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Homem morto em operação policial foi fotografado usando muletas 1h antes de ser baleado; PM diz que houve confronto

today14 de março de 2024 12

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Leonel Andrade Santos, de 36 anos, é um dos 43 mortos da Operação Verão, em vigor na Baixada Santista, no litoral de São Paulo. Ele usava muletas quando foi baleado, segundo a PM, durante um confronto no Morro São Bento, em Santos. Além dele, Jefferson Ramos Miranda, de 37 anos, também foi morto.

Uma moradora da comunidade fotografou Leonel aproximadamente uma hora antes da morte, ao lado das muletas, como é possível ver na imagem obtida pelo g1 nesta quinta-feira (14).

Para a merendeira e esposa de Leonel, Beatriz da Silva Rosa seria impossível o marido trocar tiros com a polícia, pois não conseguiria correr. “Ele tinha dificuldade para se segurar, andar e se locomover com as muletas. […] Até embaixo do sovaco vivia cheio de calos. Não tem como, não teve troca de tiros”.



Conforme apurado pelo g1, a foto de Leonel foi feita sem querer. Ele apareceu na imagem enviada por uma moradora a um motoboy para que o profissional visse o local da entrega de um pedido. O registro foi enviado à esposa de Leonel um dia após o sepultamento.

Homem morto em operação policial, no Morro São Bento, em Santos, foi fotografado uma hora antes de morrer — Foto: Reprodução

Beatriz era casada com Leonel há 14 anos e, segundo ela, o marido recebia o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

O homem estava na fila de espera para uma cirurgia de retirada do projétil alojado no joelho há 15 anos, quando foi baleado pela polícia. A esposa contou que, na época, o marido era envolvimento com o tráfico de drogas e ficou preso por 10 anos, mas, após isso, deixou o crime.

“Ele nunca conseguia ficar sem as muletas dele. Uma perna estava até menor que a outra porque demorou muito tempo para operar e já estava até atrofiada”, contou a merendeira.

A mulher disse que era Leonel quem cuidava dos três filhos do casal, de 3, 6 e 9 anos, enquanto ela trabalhava. Beatriz afirmou que as crianças estão com o psicológico destruído após a morte do pai e, por isso, entrará na Justiça contra o estado. Ela negou que o marido tivesse arma.

“O Leonel era um menino tão doce, juro pela vida dos meus filhos. Eu nunca escutei o Leonel falar que tinha ódio de polícia. Ele era muito na paz. […] Sempre foi aquele pai que ficava a noite toda acordado, que fazia mamadeira, dava atenção quando [os filhos] estavam doentes”, disse.

Segundo a SSP-SP, o caso é investigado pelas polícias Civil e Militar, com acompanhamento da Corregedoria, Ministério Público e Poder Judiciário.

Na ocasião dos fatos, Leonel e Jefferson foram baleados e mortos, de acordo com a pasta, após apontarem armas para policiais militares durante uma ocorrência de tráfico de drogas.

A SSP-SP afirmou que a dupla foi socorrida e levada ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos. Na ação, foram apreendidos com eles um revólver calibre 38, uma pistola calibre 35, dois rádios transmissores e cerca de cinco mil porções de drogas, além de quantia em dinheiro.

Segundo o boletim de ocorrência, obtido pelo g1, a equipe policial estava em patrulhamento pela operação em combate ao crime organizado na área de mata do Morro São Bento na noite de sexta-feira (9), quando se deparou com a dupla armada na Rua São Mateus. Um dos homens estava com uma mochila e o outro com uma sacola.

De acordo com a corporação, os indivíduos passaram a atirar na direção dos policiais, que revidaram com tiros de fuzis. Ao todo, foram dez disparos: sete realizados por um dos agentes e três por outro.A dupla foi atingida e socorrida até a Santa Casa de Santos, mas não resistiu.

As famílias dos envolvidos contestam a versão dada pelos policiais e dizem que os policiais formaram uma barreira fechando a rua, impedindo que elas pudessem vê-los. Vídeos mostram a tentativa delas de passar pelo isolamento policial, sem sucesso. Além disso, os agentes estavam sem identificação na farda, sem câmeras corporais e o socorro demorou, afirmam.

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Por: G1

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