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Ouvidoria da Polícia de SP visita Baixada Santista após denúncias de operação com 19 mortos

today11 de fevereiro de 2024 4

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Em entrevista à TV Tribuna, emissora afiliada da Globo, Cláudio afirmou que os moradores das comunidades têm procurado as ouvidorias e entidades para denunciar ameaças e invasões em residências. De acordo com ele, a maior reclamação é sobre as mortes por confrontos policiais.

“Nós temos denúncias de que pessoas inocentes têm morrido e estão sendo registradas como confronto”, afirmou o ouvidor.

Por conta das denúncias, ainda de acordo com Cláudio, a Ouvidoria de Polícia de São Paulo e a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, além de outras entidades sociais, foram em algumas comunidades na região onde os suspeitos foram mortos. As famílias deles e outros moradores das áreas foram ouvidos pelos órgãos.



“Queremos visitar e entender as dinâmicas […] para poder ter uma leitura real do que efetivamente está acontecendo a partir do ponto de vista da comunidade”, acrescentou o ouvidor.

Cláudio afirmou também que, a partir dos relatos e de possíveis provas citadas nas denúncias à Ouvidoria de Polícia do estado, fará um relatório para apresentar os dados às instituições competentes, como o Ministério Público e as corregedorias da Polícia Militar e Civil. Ele ressaltou que, se necessário, órgãos internacionais também devem ser acionados.

Ouvidoria na Baixada Santista

Em seguida, as autoridades visitaram algumas comunidades da região. De acordo com o ouvidor de polícia do estado, a primeira impressão é de que os moradores estão aterrorizados. “[O medo] não pode ser produzido pela política de segurança pública”, afirmou ele.

A ouvidoria, ainda de acordo com Cláudio, estará em estado de atenção até o final da Operação Verão. Ele afirmou, por fim, que mais relatos podem ser colhidos na região se necessário.

19 mortos na Baixada Santista

O número de suspeitos mortos após confronto com policiais na Baixada Santista, no litoral de São Paulo, chegou a 19 no último sábado (10). A informação foi divulgada pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), que não inclui na contagem o homem que pulou de um prédio de quatro andares para fugir de PMs.

As mortes começaram há uma semana, após o reforço do policiamento na região com o assassinato do PM das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), Samuel Wesley Cosmo. Depois da morte do cabo da PM José Silveira dos Santos, a secretaria montou um gabinete em Santos (SP) para coordenar a operação.

O último registro suspeitos mortos por confrontos com a polícia aconteceu no sábado (10), na Avenida Martins Fontes, em Santos (SP). Allan de Morais Santos, também conhecido como ‘Príncipe’ dentro de uma facção criminosa, foi baleado por policiais militares ao desobedecer uma ordem de parada e jogar o carro que dirigia contra uma viatura.

‘Príncipe do Crime’ morreu baleado por PMs após desobedecer ordem de parada e jogar carro contra viatura — Foto: Reprodução

Em nota, a SSP-SP afirmou que todos os casos são rigorosamente investigados pela 3ª Delegacia de Homicídios da Deic de Santos, com o acompanhamento do Ministério Público e do Poder Judiciário.

Confira, abaixo, o que se sabe sobre as mortes no litoral de SP:

O primeiro suspeito, que não foi identificado, morreu na madrugada. O caso aconteceu na Avenida Francisco da Costa Pires, no bairro São Jorge, em Santos. Segundo a SSP-SP, policiais da Rota estavam em operação no local quando foram recebidos a tiros pelo homem e revidaram. O suspeito chegou a ser socorrido ao Hospital Vicentino, mas não resistiu.

José Marcos Nunes da Silva, de 45 anos, foi morto dentro do próprio barraco na comunidade do Sambaiatuba — Foto: Arquivo Pessoal e g1 Santos

Por volta das 11h do mesmo dia, outro suspeito – também não identificado – morreu na Rua Joaquim Teixeira de Carvalho, no bairro do Bom Retiro, em Santos. Ele foi atingido após atirar contra policiais do 3º BPChq.

Durante aquela noite, outras três mortes foram registradas na Vila dos Criadores, também em Santos. De acordo com a SSP-SP, suspeitos atiraram contra policiais que faziam uma incursão na região e, depois, fugiram. No entanto, houve troca de tiros e o trio acabou atingido.

Rodnei da Silva Sousa, de 28 anos, morreu após ser baleado por tiros de fuzis de dois PMs da Rota no Morro São Bento, em Santos. Ele estava em um carro de aplicativo que foi abordado pelos agentes.

Segundo o boletim de ocorrência, o motorista de aplicativo atendeu a ordem dos policiais e desceu. Porém, o passageiro, que estava no banco da frente, teria apontado uma arma contra os agentes. Dois PMs reagiram e dispararam.

Rodnei veio de Peruíbe e vivia no Morro do São Bento, em Santos (SP); ele deixou filho de 4 anos — Foto: Arquivo pessoal

  • Quarta-feira (7) – seis mortos

Gabriel da Silva Batista de Sena, de 14 anos morreu após ser baleado por uma equipe da Polícia Rodoviária na Rodovia dos Imigrantes, durante a madrugada, na altura de Cubatão. Segundo boletim de ocorrência, obtido pelo g1, policiais viram três homens em atitude suspeita andando na beira da rodovia. Eles desembarcaram da viatura e foram surpreendidos por disparos de arma de fogo.

