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Negacionismo, pedido de desculpas, ‘gatinho mimoso’: como foi 1º debate entre candidatos na Argentina

today2 de outubro de 2023 12

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À beira de um colapso econômico, a Argentina vai às urnas em 22 de outubro, sob tensão também política por conta do favoritismo do candidato da extrema direita, Javier Milei, que se declara “anarcocapitalista” e levanta bandeiras polêmicas como fechar o Banco Central (leia mais abaixo).

As principais pesquisas indicam Milei e Massa no segundo turno, mas Bullrich apareceu em segundo lugar em um novo levantamento publicado horas antes do debate.

Veja aqui alguns dos destaques de debate:



Desaparecidos na ditadura

O candidato ultraliberal Javier Milei afirmou que os números de desaparecidos durante a ditadura militar do país estimado por organizações de direitos humanos é superestimado.

“Não foram 30 mil desaparecidos (como estimam organizações de direitos humanos). Foram 8.753”, afirmou Milei.

Milei se baseou em números da Comissão Nacional para o Desaparecimento de Pessoas (Conadep), que quatro décadas atrás cifrou em cerca de 8 mil os desaparecidos, mas reconhecendo que o número poderia ser maior.

Um novo levantamento do governo 20 anos depois chegou à cifra de cerca de 13.000, levando em conta apenas denúncias que haviam chegado à Secretaria de Direitos Humanos do país.

A candidata Myriam Bregman, da Frente de Esquerda e Trabalhadores-Unidade, também participou do debate e culpou o Fundo Monetário Internacional (FMI) como parcialmente culpado pelos problemas econômicos da Argentina.

Mas ela aproveitou para espetar Milei, em uma aparente analogia com o cabelo do candidato – segundo a imprensa argentina, o ultradireitista gosta de ser chamado de leão.

“Milei é um empregado dos grandes grandes empresários, que ganharam milhões estes anos, e com quem esperam ganhar muito mais. (Milei) Não é um leão, é um gatinho mimoso do poder econômico”.

Níveis de vida dos Estados Unidos em 20 anos

Javier Milei disse que pode transformar Argentina em Alemanha em 20 anos.

Javier Milei disse que pode transformar Argentina em Alemanha em 20 anos.

Milei repetiu algumas vezes o modelo econômico que baseia sua campanha: dolarizar a economia, reduzir drasticamente gastos públicos, ampliar as privatizações e fechar o Banco Central.

As propostas não são novas, mas, desta vez, ele garantiu que o modelo pode levar a Argentina a “níveis similares aos Estados Unidos” em um período de 20 anos.

“Com esse conjunto de reformas, a Argentina, em 15 anos, poderia alcançar níveis de vida similares aos que têm Itália ou França. Em 20 (anos), Alemanha e, em 35 (anos), os Estados Unidos”, disse.

Nível de vida do ‘Zimbábue, Equador e El Salvador’

Já o ministro da Economia, Sergio Massa, retrucou e disse que, no lugar dos países citados pelo rival, a Argentina se igualará a países que adotaram o dólar como moeda e vivem fortes crises econômicas.

“(com o plano de Milei) A Argentina terminará sofrendo os mesmos problemas de Zimbábue, Equador e El Salvador”, afirmou. “Obviamente, se sai de uma crise com equilíbrio fiscal e acumulação de reservas, mas não rifando nossa moeda e colocando outra bandeira no Banco Central”.

Principal alvo de Javier Milei e de Patricia Bullrich, Massa passou parte do debate dando explicações sobre a situação econômica do país. Até chegou ao ponto de pedir desculpas, mas tentando se distanciar do governo.

“Estou ciente que a inflação é um dos piores problemas da Argentina, e também tenho claro que os erros deste governo fizeram mal às pessoas. E por isso, embora eu ainda não fosse parte da equipe do governo na época, peço desculpas”, disse.

‘Apagar a inflação do mapa’

Os quatro candidatos à presidência da Argentina, durante debate ao vivo, em 1 º de outubro de 2023. — Foto: Tomas Cuesta/ pool via Reuters

A ex-peronista Patricia Bullrich, cuja frente partidária ficou em segundo lugar nas primárias, também disparou contra Milei e Massa.

Bullriche, que vem perdendo posições nas pesquisas e aparece em terceiro lugar na maioria delas, chamou as propostas do rival ultradireitista de irreais e culpou Massa pelo fracasso econômico do país.

A candidata direitista se apresentou como a melhor solução para “eliminar a inflação”. Não deu detalhes, porém, de como fará isso.

“Todos nós estamos clamando pelo fim da angústia em que estamos vivendo. Ninguém na Argentina aguenta mais”, disse. “Comigo, isso vai acabar. Vou apagar do mapa a inflação”.

De acordo com a lei argentina, dois debates com presença obrigatória devem ser realizados antes das eleições, que acontecem em 22 de outubro. Os candidatos que não comparecerem serão punidos com o cancelamento de suas campanhas.

O segundo debate, que vai abordar temas como segurança, trabalho, moradia e meio ambiente, será realizado no próximo domingo (8) em Buenos Aires.




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Por: G1

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