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Quem é a ativista russa presa após morte de blogueiro pró-Putin

today3 de abril de 2023 8

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Darya Trepova, de 26 anos, aparece em um vídeo divulgado pelas autoridades —possivelmente gravado sob coação — admitindo que entregou uma estatueta que depois explodiu.

No entanto, nas imagens divulgadas, ela não diz que sabia que haveria uma explosão, tampouco admite qualquer outro papel no atentado.

Mais de 30 pessoas ficaram feridas no ataque na segunda maior cidade da Rússia.



Tatarsky estava participando de um encontro patriótico com apoiadores no café como palestrante convidado. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra uma mulher jovem de casaco marrom aparentemente entrando no café com uma caixa de papelão.

As imagens mostram a caixa sendo colocada sobre uma mesa no café antes de a mulher sentar. Outro vídeo mostra uma estatueta sendo entregue a Tatarsky.

Em um breve trecho do interrogatório divulgado pelo Ministério do Interior, Darya Trepova parecia estar sendo coagida enquanto suspirava repetidas vezes.

Quando o interrogador perguntou se ela sabia por que havia sido detida, ela respondeu: “Eu diria que por estar na cena do assassinato de Vladlen Tatarsky… eu “entreguei a estatueta que explodiu”. Questionada sobre quem deu a estatueta a ela, ela respondeu: “Posso te contar mais tarde, por favor?”

A Fundação Anticorrupção de Navalny, que divulgou uma série de denúncias de corrupção envolvendo pessoas próximas a Putin, disse que era “muito conveniente” para o Kremlin culpar seus críticos.

Navalny está preso desde que voltou da Alemanha para a Rússia em janeiro de 2021. Ele sobreviveu a um ataque com agente nervoso na Rússia em agosto de 2020, atribuído a agentes do serviço de segurança russo.

O chefe da fundação, Ivan Zhdanov, disse que tudo apontava para os próprios agentes do serviço de segurança russo. “Naturalmente, não temos nada a ver com isso”, declarou.

O que se sabe sobre Darya Trepova

Darya Trepova foi presa em um apartamento em São Petersburgo que pertenceria a um amigo de seu marido, segundo reportagens publicadas pela imprensa local.

A notícia da prisão levantou questionamentos sobre o passado e envolvimento político da jovem.

Autoridades russas dizem que Trepova seria apoiadora do líder da oposição Alexey Navalny. Mas amigos e familiares afirmam que, embora ela fosse uma ativista antiguerra, suas opiniões não eram radicais e ela não seria capaz de matar.

Seu marido, Dmitry Rylov, sugere que ela pode ter sido enganada.

Mas o que, de fato, sabemos sobre Trepova?

Um conhecido contou à BBC que ela estudou na cidade de Pushkin, nos arredores de São Petersburgo, e afirmou que ela “não parecia ter nenhuma visão política na época”. Outras fontes dizem que ela se matriculou depois na Universidade Estatal de São Petersburgo, embora não esteja claro em qual faculdade, e não acredita-se que ela tenha concluído o curso.

De acordo com uma amiga, ela trabalhou por muito tempo em uma loja de roupas vintage da cidade, mas deixou o emprego há um mês para se mudar para Moscou. Ela está casada com Rylov – não está claro há quanto tempo.

Em entrevista ao canal Agentstvo, do Telegram, amigos de Trepova disseram que o casamento deles era uma “piada” e que eles eram apenas amigos. Mas há relatos de que o casal foi preso em um protesto contra a guerra em 24 de fevereiro do ano passado, no início da invasão da Ucrânia.

Trepova foi detida por 10 dias, aparentemente por ignorar os pedidos da polícia para que a multidão se dispersasse.

Circula a informação de que Rylov é membro de um pequeno grupo de oposição chamado Partido Libertário, que esteve envolvido nas manifestações. O partido declarou que ele havia emigrado.

E também disse ao canal SOTA, do Telegram, que Trepova não tinha nenhuma ligação com o partido — e que condenava o assassinato de Tatarsky.

Algumas reportagens sugerem que Rylov também está sendo procurado por ligação com o crime. Ele afirmou à SVTV News que Trepova não poderia ter cometido assassinato conscientemente.

“Acredito que minha esposa foi enganada”, declarou. “Sim, é verdade que nenhum de nós apoia a guerra na Ucrânia, mas acreditamos que tais atos são inadmissíveis.”

