G1 Mundo

Por que Biden ordenou sanções contra colonos judeus e equiparou-os a terroristas?

today2 de fevereiro de 2024 2

Fundo
share close

Com uma ordem executiva, o presidente Joe Biden lançou uma punição inédita a quatro colonos israelenses que vêm incitando a violência contra palestinos na Cisjordânia. Trata-se de um movimento significativo: sob a forma de drásticas sanções financeiras, ele manda um alerta ao grupo de extremistas, equiparando-os a terroristas, e ao premiê Benjamin Netanyahu, que não tem controle sobre os radicais de seu governo.

O decreto permite aos EUA sancionarem líderes ou funcionários de Israel envolvidos na violência contra palestinos. O governo americano cogitou incluir os ministros radicais que integram a coalizão que sustenta Netanyahu: Itamar Ben-Gvir, da Segurança Nacional, e Bezalel Smotrich, das Finanças, estão diretamente ligados aos colonos e corroboram ações e confrontos que fizeram de 2023 o ano mais violento no território ocupado.

Biden deixou os parceiros de Netanyahu de fora nesta primeira rodada de sanções. Preferiu punir os colonos que realizaram ataques e se envolveram em motins, incêndios, intimidações e agressões a agricultores palestinos e ativistas israelenses, além da expulsão violenta de famílias. Eles tiveram os bens e ativos congelados nos EUA e não poderão participar de transações que envolvam o sistema financeiro americano.



O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) contabiliza 500 ataques de colonos na Cisjordânia desde o massacre do Hamas em 7 de outubro, com dez palestinos mortos e 115 feridos pela ação desses extremistas.

Os dois ministros ultranacionalistas irritaram Biden pela participação atuante nos episódios, semeando uma onda violenta contra os palestinos. Incentivaram a distribuição de armas aos colonos e pregaram a emigração de palestinos da Faixa de Gaza e o repovoamento do enclave com novos assentamentos judaicos. Ben-Gvir manifesta ostensivamente o desprezo pelo presidente americano: “Não somos mais uma estrela na bandeira dos EUA”, costuma repetir.

Há outro motivador crucial nas medidas de Biden contra os colonos israelenses, e, por consequência, contra o governo Netanyahu. Cobrado internamente por não ser firme o suficiente em relação a Israel, o presidente dirige-se também ao público americano. A forma como ele lidou com a guerra de Israel em Gaza provocou cisões no Partido Democrata e repercutiu negativamente na comunidade muçulmana.

Não foi à toa que a Casa Branca anunciou as sanções aos colonos pouco antes da visita do presidente a Michigan, um dos estados indecisos na disputa eleitoral deste ano e que abriga a mais significativa comunidade de árabes-americanos do país, com 200 mil eleitores.

Nas eleições de 2020, Biden obteve grande apoio (80%) em redutos muçulmanos de Michigan, mas vem perdendo popularidade entre a comunidade após o apoio a Israel na guerra contra o Hamas em Gaza, que já dura quatro meses.

O movimento Abandone Biden alimenta as frustrações contra o presidente, por ele ter resistido a defender um cessar-fogo em Gaza. Trata-se de uma campanha nacional em curso em estados decisivos, como Michigan, Minnesota, Flórida, Geórgia, Nevada e Pensilvânia. Uma pesquisa do Instituto Árabe-Americano revelou que o presidente tem apenas 17% das intenções de votos entre esta população e isso pode lhe custar a reeleição.




Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Mundo.

Por: G1

Esta notícia é de propriedade do autor (citado na fonte), publicada em caráter informativo. O artigo 46, inciso I, visando a propagação da informação, faculta a reprodução na imprensa diária ou periódica, de notícia ou de artigo informativo, publicado em diários ou periódicos, com a menção do nome do autor, se assinados, e da publicação de onde foram transcritos.

Avalie

Post anterior

video:-veja-como-bogota,-com-mais-de-7-milhoes-de-moradores,-ficou-durante-o-dia-sem-carro

G1 Mundo

Vídeo: veja como Bogotá, com mais de 7 milhões de moradores, ficou durante o dia sem carro

Os únicos veículos motorizados autorizados a circular foram os do transporte público e taxis. Quem descumprisse a regra estaria sujeito a multa de mais de R$ 700. Veja como ficou Bogotá, na Colômbia, em dia de restrição a carros A cidade de Bogotá, na Colômbia, de mais de 7 milhões de pessoas, teve um dia sem carros nesta quinta-feira (1º). Estima-se que 1,85 milhão de automóveis e 430 mil motos […]

today2 de fevereiro de 2024 7

Publicar comentários (0)

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.


0%