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Erdogan é reeleito na Turquia em segundo turno apertado

today28 de maio de 2023 9

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Até a última atualização da reportagem, 99,66% das urnas já haviam sido apuradas e Erdogan vencia por 52,13% dos votos, contra 47,87% de seu adversário, Kemal Kilicdaroglu.

Antes mesmo do anúncio oficial, Erdogan já havia reivindicado vitória e deu um discurso em frente à sua casa.

“Gostaria de agradecer a cada membro de nossa nação que mais uma vez nos transmitiu a responsabilidade de governar a Turquia pelos próximos 5 anos”, disse ele diante de apoiadores na frente de sua casa.



“O único vencedor é a Turquia”, disse o presidente que está no poder há vinte anos.

Com a apuração já bastante avançada, o adversário Kilicdaroglu afirmou que “estas foram as eleições mais injustas em anos” na Turquia. O candidato derrotado também considera que o resultado mostrou o desejo da população turca de mudar um governo autoritário.

“Peço que continuem na luta pela democracia”, declarou Kilicdaroglu, dizendo que também continuará batalhando.

Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, vota no segundo turno das eleições presidenciais — Foto: Murad Sezer/REUTERS

A vitória de Erdogan contraria as pesquisas iniciais de intenção de voto, que indicavam uma possível derrota arquitetada, principalmente, por uma forte aliança de seis partidos em torno de um candidato comum, Kilicdalogru, e a performance do presidente turco durante os terremotos que atingiram o país no início do ano e deixaram mais de 50 mil mortos.

Erdogan pode assim sair fortalecido rumo à terceira década de governo, na qual especialistas indicam mais medidas autoritárias, uma aproximação da Rússia e afastamento da Europa e dos Estados Unidos.

No primeiro turno, Erdogan, conquistou 49,5% dos votos, não formando maioria e levando a um segundo turno das presidenciais. Kilic alcançou 44,9% e tem um grande desafio pela frente.

Cédula de votação mostra opções para a presidência na Turquia. Na foto, Recep Tayyip Erdogan e Kemal Kilicdaroglu são opções — Foto: Hannah McKay/REUTERS

Membro da Otan, a Turquia, com 85 milhões de habitantes, ocupa uma posição importante e muito estratégica na aliança militar, pela sua peculiaridade geográfica. O país fica na fronteira entre o Ocidente e Oriente. Uma pequena parte do seu território esta na Europa e grande parte na Ásia.

Estas eleições decidem não apenas quem lidera a Turquia, mas também como ela é governada, para onde sua economia irá depois de sua moeda cair para um décimo de seu valor em relação ao dólar em uma década, e a forma de sua política externa, que viu a Turquia enfurecer o Ocidente ao cultivar laços com a Rússia e os países do Golfo.

Bancada de mesário mostra cédula de votação para o segundo turno na Turquia — Foto: Hannah McKay/REUTERS

No primeiro turno, metrópoles como a capital Ancara e Istambul, Izmir, na costa oeste, e o leste, com a maioria curda, votaram majoritariamente na oposição. O centro do país, o coração conservador do país, defende Erdogan.

A direita religiosa, que representa mais da metade da sociedade turca, se reconhece em Erdogan, que tem nas mãos a maioria dos órgãos da imprensa do país.

Especialista em relações internacionais analisa vitória de Erdogan na Turquia

Especialista em relações internacionais analisa vitória de Erdogan na Turquia

Presidente turco, Tayyip Erdogan, durante coletiva da Otan — Foto: Yves Herman/REUTERS

Recep Tayyip Erdogan, de 69 anos, já está há mais de duas décadas à frente da Turquia, pois atuou anteriormente como primeiro-ministro e agora busca seu terceiro mandato consecutivo como presidente. Nenhuma eleição, entretanto, foi tão disputada como a deste ano.

Um nome chave na corrida eleitoral do segundo turno é o terceiro colocado. Sinan Ogan, político de direita e perfil nacionalista, decidiu apoiar Erdogan e a expectativa é que seus mais de 5% de eleitores defina o pleito.

No entanto, o discurso conservador do candidato distancia principalmente as mulheres e os jovens que estão descontentes com o atual presidente — e o impacto desses grupos pode ser significativo.

A faixa etária de 18 a 25 anos, por exemplo, representa 15% do eleitorado e, de acordo com um estudo de 2022 apoiado pela Fundação Alemã Konrad Adenauer, 62,5% deles estavam insatisfeitos com o governo de Erdoğan.

Rússia e política externa

O presidente da Turquia, Recep Tayip Erdogan, e o da Rússia, Vladimir Putin, em encontro a portas fechadas em Sochi, no sul da Rússia, em 5 de agosto de 2022. — Foto: Pool Sputnik Kremlin via Associated Press

Erdogan é um antigo aliado de Vladimir Putin, presidente da Rússia, e a forma como age (ou deixa de agir) perante a guerra na Ucrânia não tem agradado os colegas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), já que o grupo está do lado ucraniano.

Ainda assim, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse após o primeiro turno que seu país vai cooperar com qualquer um dos candidatos que vencer as eleições.

Tratores limpam destroços de prédios derrubados por terremotos em Antáquia, na Turquia — Foto: Thaier Al-Sudani/REUTERS

Recentemente, o país passou por problemas relacionados a inflação. Em outubro de 2022 a taxa chegou a 85%, o que tirou confiança de uma parte dos eleitores de Erdogan.

Em fevereiro deste ano, um terremoto de magnitude 7,8 atingiu o sul do país e o norte da Síria. Mais de 50 mil morreram no incidente, sendo quase 45 mil só na Turquia.

A forma como Erdogan lidou com a crise fez com que as minorias do país se voltassem contra ele, se sentindo desprotegidas, assim como os migrantes sírios durante o tremor.

Antes mesmo do fim das contagens e do anúncio oficial, alguns líderes mundiais parabenizaram a conquista de Erdogan.

  • Presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev
  • Primeiro Ministro húngaro, Viktor Orbán
  • Primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif
  • Primeiro Ministro do Governo de Unidade Nacional da Líbia, Abdul Hamid Dibeybe
  • Presidente da Somália, Hassan Sheikh Mohamud




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Por: G1

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