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Polícia francesa investiga se mulher esfaqueada em Lyon mentiu sobre ataque antissemita

today6 de novembro de 2023 2

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“As investigações continuam sobre o caso de tentativa de homicídio. Nenhuma hipótese de investigação foi descartada até o momento”, confirmou o escritório do promotor público de Lyon a um jornal local.

A vítima, de 30 anos, de família judaica, teria sido esfaqueada na barriga em sua casa, no 3º distrito de Lyon, no sudeste da França. A mulher teve alta do hospital no domingo (5), segundo informações da AFP. O advogado, Stéphane Draï, informou que sua cliente precisou levar pontos.

Três pistas prioritárias continuam sendo examinadas pelos investigadores do departamento de investigação criminal e de Segurança departamental, que estão encarregados das investigações. Eles analisam o antissemitismo, a situação familiar tensa da mulher e a possibilidade de uma automutilação encenada.



O relatório do médico que examinou a vítima após o suposto ataque não chegou a nenhuma conclusão clara sobre a natureza das facadas. No documento, o profissional não exclui a possibilidade de automutilação devido à proximidade das duas facadas, mas também não anula a intervenção de terceiros. A vítima recebeu três dias de licença médica temporária.

Defesa da vítima pede cautela

O advogado Stéphane Draï manteve a versão de sua cliente de que ela foi atacada com uma faca por um indivíduo vestido de roupa escura e rosto coberto na porta de sua casa, ao canal de TV CNews. “Há uma certa estabilidade psicológica. É importante lembrar que, nesse tipo de teoria (a da automutilação), minha cliente teve leucemia, teve uma recaída e se divorciou amigavelmente. Acho que ela se agarrou à vida, não faria sentido se mutilar diretamente. Temos que ser sensatos com relação a todas as hipóteses”, defendeu.

A polícia encontrou uma suástica pichada na porta da casa da vítima, mas por enquanto não é possível estabelecer a data em que o símbolo nazista foi desenhado no local.

Uma das outras possibilidades que estão sendo investigadas é a de um divórcio complicado. A mulher inocentou o ex-marido durante depoimento à polícia. Em seu relato, a jovem, que é mãe de dois filhos, disse que não conhecia a pessoa que a atacou e alegou que abriu a porta porque estava esperando a entrega de uma encomenda, mas que não conseguiu identificar formalmente o suposto agressor.

O caso lembra ataques antissemitas “imaginários” na FrançaSe for comprovada a automutilação no ataque da mulher de Lyon, ele poderá entrar para uma lista de casos falsamente realizados por motivação antissemita na França. Como o de Tsion Sylvain Saadoun, professor de uma escola judaica em Marselha, que alegou ter sido esfaqueado por três homens que diziam ser membros do Estado Islâmico (EI) em novembro de 2015. Ele foi julgado em 2016 por “falsa acusação”.

Ainda em 2015, um professor de escola primária de Aubervilliers disse ter sido ferido com um alicate de corte em sua sala de aula por um homem encapuzado que alegou ser do EI, mas ele acabou confessando que havia inventado tudo para chamar a atenção para as condições de segurança nas escolas e acabou absolvido em primeira instância.

Em julho de 2014, a ativista feminista Amina Sboui, de 19 anos, alegou que salafistas (islamistas radicais) haviam raspado suas sobrancelhas e ameaçado estuprá-la em Paris. Uma semana depois, a polícia a acusou de “denunciar um crime imaginário”. Em seguida, a jovem admitiu sua mentira em entrevista ao jornal francês Libération.

Há quase 20 anos, em 2004, uma mulher de 23 anos também alegou ter sido vítima de um ataque antissemita no trem suburbano de Paris, por jovens imigrantes armados com facas, que desenharam suásticas em sua barriga e cortaram seu rosto. A investigação logo revelou que se tratava de automutilação e a jovem, que não era judia, recebeu uma sentença de quatro meses de prisão, mas a pena foi suspensa.

A notícia do suposto ataque de Lyon provocou inúmeras reações e condenações, principalmente de políticos, da diocese da cidade e do reitor da mesquita de Lyon. Já a Procuradoria Nacional Antiterrorista, falou à AFP, que estava “avaliando o caso em conjunto com os departamentos envolvidos”.

Desde 7 de outubro, data em que começou o conflito entre Israel e o Hamas, foram registrados “857 atos antissemitas”, ou seja, “tantos em três semanas” quanto em “todo o ano passado”, de acordo com o ministro do Interior, Gérald Darmanin, na semana passada.

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Por: G1

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