“Tenho 100% de certeza de que ela nunca teria concordado com algo assim se soubesse disso.”

Algumas reportagens afirmam que os investigadores russos não descartam a possibilidade de que Trepova não soubesse o que havia dentro da estatueta.

O café, chamado Street Food Bar No 1, perto do Rio Neva, já pertenceu a Yevgeny Prigozhin — que dirige o notório grupo mercenário Wagner da Rússia, que participou de grande parte dos combates em Bakhmut, no leste da Ucrânia.

Um grupo chamado Cyber ​​Front Z, que se autodenomina “tropa de informação da Rússia”, teria alugado o café para a noite.

Prigozhin prestou homenagem a Tatarsky, cujo nome verdadeiro era Maxim Fomin, em um vídeo que ele declarou ter sido filmado na prefeitura de Bakhmut.

Ele exibiu uma bandeira que disse ter as palavras “em memória de Vladlen Tatarsky”.

Tatarsky, um ferrenho defensor da guerra da Rússia na Ucrânia, não era uma autoridade russa, tampouco um oficial militar. Ele era um blogueiro conhecido com mais de meio milhão de seguidores e, assim como Prigozhin, tinha um passado criminoso.

Nascido na região de Donetsk, no leste da Ucrânia, ele disse que se juntou a separatistas apoiados pela Rússia quando esses o libertaram da prisão, onde cumpria pena por assalto à mão armada.

Ele fazia parte de uma comunidade de blogueiros militares pró-Kremlin que assumiu um papel relativamente importante desde que a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia começou em fevereiro de 2022.

Tatarsky está entre aqueles que chegaram a criticar as autoridades russas, censurando os militares e até mesmo o presidente Vladimir Putin por contratempos no campo de batalha.

Excepcionalmente, Tatarsky pegou em armas em operações de combate e fez postagens da linha de frente. Ele alegou ter ajudado a lançar drones de combate e a construir fortificações.

Em setembro passado, ele postou um vídeo filmado dentro do Kremlin em que Putin proclamava a anexação de quatro regiões ucranianas parcialmente ocupadas.

“Derrotaremos todos, mataremos todos, roubaremos todos conforme necessário. Do jeito que gostamos”, disse Tatarsky a seus seguidores.

Os blogueiros militares forneceram informações sobre a guerra em um país onde muitos ficaram frustrados com a falta de informações precisas de fontes oficiais.

As informações fornecidas pelos militares russos, pela televisão controlada pelo Kremlin e por autoridades estatais foram criticadas por serem imprecisas.

Na semana passada, várias fontes oficiais russas compartilharam um vídeo supostamente mostrando tropas ucranianas assediando civis. Analistas ocidentais provaram, usando informações de código aberto, que o vídeo havia sido encenado.

Alguns blogueiros pró-Kremlin também criticaram o vídeo como uma farsa grosseira. Grande parte do material pró-Rússia dos blogueiros tampouco é factual.

Ainda não está claro quem está por trás do assassinato de Tatarsky, mas lembra o assassinato de Darya Dugina, uma conhecida defensora da guerra que era filha de um ultranacionalista russo. Ela morreu em um ataque com carro-bomba perto de Moscou em agosto passado.

Autoridades russas já insinuaram que a Ucrânia é a culpada pela explosão. O conselheiro presidencial da Ucrânia, Mykhailo Podolyak, atribuiu a explosão a uma “luta política interna” russa, tuitando: “As aranhas estão comendo umas às outras dentro do pote”.

Os ucranianos provaram ser mais do que capazes de realizar ataques com drones e explosões nas profundezas do território russo nos últimos meses. Eles raramente admitem envolvimento, mas muitas vezes deixam dicas.

O líder mercenário Yevgeny Prigozhin disse que não achava que havia sido o governo ucraniano: “Acho que há um grupo de radicais operando, o que dificilmente tem algo a ver com o governo.”

A explosão pode estar ligada a lutas políticas internas na Rússia, como disse Kiev. Agora há muitos homens furiosos portando armas na Rússia.

Com os militares ficando sem tropas, condenados foram libertados da prisão, receberam armas e foram enviados para a linha de frente de combate. As autoridades russas também conduziram campanhas de recrutamento em larga escala para combatentes voluntários e recrutaram cerca de 300 mil homens em uma “mobilização parcial”.

O jornal Kommersant publicou recentemente que o número de assassinatos cometidos na Rússia no ano passado aumentou pela primeira vez em 20 anos.




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Por: G1

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