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Família de homem morto por PMs da Rota na ‘Operação Escudo’ diz sentir alívio ao saber que policiais viraram réus: ‘Ele era inocente’

today25 de abril de 2024 5

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Segundo o Ministério Público, os agentes sabiam que Jefferson estava desarmado e simularam apreensão de pistola. Ele foi morto em julho de 2023, na Baixada Santista – saiba mais abaixo.

Um familiar de Jefferson contou em entrevista para a TV Vanguarda que ele era usuário de drogas, mas lutava contra o vício para poder cuidar dos filhos. Ele vivia entre São José dos Campos e São Paulo, por isso, desde o crime, amigos e familiares estranharam a presença de Jefferson na baixada santista e o suposto envolvimento com o tráfico.

Ainda segundo a família, eles veem a investigação do caso como uma forma de limpar o nome de Jefferson e provar que ele era inocente.



“Pra gente o mais importante era limpar o nome dele… O Jefferson, ele era pai, era trabalhador, só que ele era viciado. Eu me dou por satisfeita da Justiça reconhecer que ele era inocente”, declarou emocionada.

“Eles (os policiais) fazem um juramento para proteger a vida das pessoas. Eles tinham que proteger a vida do Jefferson, mas eles acabaram tirando a vida dele. Ele tem três filhos pequenos, e agora? Como ficam essas crianças? Se ele estivesse vivo… ele já se recuperou outras vezes do vício, ele teria oportunidade de criar os filhos dele. Hoje, ele não tem”, afirmou.

Depois da denúncia do Ministério Público aceita pela Justiça, para a família a sensação é de alívio.

“Sensação de alívio. Ele era educado, somos de uma família de trabalhadores. Infelizmente ele entrou no vício e não conseguimos tirar ele dessa. Ele era doente, precisava de ajuda do Estado e o Estado acabou tirando a vida dele”, lamentou.

Dois policiais da rota viram réus em morte de morador de São José dos Campos

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A Justiça de São Paulo tornou réus 2 policiais militares das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), a tropa de elite da PM paulista, por matar um homem e simular que ele estava armado durante a Operação Escudo, em julho de 2023, na Baixada Santista.

Segundo a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), na noite de 29 de julho de 2023, os policiais militares Rafael Perestrelo Trogillo e Rubem Pinto Santos mataram Jefferson Junio Ramos Diogo, de 34 anos, em uma favela localizada na Rua Quatro, número 1, em Guarujá.

Os PMs alegaram que Jefferson apontou arma para os policiais e que, por isso, dispararam 11 vezes e o atingiram. Após baleado, ainda segundo os policiais, Jefferson fugiu e, ao ser encontrado novamente, ainda portava a arma. Um dos policiais, então, efetuou mais 4 disparos.

Câmeras dos PMs registraram ação com diálogos forjados, segundo o MP — Foto: Reprodução

Depois, os PMs afirmam ter apreendido com ele uma pistola .40 com 8 munições, um carregador de pistola 9mm e porções de drogas em uma mochila.

Segundo o MP, entretanto, Jefferson estava desarmado e os PMs sabiam disso. Por isso, para evitar a responsabilização, “realizaram gestos dissimulados e diálogos referentes à arrecadação de uma pistola, posteriormente apresentada à Autoridade Policial [Polícia Civil]”.

“Os denunciados, mesmo com câmeras operacionais, não hesitaram simular a apreensão de uma pistola ao lado do corpo de vítima que, em verdade, estava desarmada”, diz trecho da denúncia apresentada pelo Ministério Público obtida pelo g1.

Ainda de acordo com a denúncia, para evitar que a câmera corporal registrasse que Jefferson estava desarmado, o policial Rubem Pinto Santos se colocou e lado para a cena.

Outros dois policiais participaram da ação. Um não foi denunciado pelo MP. O outro policial era Samuel Wesley Cosmo, que foi morto na Operação Verão em 2 de fevereiro deste ano.

O g1 questionou a Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo, administrada pelo ex-PM de Rota Guilherme Derrite. Segundo a pasta, os policiais foram afastados das atividades operacionais e passaram a atuar em funções administrativas, conforme determinação judicial. O g1 tenta contato com os advogados dos PMs.

“Todas as circunstâncias dos fatos foram apuradas por meio de Inquérito Policial Militar (IPM) e o procedimento foi remetido à Justiça Comum em outubro de 2023. As imagens das câmeras corporais foram encaminhadas em sua integralidade ao Ministério Público. Os policiais foram afastados das atividades operacionais e passaram a atuar em funções administrativas, conforme determinação judicial”, disse a SSP.

PMs atuaram de 28 de julho a 5 de setembro na Operação Escudo em Guarujá, SP, que resultou em 28 mortes — Foto: Divulgação/PM

Escudo foi o nome dado pelo governo de São Paulo à operação realizada entre julho e setembro de 2023 na Baixada Santista após a morte um policial militar na região. Durante a operação, 28 pessoas foram mortas.

Em 2024, com novas mortes de PMs na região, o governo voltou a realizar operações na Baixada – desta vez, batizadas de Verão. Na que vigiu entre 3 de fevereiro e 1º de abril, 56 pessoas foram mortas em ações policiais.

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Por: G1

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