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Mãe luta por cirurgia que fará o filho de 15 anos com paralisia cerebral voltar a andar: ‘atrofiando’

today11 de novembro de 2022 37

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Uma mãe e moradora de Guarujá, no litoral de São Paulo, luta há três anos para conseguir uma cirurgia que fará o filho, de 15, voltar a andar. O adolescente, que tem paralisia cerebral, começou a ter dificuldade de movimentos durante a pandemia, assim que parou de fazer fisioterapia. “Ele corria e andava de bicicleta. É triste, porque uma criança que sempre fez de tudo e hoje não faz nada”.

De acordo com Elisângela Nascimento de Lima, de 36 anos, o filho Adriano Lima de Andrade vivia normalmente e sempre fez fisioterapia no Centro de Recuperação de Paralisia Infantil e Cerebral (CRPI) da cidade. A pandemia, segundo ela, mudou a rotina do jovem e trouxe sequelas.

Elisângela conta que os atendimentos pararam e, com a falta das consultas e tratamento, o menino passou a ter uma limitação maior de movimentos do lado direito, além de uma luxação entre o quadril e o fêmur. “Os ossos da perna direita foram atrofiando, cada dia mais, até que, infelizmente, ele parou de andar, e vem sofrendo com dores”.



Ao g1, a mãe contou que há três anos corre atrás de uma cirurgia para colocar uma placa no fêmur do filho. “Não aguento mais ver ele sofrendo de dor e não poder fazer nada”. Ela conta que desde que começaram as dores, em 2020, busca atendimento médico, que só foi possível após decisão judicial.

Depois de quatro consultas, de acordo com ela, a cirurgia foi marcada para 22 de julho deste ano, mas, um dia antes do procedimento, no dia 21, Elisângela recebeu uma ligação da Santa Casa de Santos desmarcando a operação por falta de material. “O hospital alegou que não tinha a placa, e que o SUS (Sistema Único de Saúde) não quer fornecer”, contou.

A mãe disse que precisou parar a vida para se dedicar ao filho e, até o momento, Adriano não recebeu nenhuma previsão de uma nova data para cirurgia. Com isso, já são quase quatro meses sem respostas e mais uma ação na Justiça.

“Eu fico de mãos atadas e muito triste com essa situação toda. Nunca pensei em passar por isso. Eu nunca pensei em ter que brigar por um direito que o meu filho tem. Ele tem esse direito”, lamentou.

Segundo a mãe, o jovem desenvolveu uma limitação de movimentos após ter que parar a fisioterapia — Foto: Arquivo Pessoal

Por meio de nota, a Santa Casa de Santos informou que, em relação à cirurgia, as questões do material necessário e aprovação do SUS foram resolvidas e que seria definida uma data do procedimento junto à equipe médica do hospital.

Já a Prefeitura de Guarujá, também por meio de nota, disse que, por se tratar de uma habilitação específica de alta complexidade, as cirurgias ortopédicas infantis são encaminhadas para o equipamento hospitalar regional, neste caso a Santa Casa de Santos. Por este motivo, afirmou que o acompanhamento e realização do procedimento não são de governança da cidade.

O g1 também entrou em contato com a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Ao g1, o ortopedista Marcus Vinicius Moreira explicou que a fisioterapia é de extrema importância nos casos de paralisia cerebral, principalmente para estimulações e otimizações de resultados motores, e tentativa de prevenção de deformidades.

No entanto, o especialista afirma que a luxação é uma característica de alguns graus da paralisia cerebral. “Algumas deformidades podem acontecer sem ou com a fisioterapia, depende da gravidade que a paralisia tem. A luxação de quadril é um evento à parte”, disse.

O neurocirurgião João Luís Cabral Júnior completa que, em geral, durante a pandemia, o índice de casos de más evoluções por falta de reabilitação aumentou. Por isso, houve uma “piora generalizada” para pacientes dependentes da reabilitação, em especial crianças paraplégicas ou tetraplégicas.

Cabral acrescenta, ainda, que a atrofia muscular e a incapacidade do lado mais fraco se deve principalmente à falta de estímulo fisioterápico, provenientes da reabilitação. “A musculatura atrofia pelo desuso”, pontua. O neurocirurgião explica que muitas vezes a atrofia muscular acarreta na atrofia óssea e articular, que também ocorrem pelo desuso.

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Por: G1

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