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Corpo de morto em ação policial é enterrado sem ser identificado em cemitério do litoral de SP

today3 de agosto de 2023 2

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Conforme apurado pelo g1, o Instituto Médico Legal (IML) pode liberar um corpo não identificado ou não reconhecido pelos familiares após 72h da morte, com base na Portaria 10 da Delegacia Geral de Polícia. De acordo com o cemitério Jardim da Paz foi exatamente o que aconteceu.

Caso o corpo, posteriormente, seja identificado pela Polícia ou pela família, o Serviço Funerário, IML e autoridades policiais e judiciárias deverão realizar um procedimento de exumação — retirada dos restos mortais — e entrega aos familiares.

Governo de SP nega que tenha havido excesso da polícia na operação que deixou 8 mortos em Guarujá — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução



No Boletim de Ocorrência (BO), os policiais militares informaram que estavam em um local conhecido como ponto de venda de drogas ilícitas, quando viram um indivíduo vindo em direção aos agentes com um objeto nas mãos.

Em primeiro momento, não identificaram o que seria, porém, quando ele se aproximou, perceberam que se tratava de uma arma de fogo.

Segundo os agentes, ele teria efetuado disparos na direção dos policiais, que iniciaram uma troca de tiros e o atingiram. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e o homem foi encaminhado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) São João, onde foi constatada a morte.

Com ele, de acordo com os policiais, foram apreendidas uma pistola com a numeração raspada, um carregador e 11 cartuchos intactos. As duas pistolas e um fuzil dos agentes envolvidos na ação também foram recolhidas.

Ele foi morto no primeiro dia da Operação Escudo, na última sexta (28), no bairro Paecara, em Guarujá (SP). O corpo foi levado à perícia, analisado e enterrado sem ser identificado nesta quinta- feira (3).

Operação Escudo acontece em Guarujá (SP) após PM ser morto baleado por criminoso — Foto: Reprodução

Ao ser questionada, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) não falou sobre o corpo não identificado. Mas, segundo a pasta, todas as mortes durante a operação foram resultado de confrontos.

Ainda de acordo com a SSP, todos os casos são investigados pela Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Santos e pela PM, por meio de um inquérito policial. As imagens das câmeras corporais dos agentes estão disponíveis para o Ministério Público, Poder Judiciário e a Corregedoria da PM.

Defensoria Pública oficia governo

A Defensoria Pública de São Paulo oficiou na quarta-feira (2) a Secretaria da Segurança Pública (SSP) do estado um pedido para que a operação policial no Guarujá seja interrompida imediatamente. O órgão também solicita que os policiais militares envolvidos em mortes sejam afastados temporariamente das ruas.

Segundo a defensoria, caso haja alguma excepcionalidade que justifique a continuidade da ação, o governo estadual deve apresenta-la por escrito ao Ministério Público (MP), com a identificação dos responsáveis pelo comando da operação. Além disso, pede que sejam utilizadas câmeras corporais no uniforme de todos os agentes da Polícia Militar (PM) que fazem parte da ação.

Polícia Militar iniciou a Operação “Escudo” em Guarujá, SP — Foto: Carlos Abelha

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo informou que tem ampliado a interlocução e compartilhamento de dados com diversas instituições, incluindo o Ministério Público e a Defensoria Pública, com o objetivo de aperfeiçoar as ações na área da segurança pública.

Neste contexto, representantes da Defensoria Pública e do Ministério Público se reuniram para discutir dados relativos ao primeiro semestre e questões relacionadas aos ataques contra policiais na região da Baixada Santista.

A SSP destaca o respeito pelo papel constitucional de cada instituição democrática e lamenta acusações infundadas.

A secretaria reitera que o enfrentamento do crime na região tem sido uma prioridade do Governo do Estado e enfatiza o compromisso contínuo e reforçado dos policiais na proteção dos moradores, o que pode, inclusive, ter motivado os ataques criminosos aos policiais e instituições policiais democráticas que até o momento, vitimaram três PMs, além da morte do soldado Patrick, que deu início a operação Escudo.

