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Especialistas reprovam conduta de professora que puxou cabelo de aluno com TDAH: ‘violência gera violência’

today6 de setembro de 2023 6

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A docente confirmou em áudio enviado à mãe da criança ter puxado o cabelo do menino. Ela disse que o objetivo era mostrar a ele que dói e, portanto, ensinar a lição de que não deveria voltar a fazer o mesmo com os colegas (ouça o áudio abaixo).

Isso [ensinar puxando o cabelo] não é nem de perto uma tática ou método para usar com criança“, disse a psicanalista e educadora parental Nathalia de Paula. Ela reforçou que jamais deve se educar pelo exemplo negativo. “Violência gera mais violência”



Em áudio enviado à mãe de aluno, professora diz que pegou no cabelo dele

Em áudio enviado à mãe de aluno, professora diz que pegou no cabelo dele

A profissional ressaltou que uma criança de 4 anos não tem capacidade de discernimento. “Ela está começando a obter essa capacidade do que é certo ou errado”.

E orienta sobre o que poderia ter sido feito: “[Nesse caso] a gente pega um bichinho de pelúcia, pergunta o que acha que o amigo está sentindo, se foi tristeza. Nomear as emoções. Perguntar o que ele sentiu na hora”.

Nathalia destacou que existem várias técnicas a serem utilizadas para mostrar crianças com TDAH sobre os limites. “Quanto mais lúdica for a atenção para essa criança, mais ela vai absorver o comando e melhor entender que não pode fazer aquilo“.

Para a psicóloga especialista em psicopedagogia, Thalita Lacerda Nobre, é comum que crianças, independentemente dos transtornos, apresentem comportamentos agressivos. Ela aponta que os profissionais das escolas devem estar preparados para sensibilizar essas crianças com uma abordagem mais pedagógica.

Thalita destacou a importância da escolar agir preventivamente e preparar o ambiente para receber e trabalhar com aquela criança com TDHA ou outros transtornos. “[Elas] vão construindo uma ideia do que é o seu espaço, de espaço mútuo, de valores, então acho que a escola tem essa função”, explicou.

Nathalia reforçou que a escola deve garantir um tutor para a criança dentro da unidade de ensino assim que recebe o laudo com o diagnóstico. “[A medida visa garantir] que ele tenha suas necessidades especiais atendidas […] e aprendizagem conservada”.

A psicanalista afirmou que a professora e auxiliar de sala precisam saber como a criança deve ser tratada. “Família e escola têm que estar muito próximas porque cuidam da mesma criança. O ideal é que a escola siga as orientações dadas pela família e profissionais que acompanham [o aluno]”.

Mãe diz que professora puxou cabelo do filho de 4 anos com TDAH em Apiaí, no interior de SP — Foto: Arquivo Pessoal

Crianças com TDAH, de acordo com Nathalia, não se prendem às atividades por muito tempo. Ela explica que esse comportamento favorece a inquietação e dificuldade de concentração.

“A aprendizagem é diferente da criança que não tem [o transtorno]. […] muitos cartazes, comandos e desenhos fazem com que a criança preste mais atenção naquilo do que no professor”.

O estado de São Paulo por mais que não tenha os dados gerais de pacientes diagnosticados com TDAH, informou sobre os diagnósticos feitos em atendimentos ambulatoriais. O ministério da Saúde, por sua vez, disse não ter esse controle.

Em 2023, portanto, segundo a Secretaria Estadual de Saúde foram diagnosticadas 38.091 pessoas com o transtorno entre janeiro e junho, sendo 25.340 homens e 12.751 mulheres.

No mesmo, mas em 2022, foram 71.870 diagnósticos positivos para TDAH, sendo 48.082 homens e 23.787 mulheres.

Laudo neurológico da criança confirma que criança tem TDAH e descreve o comportamento dele — Foto: Arquivo Pessoal

A situação foi registrada como lesão corporal na Delegacia de Polícia do município, que investiga o caso, que segue em andamento para qualificar a professora, apurar as providências administrativas adotadas pela escola e eventual corpo de delito da criança, segundo o delegado Valmir Oliveira.

Em 10 de agosto, a criança puxou o cabelo de um colega e a professora teria agido da mesma forma para que ele sentisse como dói e não fizesse mais. Em um áudio obtido pelo g1, a docente disse à mãe da criança que o chamou para conversar e pegou no cabelo do menino (ouça abaixo).

Peguei no cabelo dele, falei assim: ‘Você gosta disso? Puxar o cabelo do coleguinha não é legal, bater, morder também não é legal, a gente vai explicando assim para ele […]. Estamos juntos para achar uma saída, vamos ter que achar um jeitinho para controlar né? Eu conversei com ele, deve ter ficado bravo, tá bom? Mas ele foi na brinquedoteca, ficou um tempão lá”, disse a professora.

A mãe explicou o que a levou a ir à delegacia. “Eu quero que eles vejam que foi uma violência psicológica desde que ele entrou [na escola]. Agora mais isso [do puxão do cabelo]”. Karine afirmou que nunca teve ajuda da escola em integrar o filho com os demais alunos e seguir as orientações médicas de como lidar com a criança.

Karine explicou que descobriu o TDAH há dois anos e que a escola foi comunicada sobre o diagnóstico feito por uma neuropediatra. Ela disse ter se reunido com os profissionais da unidade de ensino e compartilhado as orientações médicas sobre como deveria ser a abordagem com o filho.

A mãe, no entanto, informou que a escola não deu suporte e deixou de seguir algumas das recomendações, como mantê-lo sentado nas carteiras da frente. “Ultimamente ele estava reclamando de uma monitora que dava ‘peteleco’ na orelha dele. Eu não sabia o que era e ele ensinou [mostrou como ela fazia]”.

O g1 entrou em contato com a Escola Cecília Meireles, que não se posicionou até a última atualização desta reportagem.

Print mostra conversa que mãe teve com professora após o filho reclamar que ela havia puxado o cabelo dele em escola de Apiaí, SP — Foto: Reprodução

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Por: G1

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