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Geografia da Baixada Santista estimula e favorece a criminalidade, apontam especialistas

today4 de agosto de 2023 3

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O cenário é o mesmo há alguns dias: viaturas cruzando, a toda velocidade, as ruas das cidades da região, após a morte do soldado da Rota Patrick Bastos Reis, baleado quando fazia patrulhamento em uma comunidade em Guarujá, no litoral de São Paulo.. A Operação Escudo, em resposta à morte do oficial, desencadeou 16 mortes confirmadas pela Secretaria de Segurança Pública, mais dois policiais feridos e um clima de apreensão permanente.

O cenário mais sombrio desde os crimes de maio de 2006, quando as forças de segurança reagiram aos ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) e mataram ao menos 108 pessoas, segundo a Defensoria Pública, traz à luz a discussão sobre o que levou a região para o atual panorama, e o que é preciso para sair dele.

Especialistas ouvidos indicam alguns motivos para o estabelecimento do quadro atual do embate entre a polícia e a criminalidade.



“A Baixada Santista é um território muito estratégico para o crime organizado, em função das suas rotas ao tráfico de drogas, incluindo o Porto de Santos, com forte atuação das de facções”, afirma o pós-Doutor em Direito pela USP e Doutor em Ciências Sociais pela PUC-SP e professor da Unisanta, Cláudio Tucci Junior.

O que se sabe sobre a morte de um policial da Rota em Guarujá e da Operação Escudo

O que se sabe sobre a morte de um policial da Rota em Guarujá e da Operação Escudo

A geografia dos municípios da Baixada Santista é propícia para as ações criminosas. “Onde há mais morros e mais matas, por causa da Serra do Mar, o trabalho cotidiano da polícia é dificultado. Torna mais difícil chegar aos lugares rapidamente. E os locais que possuem mata, proporcionam fuga mais fácil”, argumenta o especialista criminal e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Guaracy Mingardi.

Segundo ele, a região foi uma das últimas áreas onde o PCC obteve hegemonia, após dividir espaço com outros grupos menores, além de facções de outros estados, como o Rio de Janeiro. “Nessa região, há um fluxo da população, com aumento e diminuição muito rapidamente. Em determinados períodos, a venda de drogas aumenta muito. É preciso de uma estrutura montada para atender o mercado”, diz Mingardi.

Tucci Junior entende, por sua vez, que é nas áreas mais carentes que o crime encontra espaço para se fortalecer. “O tráfico se aproveita das comunidades carentes para desenvolver planos alternativos, viabilizando a continuidade de suas operações ilegais. Nesse sentido, onde há ausência do estado, há avanço do crime organizado”.

Veja o resultado do Censo 2022 nas 9 cidades da Baixada Santista — Foto: Alexsander Ferraz/Jornal A Tribuna

A Operação Escudo também foi analisada pelos especialistas, que se dividiram entre uma “cortina de fumaça” à “parcimônia e análise criteriosa” .

“Quando a polícia vai e mata várias pessoas, os próximos que ela for pegar vão elevar o tom do confronto. O caso da policial que levou um tiro de fuzil [em Santos] foi uma demonstração de subida do tom”, entende Guaracy Mingardi, que acusa ser a operação para “desviar a atenção” do problema com usuários de drogas na Cracolância, em São Paulo.

Cláudio Tucci Junior pede parcimônia na análise. “O uso da força é monopólio do Estado. A polícia é treinada para neutralizar os opressores e proteger os cidadãos. Mas toda atuação deve ser pautada pela legalidade e observância aos procedimentos táticos e técnicos”.

Guaracy Mingardi, ,membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública — Foto: Arquivo Pessoal

Ele aponta a mudança pelo viés social para diminuir a força do crime. “A virada social começa com a entrada das tropas especiais da Polícia Militar, que realizam a chamada Operação Saturação, para o restabelecimento da ordem e da segurança na área. Em paralelo, vários atores do poder público e sociedade civil e se organizam para realizar ações para melhoria na qualidade de vida dos moradores”.

Já o membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aposta na necessária ampliação das frentes de investigação, feitas de forma contínua. “O Estado não funcionou na investigação como deveria. Você tem que chegar no fundo, impedir que determinadas coisas aconteçam e ficar fazendo represália depois”.

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Por: G1

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