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Presidente da ANJ diz que inteligência artificial pode ser perigosa para o jornalismo

today22 de março de 2024 2

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“Nunca foi mais importante você ter jornalismo profissional, informação de qualidade e precisa”, ressaltou Rech, em entrevista ao g1. Ele esteve na Baixada Santista para reunião da ANJ que aconteceu em Santos em homenagem aos 130 anos do jornal A Tribuna.

Para o presidente da associação, atualmente o mundo sofre com uma superoferta de conteúdos informativos, que reforçam a necessidade de cuidado. “A pluralidade de ideias é extremamente positiva e saudável, mas os fatos, pelo menos os fatos objetivos, têm que ter um consenso. […] Cada vez mais o mundo e a humanidade precisam do acerto, de um consenso sobre os fatos”, explicou.

Diante deste cenário, Rech comparou a atividade de comunicação com a medicina. “Hoje, qualquer pessoa vai na frente do seu computador ou celular, acessa e, se pesquisar bem, pode até tentar fazer um diagnóstico. Só que não é recomendável. Não é recomendável que ela vá para um tratamento, sobretudo se a questão é mais relevante, mais séria, por conta própria. Tem que procurar um médico […]. É a mesma coisa com a informação. A pessoa pode até produzir conteúdos, montar uma foto na rede social e etc, mas isso não é jornalismo”.



Outra autoridade que esteve na reunião foi um dos vices-presidentes da ANJ e presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho. Segundo ele, empresas de jornalismo se destacam pela credibilidade. “A gente se diferencia por ter profissionais que trabalham duro todo dia para ter informação com qualidade, checada, verificada, bem apurada, enfim, com fontes e tudo”, esclareceu.

A inteligência artificial (IA) é uma das tecnologias que mais preocupam a ANJ. Marcelo Rech considera a ferramenta útil para qualificar a busca e a difusão de informação, mas diz que ela pode se tornar perigosa pela imprecisão da informação. “Quando a gente vai utilizar e faz uma pergunta a um modelo de inteligência artificial, com frequência vem uma informação completamente equivocada, errada”, explicou.

Segundo Rech, a tecnologia precisa ser aprimorada, mas não há previsão para utilizá-la com confiança. “Talvez daqui a 10 ou 15 anos possa ser diferente, mas é muito perigoso porque pode ter uma informação completamente disparatada [absurda], que pode, inclusive, trazer um risco de dano pessoal, seja de contribuição de saúde ou econômica, para uma pessoa ou para uma organização”.

Além disso, o presidente da ANJ informou que os modelos de IA usam conteúdo jornalístico sem preocupação com direito de autor. “É um aspecto que nos preocupa muito. Nos Estados Unidos e na Europa, essa questão está mais avançada no sentido de fazer a valorização de quem produz informação profissional, informação técnica e vai acabar alimentando a inteligência artificial”, ressaltou.

Presidente da ANJ, Marcelo Rech esteve em evento de comemoração aos 130 anos do jornal A Tribuna — Foto: Alexsander Ferraz/A Tribuna Jornal

‘Insubstituível’ jornalismo regional

A ANJ valoriza muito o jornalismo regional, pois crê se tratar de algo extremamente importante para a sociedade. Segundo Marcelo Rech, é fácil encontrar notícias internacionais sobre economia, guerra, entre outros temas. Porém, as notícias mais relevantes para o dia a dia de um cidadão são fruto do jornalismo local.

“Tem que buscar uma fonte confiável que tem história e, obviamente, um olhar que entenda quais são as necessidades do público para a informação, de buscar a informação relacionada com essa região, cidade, localidade. Então, o jornalismo regional é insubstituível e cada vez mais insubstituível. Não há nenhuma outra alternativa para isso. A informação mais relevante nas nossas vidas é a informação local”.

Para Rech, o jornal impresso não terá fim enquanto existir quem goste de ler notícias folheando as páginas. “O jornal não está na atividade de imprimir jornais. Está na atividade de produzir informações que digam respeito, que interessem a comunidade, da forma que for mais conveniente para a sociedade”, afirmou.

Segundo o presidente da ANJ, o foco dos meios de comunicação deve ser exclusivamente no leitor. “Nós temos uma atividade de oferecer ao público a forma mais conveniente, mais útil para ele naquele momento do dia. Pode ser uma informação rápida na fila do elevador, no celular, ou um caderno especial aprofundado que ele possa se deleitar, digamos, com uma leitura boa, profunda, durante a noite ou fim de semana. Esse é o nosso compromisso”, finalizou.

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Por: G1

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