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Prima de jovem que foi morta pelo ex-namorado diz que ele a agredia e fazia ameaças: ‘possessivo, manipulava a mente dela’

today17 de maio de 2024 4

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De acordo com Anna Luiza, Yasmin nasceu em Juquiá (SP), mas cresceu em Miracatu. O pai dela, Francisco, era tio do prefeito municipal, Vinícius Brandão de Queiroz (PL).

Yasmin iniciou o relacionamento com João Carlos cerca de três anos atrás. Segundo a prima, as agressões ocorriam desde o primeiro ano de namoro.

“Ela era uma menina muito quieta, meiga. Ela era muito delicada, nunca imaginaria que isso fosse acontecer. Com 21, ela conheceu esse rapaz, acho que pela internet. Porque ela nunca tinha namorado, nunca. A mente dela era muito infantil ainda, ela não tinha essa malícia”, contou.



Anna Luiza (à esq.) e Yasmin (à dir.) enquanto crianças — Foto: Arquivo pessoal

Segundo Anna, a jovem já chegou a passar alguns períodos na casa do ex-namorado. Mas, quando eles brigavam ou terminavam, ele a deixava novamente na casa dos pais.

“Da última vez ele bateu feio nela. Ele levou para o sítio dele uma vez, bateu, bateu, bateu […] Foi aí que ela falou para ele assim: ‘nossa, meu pai nunca me bateu, nunca’. Aí foi quando ele largou ela e jogou ela lá na casa do meu tio Xavier”.

Yasmin chegou a conseguir um emprego como atendente em uma clínica odontológica. Mas, segundo Anna, a prima foi mandada embora justamente devido ao comportamento possessivo de João Carlos, que apareceu no estabelecimento e a agrediu.

“Ela não tinha como sair da relação, porque o cara era possessivo, ele manipulava a mente dela”.

Pai e filha são assassinatos a tiros por ex-namorado da jovem, no Centro, em Miracatu (SP) — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Segundo Anna Luiza, a prima chegou a manifestar o desejo de ir embora da cidade para fugir do ex. Em algumas ocasiões, Yasmin relatou à mãe que o homem ameaçava machucar a família dela, caso ela decidisse se afastar.

Em imagens obtidas pelo g1, no dia do crime, é possível ver quando João Carlos se aproxima da vítima com uma arma, pede desculpas e dispara contra ela (veja abaixo). No vídeo, ele diz: “Já matei o seu pai, agora é você’, antes matar ex-namorada.

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Anna acredita que, se houvesse mais balas na arma usada por ele, talvez também tivesse atirado contra a esposa de Francisco e mãe de Yasmin. Para ela, era possível que o homem ainda atentasse contra a própria vida após as execuções.

“Ela [esposa e mãe das vítimas] falou assim: ‘ele entrou com tudo, eu estava na cozinha. Ele passou por mim e foi direto no ‘seu Xavier’. Ele passou por mim e falou assim: ‘o meu negócio não é com você, é com a Yasmin e o Xavier’”, recordou.

Segundo a jovem, o tio veio do Nordeste para São Paulo e passou 30 anos da vida trabalhando na prefeitura de Miracatu. Ela o considerava um “homem muito bom”, que estava sempre tentando proteger a prima.

Para Anna, João Carlos disparou primeiro contra o tio dela porque sabia que, se mirasse em Yasmin antes, Francisco faria de tudo para defendê-la. “De domingo a domingo ele trabalhava, só trabalhava. E até no dia [do crime] ele tinha trabalhado até a noite […] O meu tio não queria ver a filha dele morta”, lamentou.

A esposa de Francisco e mãe de Yasmin estava em casa no momento do crime, na noite de sábado (11). Em depoimento à polícia, a mulher afirmou que o marido e a filha estavam deitados quando o assassino arrombou a porta da cozinha do imóvel e entrou no local.

De acordo com o relato, Francisco foi o primeiro a ser baleado. Depois de escutar barulho vindo da porta, ele foi ver o que havia acontecido. Lá, encontrou o atirador. O funcionário público levou três tiros.

Depois, o mecânico foi ao quarto onde estava Yasmin e levou a jovem para o quintal de casa. Ele também atirou três vezes nela. Na sequência, fugiu de carro.

Os PMs informaram à Polícia Civil que acionaram o pronto-socorro da cidade, mas as duas vítimas pareciam estar mortas. Uma ambulância foi enviada com uma equipe de resgate, e os profissionais constataram o óbito do pai e da filha.

O Instituto de Criminalística (IC) realizou a perícia no local. O caso foi registrado como feminicídio, violência doméstica e homicídio na Delegacia de Miracatu.

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Por: G1

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