Um homem, de 33 anos, morreu após cair do 4º andar de um prédio durante a tarde. A queda aconteceu enquanto ele fugia da Polícia Militar, que procurava pelos suspeitos de atirarem no cabo da PM José Silveira dos Santos, no bairro São Manoel, em Santos. Essa morte não é contabilizada pela Secretaria de Segurança Pública.

Suspeito que morreu em São Vicente foi levado ao PS Central, mas chegou sem vida — Foto: Alexsander Ferraz/A Tribuna Jornal

Durante a noite, por volta das 21h50, outros dois homens morreram em Itanhaém. Segundo a PM, uma equipe da Força Tática estava em patrulhamento na Rua Manoel Francisco Lisboa, no bairro Belas Artes, quando avistou suspeitos. Eles efetuaram diversos disparos de arma de fogo contra a equipe, que se defendeu. Dois homens foram baleados e morreram no local, enquanto os demais fugiram.

Mais tarde naquela noite, por volta das 22h45, um homem identificado como Jonathan Correa de Oliveira, morreu baleado por policiais militares do 6º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP) na comunidade da Vila dos Pescadores, em Cubatão (SP). Ao notar a aproximação da equipe, o suspeito teria sacado uma pistola e atirado diversas vezes contra os policiais militares, que revidaram.

  • Quinta-feira (8) – dois mortos

Dois homens, que ainda não foram identificados, morreram em confronto com policiais militares da Rota em frente a um terreno baldio de Santos.

De acordo com o boletim de ocorrência, agentes averiguavam uma denúncia sobre a localização do acusado de matar o policial Samuel Wesley Cosmo, quando viram homens que dispararam contra os PMs enquanto fugiam. Uma outra equipe se deparou com os indivíduos e durante confronto, dois suspeitos foram baleados.

  • Sexta-feira (9) – quatro mortos

Por volta das 10h30, um adolescente de 16 anos morreu após entrar em confronto com policiais militares no bairro Vila Voturuá Independência, em São Vicente. A equipe policial apurava uma denúncia de tráfico de drogas.

Com o adolescente, foi apreendida uma mochila com 66 pinos com cocaína, 96 pedras de crack, 48 porções de haxixe e 44 cigarros de maconha, além de porções de K9, um caderno com anotações, um celular, a quantia de R$ 389,00 e revólver calibre 22 municiado.

Confronto aconteceu no Morro São Bento, em Santos (SP) — Foto: Reprodução

De acordo com a corporação, a dupla passou a atirar na direção dos policiais, que revidaram com tiros de fuzis. Ao todo, foram dez disparos: sete realizados por um dos agentes e três por outro. Os homens, identificados como Jefferson Ramos Miranda e Leonel Andrade Santos, foram levados até o hospital, mas não resistiram.

Na quarta-feira (7), Davi Gonçalves Junior, morto em uma casa na Avenida Oswaldo Toschi, no bairro Parque, em São Vicente, estava acompanhado de Hilderbrando Simão Neto, de 24 anos. Este suspeito foi baleado, socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levado ao Hospital do Vicentino, onde permaneceu internado sob escolta policial até morrer na sexta-feira (9).

Policiais militares Marcelo Augusto da Silva, Samuel Wesley Cosmo e José Silveira dos Santos, mortos na Baixada Santista (SP) — Foto: Reprodução/Redes Sociais e g1 Santos

Segundo a Polícia Civil, Marcelo foi atingido por um disparo na cabeça e dois no abdômen. Ele integrava o 38º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M) de São Paulo, mas fazia parte do reforço da Operação Verão em Praia Grande (SP).

No dia 2 de fevereiro, o policial das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) Samuel Wesley Cosmo morreu durante patrulhamento de rotina na Praça José Lamacchia, no bairro Bom Retiro. O agente chegou a ser socorrido para a Santa Casa de Santos (SP), mas morreu na unidade.

Vídeo mostra o PM da Rota sendo baleado no rosto em viela no litoral de SP

Vídeo mostra o PM da Rota sendo baleado no rosto em viela no litoral de SP

Gabinete na Baixada Santista

Após a morte do cabo da PM José Silveira dos Santos, na quarta-feira (7), a Secretaria de Segurança de São Paulo (SSP-SP) montou um gabinete em Santos para coordenar a operação policial da região.

Secretário de Segurança Publica do estado de São Paulo, Guilherme Derrite, divulgou a identidade do suspeito de matar o PM da Rota Wesley Cosmo — Foto: Reprodução

O titular da pasta, Guilherme Derrite, anunciou uma recompensa de R$ 50 mil por informações sobre o assassino do PM da Rota Samuel Wesley Cosmo.

Ele ainda se posicionou sobre o nome da operação policial em vigor. Derrite corrigiu uma informação errada da pasta que, após a morte do PM da Rota Samuel Cosmo, disse ter deflagrado uma nova Operação Escudo na região.

O secretário apontou que o aumento do efetivo no litoral paulista após o assassinato do policial se deve a um reforço na Operação Verão e que a instalação do gabinete da SSP-SP no CPI-6, na quinta-feira (8), representa a 3ª fase da ação.

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Por: G1

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