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Dentista mastectomizada aos 28 anos realiza sonho de amamentar com a ‘relactação’; entenda o procedimento

today16 de outubro de 2023 1

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Em 2020, a dentista percebeu um edema no seio direito, ficou assustada e procurou um ginecologista, que pediu um ultrassom, mas o exame não apontou nada. No entanto, após três dias, ela teve um sangramento intenso no mamilo.

“Lavou meu pijama de sangue, entrei em choque. Parte de mim já imaginava o que poderia ser por causa do histórico com a minha tia, então eu tinha muito receio de ser [câncer]“. Ela passou por uma biópsia e recebeu a notícia da doença.

“Meu cérebro entrou em negação, não dá para explicar o sentimento de quando você pega um diagnóstico desse aos 28 anos”, relembrou.



Mariana só tinha referências ruins da doença. “Minha vontade era decidir o mais rápido possível como seria porque tinha pressa para resolver. Quem eu conheci que teve câncer de mama acabou morrendo. Entrei nesse lugar de ‘vou morrer’ e essa foi minha sensação quando peguei o diagnóstico”.

Mulher mastectomizada descobre relactação e realiza sonho de ‘amamentar’ após câncer de mama — Foto: Arquivo Pessoal

Com o sonho de ser mãe e amamentar, ela se desesperou com as opções de tratamento: retirada das duas mamas ou de apenas um dos seios mais o uso do medicamento tamoxifeno, que a deixaria em menopausa por 10 anos. Na época, ela já namorava com o atual marido, Felipe, que a apoiou nessa fase.

Ela cogitou engravidar, mas foi orientada que não poderia e o médico a aconselhou a congelar os óvulos, mas só iniciaria uma fertilização aos 38 anos, então optou pela mastectomia redutora de risco. Como teve um câncer in situ [quando o tumor não ultrapassou a membrana e ficou apenas no local inicial], não precisou de quimioterapia e radioterapia.

“Sem apoio psicológico [por causa da pandemia], foi a melhor alternativa que tive no momento. É aquela coisa, não sei se teria tomado a mesma decisão hoje, mas naquele momento só queria resolver logo”, afirmou.

Sandra, do projeto Anjos de Leite, foi uma das pessoas que auxiliou Mariana e o marido sobre a relactação — Foto: Arquivo Pessoal

Em 2022, ela quis engravidar e sentiu arrependimento por ter retirado as mamas, pois queria amamentar. “Na época foi uma decisão que eu não pude tomar com muita clareza. Me deram duas opções e acabei acatando sem pensar muito porque queria resolver logo e não pensar nas consequências”.

Na primeira tentativa, engravidou e ficou frustrada por, inicialmente, não encontrar alguém que tivesse enfrentado o mesmo que ela. “Geralmente quem tem câncer de mama tem após os 40 anos e já tem filho, foi muito desafiador achar uma solução”.

Para ela, o bebê não a amaria se ela não o amamentasse. “Tive uma depressão gestacional muito pesada e foi muito difícil”. Ela foi presenteada com um curso promovido por Sandra Abreu, do Anjos do Leite, onde aprendeu sobre a relactação e viu a oportunidade de ‘amamentar’ a filha.

A partir da 20ª semana de gestação, a dentista teve intercorrências e entrou em trabalho de parto com frequência. Por causa disso, precisou colocar um pessário [estrutura de silicone ou de borracha que vai servir de suporte aos órgãos pélvicos] e ficar em repouso absoluto.

“Foi uma gestação extremamente difícil, muito estressante (…). Estava em pânico de não amamentar, tinha muito medo de passar por outra cirurgia”, relembrou. Por orientação dos médicos, na 32ª semana iniciou tratamento com psiquiatra para controle da depressão gestacional.

Olivia nasceu prematura na 36ª semana em 23 de março deste ano. “Na hora que minha filha nasceu foi surreal, foi como se tudo que eu tivesse sofrido tivesse valido a pena”. Mariana teve colostro, um líquido que desempenha papel fundamental à imunidade dos bebês, e não precisou da relactação nos cinco dias após o parto. “O pouco de tecido que deixaram para não necrosar o mamilo foi o suficiente para ter colostro ali”.

Dentista, que retirou as mamas durante tratamento de câncer, usa relactação para ‘amamentar’ a filha de 6 meses — Foto: Arquivo Pessoal

Para ela, a relactação trouxe o alívio às preocupações que tinha em relação à amamentação. “Minha filha vai fazer sete meses e continuo fazendo a relactação, amo fazer. Estou vivendo o que queria ter vivido. É uma sensação muito prazerosa, muito incrível”.

Segundo ela, a filha mama normalmente no peito, só que o leite sai por uma sonda. “Não conhecia, não fazia ideia do que era e não entendia [a relactação]. No começo achei difícil, não consegui sozinha, mas hoje para mim é muito natural. Acho que isso salvou meu puerpério (…) e é mais do que eu tinha esperado”.

A médica obstetra, ginecologista e mastologista Maria Virgínia de Oliveira e Oliveira explicou que a relactação é uma técnica de aleitamento alternativa para situações em que a amamentação não é possível da forma tradicional, seja por problema de produção do leite ou da dificuldade de sucção do bebê.

“Nessa técnica é colocada uma sonda fixada no tórax da mãe em direção ao mamilo, e conectada a uma mamadeira com leite, que pode ser o leite materno, que a gente chama de translactação ou o leite artificial, que a gente chama de relactação”, explicou a médica.

Maria Virgínia afirmou que não há nenhuma contraindicação do procedimento. “Pelo contrário, a gente tem que estimular todas as técnicas e possibilidades que existem em relação ao aleitamento”.

Mariana se viu desesperada quando precisou retirar as mamas, pois sonhava em ser mãe e amamentar — Foto: Arquivo Pessoal

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Por: G1

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