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Operação Verão é 60,7% mais letal do que Operação Escudo no litoral de SP

today16 de março de 2024 6

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Em nota, a Ouvidoria de Polícias de São Paulo afirmou que considera “estatísticas de tragédias humanitárias” o número de suspeitos mortos. Segundo o órgão, os relatos de parente das vítimas demonstram excessos nas ações policiais que precisam ser investigados “para o bem da própria corporação”.

“A sociedade precisa da polícia e seu histórico trabalho profissional, lançando mão de tecnologia e inteligência, como, por exemplo, as câmeras portáteis, que protegem tanto a população quando os policiais”, informou a Ouvidoria, em nota.

A Ouvidoria também garantiu que continuará com a missão de encaminhar as denúncias e acompanhar as investigações para garantir os direitos da sociedade civil e das forças de segurança.



Ao g1, a SSP-SP reforçou que “os casos de mortes em decorrência de intervenção policial (MDIP) são consequência direta da reação violenta de criminosos à ação da polícia no combate ao crime organizado”.

Ainda segundo a pasta, a determinação é que todas as mortes sejam rigorosamente investigadas pelas polícias Civil e Militar, com o acompanhamento do Ministério Público e do Poder Judiciário, “que inclusive têm acesso às imagens das câmeras corporais portáteis (COPs) utilizadas pelos PMs envolvidos nas ocorrências”.

Um dos confrontos aconteceu durante patrulhamento no Morro do Itararé, em São Vicente — Foto: Yasmin Braga/TV Tribuna

De acordo com profissionais especialistas em segurança ouvidos pelo g1, o cenário atual é reflexo da influência do crime organizado na Baixada Santista. “O que nós estamos enfrentando hoje é, realmente, uma guerra entre o estado e criminosos. Eu entendo que, desde que a polícia siga procedimentos bastante claros e técnicos de atuação, o número de mortes é aumentado”, disse o advogado criminalista, mestre em Direito e professor, Rafael Paiva.

Para ele, a omissão do Estado por anos deixou um “vácuo de poder” que foi preenchido pelo crime organizado. O ex-chefe de gabinete da secretaria de Justiça do Estado de São Paulo e doutor em Direito e Ciências Sociais, Cláudio Tucci Junior, também acredita que as ações policiais evidenciam a gravidade e persistência da violência ligada ao crime organizado.

“As causas nefastas [graves] deixadas por essas organizações criminosas nas populações mais vulneráveis são inegáveis, com impactos profundos na segurança e no bem-estar dessas comunidades”, enfatizou, em relação aos locais alvos de operações.

De acordo com Paiva, o governo quer retomar o poder sobre a Baixada Santista e, por isso, confrontos se tornam comuns. “Obviamente que ninguém aplaude e comemora a morte, porém, o que se espera é que haja mais ação estatal direta, objetiva e ríspida para que, de fato, esse crime organizado que assolou a Baixada Santista seja expurgado ou diminuído pelo menos, para que a paz possa voltar a reinar”, relatou.

Tucci explicou que a rota do tráfico na Baixada Santista é um fator crucial na arrecadação de recursos para o crime organizado, principalmente pelo Porto de Santos.

“Essa conexão entre o tráfico de drogas e a economia ilegal destaca a complexidade do desafio enfrentado pelas autoridades para desmantelar essas redes criminosas e interromper o fluxo de entorpecentes”, disse.

Por isso, o ex-chefe de gabinete crê que é necessário enaltecer a atuação das forças de segurança pública, contanto que se investigue possíveis excessos nas ações para garantir a transparência e o respeito aos direitos humanos.

“A busca por soluções eficazes requer uma abordagem multidimensional que leve em consideração as causas estruturais da criminalidade e promova a justiça social e a segurança para todos os cidadãos”, finalizou Tucci.

PM da Rota morto era da capital de SP e estava em serviço quando foi atingido por criminosos — Foto: Arquivo Pessoal

A Operação Escudo foi deflagrada na região após a morte do PM da Rota Patrick Bastos Reis, em julho de 2023. Na ocasião, o agente foi baleado durante patrulhamento em Guarujá (SP).

José Silveira dos Santos (à esq.) e Samuel Wesley Cosmo (à dir.) — Foto: Reprodução

De acordo com a SSP-SP, desde o início da 1ª fase da ação, em 18 de dezembro, 912 criminosos foram presos, incluindo 354 procurados pela Justiça, e 654,8 quilos de drogas retiradas das ruas. Além disso, 93 armas ilegais, incluindo fuzis de uso restrito, foram recolhidos. Até o momento, foram registradas 47 mortes de suspeitos (veja a tabela abaixo).

Mortes de suspeitos – Operação Verão

Cidade Número de mortes
Santos 22
São Vicente 16
Guarujá 5
Itanhaém 2
Cubatão 2

No dia 26 de janeiro, o policial militar Marcelo Augusto da Silva foi morto na rodovia dos Imigrantes, na altura de Cubatão. Ele foi baleado enquanto voltava para casa de moto. Uma grande quantidade de munições estava espalhada na rodovia. O armamento de Marcelo, no entanto, não foi encontrado.

Segundo a Polícia Civil, Marcelo foi atingido por um disparo na cabeça e dois no abdômen. Ele integrava o 38º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M) de São Paulo, mas fazia parte do reforço da Operação Verão em Praia Grande (SP).

Policiais militares Marcelo Augusto da Silva, Samuel Wesley Cosmo e José Silveira dos Santos, mortos na Baixada Santista (SP) — Foto: Reprodução/Redes Sociais e g1 Santos

No dia 2 de fevereiro, o policial das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) Samuel Wesley Cosmo morreu durante patrulhamento de rotina na Praça José Lamacchia. O agente chegou a ser socorrido para a Santa Casa de Santos (SP), mas morreu na unidade.

Uma gravação de câmera corporal obtida pelo g1 mostra o momento em que o soldado da Rota foi baleado no rosto durante um patrulhamento no bairro Bom Retiro (assista abaixo).

Vídeo mostra o PM da Rota sendo baleado no rosto em viela no litoral de SP

Vídeo mostra o PM da Rota sendo baleado no rosto em viela no litoral de SP

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Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Santos.

Por: G1

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