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Operação Verão: famílias contestam versões de PMs em boletins de ocorrência

today11 de março de 2024 2

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No dia 9 de fevereiro, Leonel Andrade, 36, estava com um amigo, Jeferson Miranda, 37, conversando por volta de 20h, próximo de onde os dois moravam, no Morro do São Bento, em Santos, quando foram surpreendidos por policiais do 4º Batalhão de Choque. Segundo a família e vizinhos, que testemunharam a ação, os agentes chegaram atirando.

“Meu marido recebia o BPC, que é um benefício do INSS, por ele ser deficiente. Ele usava muleta, mal conseguia segurar a muleta dele, não tinha nem como segurar um revólver. Quando eles chegaram, eles saíram do mato já atirando, não deu tempo nem de ele levantar”, conta a esposa de Leonel, a merendeira Beatriz da Silva Rosa, 29.

Leonel, morto pela PM na Baixada Santista — Foto: Arquivo pessoal



De acordo com o boletim de ocorrência, a equipe policial estava em patrulhamento de combate ao crime organizado na área de mata do morro, quando se deparou com a dupla armada na rua. Os dois, segundo os agentes, teriam atirado na direção dos policiais, que revidaram com tiros de fuzis. Ao todo, foram dez tiros: sete disparados por um dos agentes e três por outro. Com eles, os policiais teriam encontrado armas e drogas.

Leonel já havia sido preso por tráfico de drogas, mas cumpriu a pena e não tinha mais nenhum envolvimento com o crime, segundo a família. Já Jeferson nunca teve passagem pela polícia e trabalhava como motoboy.

“A gente formou uma família, tivemos filhos e aí ele sossegou, ele mal saía de casa, tava esperando a cirurgia das pernas. Meu marido era um pai maravilhoso, deixou três crianças pequenas”, diz Beatriz.

A família de Jeferson também contesta a versão policial. “Ele era um menino muito alegre, não tinha tempo ruim, era um menino trabalhador, nascido e criado aqui. Não tem justificativa para isso”, afirma a irmã, Juliana Ramos, 34.

As duas famílias dizem que os policiais formaram uma barreira fechando a rua, impedindo que elas pudessem vê-los. Vídeos mostram a tentativa delas de passar pelo isolamento policial, sem sucesso. Além disso, os agentes estavam sem identificação na farda, sem câmeras corporais e o socorro demorou, afirmam.

Jeferson também morreu em ação policial — Foto: Arquivo pessoal

“O Leonel ficou mais ou menos 2h30 aqui, caído, esperando o resgate. Aí levaram ele e 1h depois, voltaram para buscar o Jeferson. Meu irmão morreu às 22h20 da noite, com uma parada cardiorrespiratória, mas ele tomou o tiro às 20h. Se tivesse, pelo menos, socorrido rápido, ele não teria morrido”, conta Juliana.

Jeferson era o mais velho de cinco irmãos. Desde a morte dele, a mãe conta que vive à base de remédios. “Eu não tenho força para nada. Ele era tudo na minha vida, era meu menino. Agora a gente quer justiça”, diz a mãe.

Procurada para responder sobre as denúncias de abuso policial, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo ainda não respondeu.

A Operação Verão foi estabelecida na Baixada Santista desde dezembro de 2023. No entanto, com a morte do PM Samuel Wesley Cosmo, em 2 de fevereiro, o Estado deflagrou a 2ª fase da ação com o reforço policial na região.

Em 7 de fevereiro, mais um PM foi morto, o cabo José Silveira dos Santos. Na ocasião, começou a 3ª fase da operação, que foi marcada pela instalação do gabinete de Segurança Pública em Santos e mais policiais nas cidades do litoral paulista. A equipe da SSP-SP manteve a sede na Baixada Santista por 13 dias.

A 3ª fase da Operação Verão permanece em andamento por tempo indeterminado. Já foram registradas 40 mortes de suspeitos.

Segundo a SSP-SP, desde o início da 1ª fase da ação, em 18 de dezembro, 876 criminosos foram presos, incluindo 334 procurados pela Justiça, e 616,2 kg de drogas retiradas das ruas. Além disso, 90 armas ilegais, incluindo fuzis de uso restrito, foram recolhidos.




Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Santos.

Por: G1

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