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Fernández e Scholz reafirmam importância de um ‘rápido’ acordo UE-Mercosul

today29 de janeiro de 2023 12

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“Concordamos em aprofundar as relações comerciais bilaterais e, para isso, o acordo da União Europeia (UE) com o Mercosul tem importância essencial. Nosso objetivo é chegar a uma conclusão rápida” das negociações, declarou Scholz à imprensa depois do encontro com o chefe de Estado argentino.

Fernández, por sua vez, falou com Scholz sobre suas conversas prévias com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o propósito de Brasil e Argentina de que “possamos, de uma vez por todas, concluir” o acordo UE-Mercosul.

Após a volta de Lula ao poder, “estamos em melhores condições” para alcançar um acordo, reforçou Fernández.



Scholz iniciou na Argentina um giro sul-americano, que também o levará ao Chile e ao Brasil, onde será o primeiro líder das potências ocidentais a se reunir com Lula desde que ele assumiu o terceiro mandato, em 1º de janeiro.

A visita de Scholz à região tem como objetivo ampliar o comércio bilateral, o fluxo de investimentos e o financiamento de projetos nos três países.

Segundo o ministério argentino de Relações Exteriores, a Alemanha, principal parceiro comercial da Argentina na União Europeia, com um intercâmbio de 3,6 bilhões de dólares em 2022, demonstrou interesse no desenvolvimento e na exportação de energias renováveis.

Após a reunião bilateral, os líderes dos dois países assinaram um memorando de entendimento sobre a transição para a energia limpa e uma carta de intenções para fortalecer a cooperação na área de startups e economia do conhecimento.

No domingo, após visitar o Monumento às Vítimas do Terrorismo de Estado na última ditadura argentina (1976-1983), Scholz viajará para o Chile, onde visitará com o presidente Gabriel Boric o Museu da Memória dos Direitos Humanos, que relembra as atrocidades cometidas durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

Na segunda-feira, o chanceler alemão seguirá para Brasília, onde será realizada uma cúpula entre as maiores economias europeia e latino-americana.

A visita ao Brasil será observada de perto, depois de uma fragilização das relações durante o governo de Jair Bolsonaro.

A última visita de um chefe de Estado alemão ao Brasil ocorreu em 2015, quando a então chanceler Angela Merkel se reuniu com a presidente Dilma Rousseff, em Brasília.

O acordo comercial entre a UE e o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) é um dos principais temas na agenda da viagem de Scholz.

Este acordo foi selado em 2019 após 20 anos de negociações, mas ainda não foi ratificado e é alvo de fortes críticas em países europeus.

Os setores agrícolas e os movimentos ambientalistas da UE questionam em particular a procedência de produtos de áreas de desmatamento na floresta amazônica, que Lula se propôs a reverter desde que foi empossado no começo do mês.

Esta semana, Lula declarou no Uruguai que considera “urgente” a conclusão deste acordo entre os dois blocos.

Esta urgência encontra eco nos setores industriais da Alemanha, que veem um mercado promissor nos países sul-americanos, ameaçado pela presença crescente da China.

A poderosa federação alemã de fabricantes de máquinas e ferramentas pediu antes da viagem de Scholz que o acordo “seja finalmente aplicado após anos sem chegar a lugar nenhum”. “O tempo urge”, insistiu a entidade.

As empresas alemãs buscam oportunidades de negócios após as turbulências no fornecimento de matérias-primas provocadas pela invasão russa da Ucrânia.

Fernández disse a Scholz que “a Argentina quer se tornar um fornecedor seguro de gás no mundo, (e) também de lítio e hidrogênio verde”.

A proteção do meio ambiente será outro tema-chave da visita do chanceler alemão, sobretudo no Brasil.

Após a vitória de Lula nas eleições de outubro, a Alemanha anunciou que vai retomar suas contribuições ao Fundo de Conservação da Floresta Amazônica, congeladas durante o governo Bolsonaro, com um primeiro pagamento de 35 milhões de euros.

“O governo Bolsonaro promoveu uma ruptura na política ambiental brasileira, fechou as portas da diplomacia ambiental”, disse à AFP Roberto Goulart Menezes, do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília.

“O governo Lula, ao contrário, retoma esta agenda e a coloca entre suas prioridades”, acrescentou.

Em Buenos Aires, Scholz abordou o tema da guerra na Ucrânia. Fontes do governo alemão haviam antecipado que o chanceler busca que os países sul-americanos se inclinem a favor de Kiev.

Após manifestar sua “preocupação” com a ocupação russa e pedir o “fim das hostilidades”, Fernández acrescentou que “a Rússia deve entender o prejuízo que causa ao mundo” com a invasão.

Brasil, Argentina e Chile condenaram na ONU a invasão russa, mas nenhum dos três impôs qualquer sanção econômica a Moscou.

Fernández disse esperar que “a paz se recupere o quanto antes”, assegurando que nem a Argentina, nem ninguém na América Latina “está pensando em enviar armamentos” à Ucrânia.

Lula chegou a receber críticas ao declarar, em 20 de dezembro, que o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, era “tão responsável” pelo conflito em seu país quanto o mandatário russo, Vladimir Putin.




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Por: G1

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