacional de Lusail, uma das sedes da Copa do Mundo do Catar, no dia 5 de novembro de 2022 — Foto: Kirill Kudryavtsev/AFP

Também integram o projeto mais 12 pessoas entre professores, pesquisadores e alunos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) e Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indútria (CeMEAI) da USP de São Carlos, Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Universidad de Atacama, além da empresa FLAI Inteligência Artificial.

No site do projeto Previsão Esportiva o usuário pode selecionar os times que se enfrentam. Na simulação feita pelo g1, usamos o jogo já encerrado entre Senengal x Holanda, que terminou com vitória dos holandeses.

Senegal x Holanda — Foto: Dylan Martinez/Reuters

De acordo com os números dos estatísticos, a Holanda tinha 59,6% chances de vencer a partida, enquanto o Senegal tinha 18%. As chances do jogo terminar em empate eram de 22,4%.

Também é mostrado para o leitor um gráfico de mapa de calor com as probabilidades percentuais de todos os placares que podem ocorrer na partida.

No caso específico da partida entre Senegal x Holanda, o placar mais provável era de 1×0 para a Holanda com 11,81% de chances de acontecer. Veja abaixo – o placar mais provável esta representado na cor mais escura do gráfico.

Gráfico de mapa de calor com as probabilidades do placar entre Senegal x Holanda. Cálculos foram feitos por pesquisadores do grupo Previsão Esportiva — Foto: Reprodução/Previsão Esportiva

No caso das Zebras, como na partida entre Argentina x Arábia Saudita, que terminou com derrota dos ‘hermanos’, Rocha explicou como os números devem ser lidos.

“O resultado de ontem, que foi 2×1 pra Arábia era um resultado que a gente estimava em 1,26% de probabilidade de acontecer. Uma zebra completa! Os números de Argentina e Arábia Saudita são uns dos mais discrepantes da Copa, que é basicamente a Argentina como um dos times mais fortes e a Arábia como um dos times mais fracos”, disse.

Messi durante partida entre Argentina x Arábia Saudita na Copa do Catar — Foto: Hannah Mckay/Reuters

“Por exemplo, quando nós temos Argentina com quase 81% de probabilidade de vitória, empate 14% e Arábia Saudita 4,9%, nós queremos dizer que esse jogo foi replicado diversas e diversas vezes e essa seria a frequência com que nós veríamos esses tais resultados.

Os próprios números diziam que não era impossível a Arábia ganhar, ela vai ganhar com pouca frequência e, se ganhar, é uma zebra completa”, completou.

Veja abaixo o mapa de calor do jogo entre Argentina e Arábia Saudita.

Gráfico de mapa de calor com as probabilidades do placar entre Argentina x Arábia. Cálculos foram feitos por pesquisadores do grupo Previsão Esportiva — Foto: Reprodução/Previsão Esportiva

Rocha também explicou sobre previsões de jogos com placares mais largos, com 3 ou mais gols de diferença. E que por serem ‘acontecimentos raros’ todos os tipos de situações são analisadas.

“O resultado de 3 a 0 ou placares mais largos que esses, eles são acontecimentos raros na Copa. Se a gente pegar as partidas da copa que aconteceram até agora, eu acho que só foram duas partidas com placares um pouquinho mais largos”, disse.

“Tivemos partidas com nenhum gol e isso muda um pouco essa média de gols de Copa que varia muito de partida com zero gols em cada partidas e partidas com 5, 6, 7 gols. A questão é que a frequência com que essas partidas com muitos gols acontecem é um pouquinho menor. Por isso que esses placares mais largos acabam não aparecendo com mais frequência [no gráfico de mapa de calor]”, completou.

Inglaterra goleia o Irã na estreia da Copa do Mundo do Catar — Foto: Carl Recine/Reuters

Rocha também acrescentou que quando a equipe tenta acertar um placar, os números também mostram que há chances grandes de não ser exatamente aquele resultado.

“Se a gente pegar o jogo da Argentina x Arábia, a gente tinha o placar mais provável sendo de 2×0 pra Argentina com 17,5% de chances. Porém 17,5% de probabilidade também quer dizer que existem 82,5% de não ser esse placar. É muito maior a probabilidade de não ser esse placar do que de ser”, explicou.

Rocha defendeu ainda que o projeto “é uma quantificação das incertezas dos placares do que uma ferramenta pra dizer qual placar vai acontecer”.

Campus da UFSCar em São Carlos 2020 — Foto: Gabrielle Chagas/G1

O projeto Previsão Esportiva teve início no Departamento de Estatística da UFSCar em 2006. Nas copas de 2006 e 2010, o modelo ‘acertou’ a ordem dos campeões. As previsões foram feitas antes do início das competições.

De 2006 para cá, o grupo já fez previsões para diversas competições de futebol como: Brasileirão séries A e B, Premier League, La Liga, Italiano Série A e Bundesliga, além da Copa América 2019 e dos Jogos Olímpicos Tokyo em 2020 – Futebol feminino e masculino.

“Historicamente nós temos acertos em relação aos números gerais da Copa. A gente mede, por exemplo, quantos semifinalistas conseguimos prever. Nas últimas copas a gente conseguiu acertar, em média, 3 dos 4 semifinalistas que chegaram. Então é uma estatística que nós gostamos. No entanto é algo que também é complicado de se prever. Tem que ter pé no chão na hora de analisar esses números”, finalizou.




Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Mundo.

Por: G1

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