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O soldado Patrick Bastos Reis foi baleado enquanto fazia um patrulhamento na comunidade da Vila Júlia em Guarujá, na quinta-feira (27). A morte dele foi confirmada no mesmo dia. Além dele, um outro policial foi baleado na mão esquerda, encaminhado para o Hospital Santo Amaro e liberado.

Após o caso, a Polícia Militar iniciou a Operação Escudo, com o objetivo de capturar os criminosos responsáveis pela ação contra os agentes.

Na segunda-feira (31), Erickson foi encaminhado ao Fórum de Santos, onde passou por audiência de custódia, que começou por volta das 10h. A Justiça definiu que a prisão temporária foi mantida por 30 dias.

Erickson David da Silva é um dos apontados como responsáveis pelos disparos contra o PM em Guarujá (SP). — Foto: Reprodução

Em entrevista à TV Tribuna, afiliada da TV Globo, o advogado do Wilton Felix disse que suspeito se diz inocente e estava na comunidade da Vila Julia, em Guarujá, para comprar drogas. “Ele [Erickson] alega e atesta que não participou do evento morte. Na fatalidade, ele estava comprando droga, por fazer uso de entorpecentes, quando ouviu vários tiros e no pavor da situação, ele fugiu do local”, explicou Felix.

Ainda segundo o advogado, imagens do suspeito foram vinculadas como sendo o principal suspeito de ter realizado o disparo de ter matado o policial. “Ele ficou com receio e foi para outra cidade, sendo hoje (domingo), de livre e espontânea vontade, se integrou as autoridades, na Corregedoria da Polícia, mostrando que acredita que ele foi vítima de uma injustiça”, disse o advogado.

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Em vídeo gravado antes de ser preso, o suspeito afirma, em relato direcionado ao governador de SP e ao secretário de Segurança Pública, que estão “matando uma ‘pá’ de gente inocente”. Ele diz não ter nada a ver com o caso, mas que vai se entregar. Erickson diz ainda que estão “querendo pegar” sua família (veja o vídeo acima).

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, afirmou nesta segunda-feira (31) que o vídeo gravado pelo suspeito foi “uma estratégia do crime organizado”.

“A verdade é que esse vídeo que ele fez, orientado pelos seus defensores, inclusive tem áudio do advogado o orientando a fazer esse vídeo, se os senhores ainda não possuem, ao longo das investigações vão tomar conhecimento disso, é uma estratégia do crime organizado, inclusive de cooptar moradores, de cooptar pessoas das comunidades que também são vítimas do tráfico organizado apresentando versões”, afirmou.

Até a última atualização desta reportagem, SSP-SP confirmou que o número de mortes subiu para 16 durante a Operação Escudo realizada em Guarujá (SP). A ação da polícia começou, na última sexta-feira (28) após execução de PM da equipe Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota) durante patrulhamento na região.

Governador Tarcísio de Freitas durante coletiva sobre operações na Baixada Santista e Centro de SP — Foto: Governo de SP

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o secretário de segurança do estado, Guilherme Derrite, anunciaram aumento do efetivo policial e uma nova unidade em Guarujá, no litoral de São Paulo, após a morte do PM da Rota Patrick Bastos Reis. Segundo o governador, as ações se fazem necessárias pois “o tráfico ocupou a Baixada Santista”.

De acordo com Tarcísio, a Operação Escudo vai continuar na Baixada Santista por pelo menos 30 dias. Além disso, o governador ainda prometeu novas ações na região.

“Nós vamos levar para a Baixada Santista o aumento de efetivo, unidade da Polícia Militar. Nós devemos ter mais uma unidade da Polícia na Baixada para aumentar o efetivo e responder o anseio da Baixada”, disse Tarcísio.

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Por: G1

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